TRABALHAR


TRABALHAR 1 b


1 – TRABALHAR:


livro sabedoria prática

Aristóteles pensava que a sabedoria prática era a chave da felicidade, e ele estava certo. Atualmente está a fazer-se muita investigação em Psicologia sobre o que faz as pessoas felizes, e as duas coisas que sobressaem em todos os estudos, mais importantes para a felicidade, são o amor e o trabalho.

  • Amor: gerir com sucesso as relações com as pessoas que nos são próximas e com as comunidades de que fazemos parte.
  • Trabalho: participar em atividades significativas e gratificantes.


Trabalharíamos se não nos pagassem?

Por que é que ao longo do desenvolvimento do capitalismo, criamos um modo de produção de bens e serviços, nos quais as satisfações não materiais que vêm do trabalho foram eliminadas? Por que é que para a esmagadora maioria das pessoas no planeta, o trabalho que fazem não tem nenhuma das características que nos faz levantar com prazer, sair da cama com alegria e ir pela manhã para o local de trabalho (ou escola – alunos e professores), com entusiasmo?


TRABALHO LABORAL:

É um conjunto de atividades realizadas, é o esforço feito por indivíduos, com o objetivo de atingir uma meta (É remunerado = recompensa financeira). O emprego é um cargo de um indivíduo numa empresa, organização ou instituição, onde o seu trabalho (físico ou intelectual) é devidamente remunerado. O conceito de emprego é bem mais recente do que o de trabalho, e surgiu por volta da Revolução Industrial, propagando-se com a evolução do capitalismo.


TRABALHO ESCOLAR:

Tarefas realizadas pelos alunos com o intuito de praticar determinados conteúdos|exercícios para que se tornem competências através da maestria. O trabalho envolve processos repetitivos de forma a memorizar determinados conhecimentos ou automatizar determinados gestos técnicos (no caso da Educação Física), de forma que o aluno perceba a sua lógica ou encadeamento (Não é remunerado – não existe recompensa financeira mas existe outra forma de recompensa – Classificações, certificados|diplomas).


TRABALHO PEDAGÓGICO:

A palavra Pedagogia tem origem na Grécia antiga e vem das palavras: “paidos” (“da criança”) e “agein” (“conduzir”). Na antiga Grécia, eram chamados de pedagogos os escravos que acompanhavam as crianças que iam para a escola. Como escravo, ele era submisso à criança, mas tinha que fazer valer sua autoridade quando necessária. Por esse motivo, esses escravos desenvolveram grande habilidade no trato com as crianças. Atualmente a pedagogia tem como objetivo principal a melhoria no processo de aprendizagem dos indivíduos, através da reflexão, sistematização e produção de conhecimentos. Como ciência social, a pedagogia esta ligada aos aspetos da sociedade e também às normas educativas do país. O pedagogo, que trabalha para garantir e melhorar a qualidade da educação, tem dois grandes campos de atuação: a administração e o magistério, de modo que pode  supervisionar o sistema de ensino e/ou orientar os alunos e os professores. Acompanha e avalia, ainda, o processo de aprendizagem e as aptidões de cada aluno. Porém, todos aqueles que atuam nos processos educativos (professores, pais, monitores, orientadores, psicólogos, etc) também devem conhecer os princípios básicos de pedagogia.


TRABALHO E DESPORTO

Visão idealista: Sílvio Lima em desportismo profissional, desporto, trabalho e profissão (antologia de textos, desporto e sociedade), refere que o desporto (como todo o ócio) deve supor sempre uma profissão prévia; é esta profissão que servirá de alicerce ao viver do desportista. Se o desporto não dá pão, onde há-de ir busca-lo o desportista senão ao trabalho honesto, inteligente e livre? Pergunta-se agora: pode o desporto tornar-se uma profissão? Sem dúvida que o pode, mas não deve fazê-lo sob pena de a si mesmo se negar como desporto. A fórmula desportismo profissional é absurda, contraditória e, imoral. Se é desportismo, não pode ser profissional, se é profissional não pode ser desportismo. A verdade de um é a falsidade do outro. (…) Um jogador remunerado? Remunerado porquê e por quem? E quais as repercussões morais dessa remuneração no próprio indivíduo e na própria grei? (…) É que o valor da vitória desportiva não é material, pecuniário, mercantil; é de essência espiritual. O efebo grego bate-se pela glória de triunfar na prova, de mostrar a elasticidade, o garbo, a destreza, a harmonia, a formosura varonil e musical do corpo. (…) O jogo desportivo comercializou-se, tornou-se instrumento fabricador de lucro; já não era educação, poesia, arte, mas mercadoria. Esta viragem fatal na diretriz do desporto fez com que o recorde, a performance, a vitória, se constituíssem em núcleo atrativo e único do exercício lúdico. (…) Consequentemente, há que exigir ao organismo o máximo de esforço: que importam a desarmonia física, o desequilíbrio funcional, a hipertrofia antinatural de certos elementos somáticos em detrimento de todo orgânico? O jogador muda-se em atleta profissional; passa a usar técnicas apropriadas, treinos orientados (Treinadores profissionais; Professores de Educação Física profissionais), não pelo espírito educativo mas pelo espírito económico. O jogo adquire um tom frenético, alucinador, trepidante. E como o ouro deslumbra, não raro – para vencer – o desportista recorre à corrupção, ao escamoteio, viola deliberadamente o fair-play; mercadeja, como o subtil lago, as almas e as consciências. (…) E como não sucederia tal facto, se o desporto perdera o seu caráter apolineamente religioso, desinteressado, apecuniário? Só o jogo pelo jogo é a razão nuclear do verdadeiro desporto. Este é o exercício gratuito. (…)

  • Que papel desempenha o Clube Desportivo?
  • Que papel desempenha a Educação Física  e o Desporto Escolar?

O clube está para o desporto como a profissão para o trabalho; apenas com a seguinte diferença fundamentalíssima: é que o clube deve ser sempre não utilitário, ao passo que a profissão, por natureza intrínseca, é instrumento utilitário da vida. (…) Assim como a profissão disciplina, coordena, vertebraliza o trabalho individual, assim o verdadeiro clube disciplina, coordena, vertebraliza o desporto individual. Não que o desporto necessite necessariamente da organização clubista.

Mas o clube pode servir (ou pelo menos deveria de servir):

  • Como regra orientadora de desporto.
  • Para canalizar a força torrencial do jogo, racionalizando-a.
  • Para lhe suprimir os extravios.
  • Sofreia-lhe e castiga-lhe os excessos anti-higiénicos, antieducativos, anti-sociais, etc…
  • Rasga-lhe novas veredas.

Visão realista: Nós sabemos que o desporto, enquanto realidade social, consegue reunir à sua volta um elevado número de pessoas e estas agrupam-se segundo a sua área de intervenção, dando assim origem a várias dimensões do fenómeno desportivo:

  • Prática (todos os praticantes).
  • Profissão: à medida que o desporto tem evoluído e expandido, tem-se constituído como uma fonte geradora de novas profissões tai como treinadores, atletas profissionais (contrariando a visão de Sílvio Lima), roupeiros, médicos, massagistas, gestores desportivos, jornalistas desportivos, etc…
  • Espetáculo: qualquer recinto desportivo constitui um lugar físico onde decorre o evento desportivo e onde o público pode assistir, tal como acontece num espetáculo de teatro, música, etc…
  • Lazer: o desporto como ocupação do tempo de ócio vai ao encontro das necessidades do homem, isto é, do seu equilíbrio como um ser biopsicossocial.
  • Técnica: a necessidade de vencer, de obter melhores resultados trouxe ao desporto todo um conjunto de especialistas que asseguram a consecução destes objetivos. Medicina desportiva, sociologia desportiva, psicologia desportiva, nutricionismo, metodologia e teoria do treino, biomecânica, etc…
  • Investimento: esta dimensão está intimamente ligada à industria de todos os equipamentos/materiais e instalações deportivas. Desempenha considerável importância na economia da sociedade (ginásios, salas de musculação, lojas de equipamentos desportivos, etc…).
  • Educação: o desporto é considerado pela maioria como  um meio privilegiado na ação educativa, assumindo uma relevante importância no processo formativo do cidadão (Ensino Elementar, Básico e Secundário; Universitário).
  • Ciência: as investigações realizadas no domínio das várias ciências levaram a um melhor conhecimento do Homem em muitas facetas, tornando assim possível a obtenção de melhores resultado desportivos.
  • Arte
  • Cultura….
  • Administração

Desporto tem mais importância para a economia portuguesa do que o vestuário

O sector do desporto pode ser mais relevante do que pensa para a atividade económica portuguesa. Entre 2010 e 2012, produziu mais riqueza do que o vestuário ou a consultoria e programação informática (Nuno Aguiar, 05 de abril de 2016 negócios). Segundo os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), as 25 mil entidades que foram classificadas como fazendo parte do setor do desporto produziram cerca de 1,8 mil milhões de euros por ano entre 2010 e 2012. Isso representa 1,2% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) da economia nacional.

De que dimensão estamos a falar? Este valor significa que o desporto tem tanta importância para a economia portuguesa como a “fabricação de produtos metálicos” (1,2%), alcançando até valores mais elevados do que a “consultoria e programação informática” (1%), o “vestuário” (0,9%) e as “atividades de arquitetura, de engenharia e técnicas afins” (0,8%). De notar que o vestuário não inclui o têxtil, que é classificado à parte nas metodologia das Contas Nacionais.

Não admira que os objetivos e conteúdos da educação física estejam quase totalmente vinculados ao modelo desportivo em detrimento doutros referenciais axiológicos.

Desporto vale 1794 milhões para a economia

Estudo do INE atribui ao desporto um peso de 1,2% no valor acrescentado bruto gerado pela economia portuguesa.

  • Comité Olímpico de Portugal. Desporto, crescimento económico e emprego – Valorizar socialmente o desporto: um desígnio nacional: PDF
  • INE. destaque 5 de abril de 2016: PDF
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