Soluções para o Parkour na Escola


INTRODUÇÃO


MOBILIÁRIO URBANO:

Os traceurs(euses) | tracer (praticantes de parkour – “parcours“), utilizam o mobiliário urbano enquanto obstáculos a superar. O termo “parcours” está relacionado com o “Parcours du combattant“, mais conhecido como a pista de obstáculos do pentatlo militar. A modalidade tem diversas influências de diferentes práticas corporais, destacando-se as ginásticas e o Método Natural de Educação Física de Georges Hébert, também conhecido como “Métode Naturelle” que recorre a habilidades e capacidades corporais para superar obstáculos e desafios tanto em ambientes urbanos como naturais.

georges hébert 1

 

ESCOLA:

Se queremos abordar o parkour na escola, podemos recorrer ao equipamento de ginástica tal como colchões de quedas, plintos, traves, barra fixa, etc. Porém, nem todas as escolas possuem recursos que lhes permitam treinar todos os movimentos do parkour, e por isso, torna-se necessário utilizar a nossa imaginação para criar obstáculos recorrendo às paredes, muros, e outros acessórios que podemos construir ou mandar fazer.


DOMESTICAR O PARKOUR:

  • O parkour foi reconhecido no Reino Unido como um desporto, tal como qualquer outro desporto.

método natural e variantres

Quando queremos “domesticar uma atividade“, de forma a democratizá-la e torná-la mais segura, durante as primeiras fases de abordagem, quando se desenvolvem determinadas capacidades condicionais, coordenativas bem como a agilidade e fluidez do movimento, existem algumas soluções artesanais que nos permitem construir alguns recursos. Podemos montar estes materiais no pátio da escola, num terreno, num pavilhão desportivo ou num espaço qualquer disponível.

federacao internacional de parkour

Consultar link:


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Consultar link:

Victor Bevine, david Thompson e Francis Lyons são os fundadores da Federação Mundial de Parkour e Freerunning.

 


PLINTOS



ESTRUTURAS PORTÁTEIS EM TUBO


construção simplificada logo

Consultar o site: link

jiyo parkour tequipaO Team JiYo é uma das empresas de parkour mais experientes em todo o mundo em design urbano e planeamento de parques de parkour (link)


Como escolher o diâmetro adequado do tubo?

O primeiro será considerar o tamanho do tubo. Não apenas o diâmetro do tubo, mas também a espessura da parede interior. Um diâmetro de tubo maior pode ajudar a criar uma estrutura mais forte e estável. No entanto, o uso de tubos com um diâmetro maior têm maior custo e tornam a estrutura mais difícil de usar. Um diâmetro de tubo maior pode ser mais difícil de segurar e dificulta o movimento livre. Uma solução para isso poderia ser usando diferentes tamanhos de tubos dentro da estrutura, ou seja, a armação exterior utiliza tubos com maior diâmetro e espessura e os internos, ligeiramente menos espessos e mais finos para facilitar a pega.

A espessura da parede interna com maior espessura aumenta o peso da estrutura mas também garante maior resistência à deformação.

Diâmetro do tubo:

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Tamanho 6

  • 1″ Diâmetro Nominal – DN 2,54 cm
  • 1.315″ Diâmetro Externo – DE 3,34 cm

Tamanho 7

  • 1-1/4″ Diâmetro Nominal – DN 3,18 cm
  • 1.66″ Diâmetro Externo  – DE 4,22 cm

Tamanho 8

  • 1-1/2″ Diâmetro Nominal – DN (medida interna aproximada de um tubo) 3,81 cm
  • 1.900″ Diâmetro Externo – DE 4,83 cm

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“Geralmente, a maioria dos projetos de construção e montagem de estruturas de tubo para o Parkour recorrem a tubo com DN = 1-1/4″ (DE = 1,66″) ou DN = 1-1/2″ (DE = 1,9″), respectivamente, e recomendamos sempre atualizar para o Schedule 80 (maior espessura da parede). Normalmente não é muito mais caro e fará com que o seu tubo dure muito mais sem deformar. Os profissionais usam tubos com 1-1/2″de 80 em 7′ – 9′ no vão. Outra forma de tornar a estrutura mais forte é adicionar triângulos nos cantos da montagem, reforçando-a.

pipe-size-chart

Qual o tipo de material a escolher:

  • Tubos não tratados enferrujam rapidamente.
  • Aço inoxidável encarece demasiado a estrutura embora seja o mais resistente e mais durável.
  • Tubo galvanizado apresenta uma melhor relação preço qualidade e é resistente à corrosão.

Ligações entre tubos:

Existem 3 tipos principais de peças de conexão:

  1. handrail_kee_klamp_1_featuresAcessórios Roscados. Esta opção dificulta a montagem e diminui muito as possibilidades e configurações de montagem.
  2. Braçadeiras de andaimes. Permite ajustes e é fácil de usar comparativamente aos acessórios roscados, no entanto pode criar riscos porque as uniões são grosseiras, ou seja, têm saliências que podem provocar lesões.
  3. Braçadeiras de Aperto. Esta é a opção mais flexível uma vez que permitem ajustar com facilidade bastando para isso utilizar uma chave umbrako (hexagonal), para ajustar o parafuso. Permite cerca de 80 tipos diferentes de fixações garantindo uma gama diversificada de configurações. No entanto torna-se mais caro que as anteriores.

Irish-Fencing-10-8-Kee-Klamp

parkour 3


lappset

Um dos objetivos do parkour é conseguir um fluxo de movimentos suaves e ininterruptos. Por esta razão, é aconselhável planear áreas de parkour que garantam aos praticantes encontrar rotas interessantes.

A empresa Parkard Lappset instala equipamentos que foram projetadas em colaboração com a Academia Finlandesa de Parkour. A área do parkour também é adequada aqueles que fazem exercícios de manutenção na rua, já que o mesmo equipamento também pode ser usado para treino.

Brochura: PDF

Lappset 1

Spider Cage L


NATUREZA


CORRIDA ESPARTANA – Pista de Obstáculos

Faz alguns anos que surgiu a Spartan Race©, uma prova que se compõe de uma pista de obstáculos. O primeiro evento Spartan Race© foi realizado em 2010 no Centro Catamount Outdoor em Williston, Vermont e representou a cidade de Burlington, Vermont. Aproximadamente 500 competidores tiveram que correr, rastejar, saltar, nadar e superar uma variedade de obstáculos. Todos os finalistas receberam uma medalha, e os prémios foram concedidos aos melhores atletas.

A Spartan Race© é um conjunto de provas de obstáculos com distâncias e níveis de dificuldade variáveis. A distância pode ser de 3 milhas (4,83 Km) até à distância de uma maratona, 42,195 Km. Existem vários escalões tanto para miúdos como para graúdos.

spartan-race-miudos-obstaculos2A prova inclui várias modalidades:

  • Spartan Sprint© – 4,83 Km de percurso com mais de 20 obstáculos.
  • Super Spartan© – 12,87 Km de percurso com mais de 25 obstáculos.
  • Spartan Beast© – 20,92 Km de percurso com mais de 30 obstáculos.
  • Ultra Beast© – 41,84 Km de percurso com mais de 60 obstáculos.

Tem-se verificado uma onda de criatividade e inovação na forma como se cruzam modalidades com o intuito de criar novos desafios para fugir à monotonia das modalidades desportivas tradicionais que a escola adotou como nucleares. A escola tem que inovar, diversificar a sua oferta para conseguir cativar um publico cada vez mais saturado e desmotivado com a tradicional EF. As escolas situadas perto de matas e outros espaços verdes podem aproveitar para dinamizar saídas de parkour na natureza. As que não têm essa possibilidade, podem instalar estações de exercício recorrendo às montagens tubulares anteriormente referidas.

Anteriormente referi a empresa simplified Building© que apresenta uma solução tubular que facilita a criação de estruturas tanto para o parkour como para a Spartan Race©.


PARKOUR NA NATUREZA

O parkour é uma modalidade que não exige praticamente nenhum investimento porque recorre ao mobiliário urbano ou aos recursos naturais tais como árvores, rochas e outros obstáculos na natureza.

parkour na natureza

A Educação Física escolar tem evoluído numa profunda dependência de estruturas desportivas como os pavilhões e salas desportivas, polidesportivos exteriores, pistas de atletismo, etc… Podemos designar esta abordagem por Pedagogia Predial porque está dependente de insfraestruturas e todas as suas condicionantes.O parkour beneficia com estas instalações porque pode aproveitar os materiais de outras modalidades como a ginástica.

evolução homem

Nós, seres humanos evoluímos em contacto com a natureza e temos vindo a artificializar cada vez mais o nosso modo de vida e a perder este contacto e ligação com a natureza. É imperativo investir num regresso à natureza

O Retorno à Natureza corresponde a um conjunto de princípios éticos e comportamentais que preconizam um modo de vida baseado no retorno à natureza, defendendo a vida ao ar livre, o consumo de alimentos naturais e a procura de uma ligação e respeito profundo pela natureza.

Georges Hébert, oficial da marinha francesa que, na primeira metade do século XX, elaborou um conjunto de procedimentos para exercitar o corpo, o qual denominou “Método Natural“. O Método Natural é, por conseguinte, a codificação, adaptação e a gradação dos procedimentos e meios empregues pelos seres vivos no estado de natureza para adquirir o seu desenvolvimento integral. […] nenhuma cultura física dita científica, fisiológica ou outra, jamais produziu seres fisicamente superiores em beleza, saúde e força a certos habitantes naturais de todas as regiões do mundo: indígenas de todos os climas, negros da África, indígenas da Oceania etc. (Hébert, 1941a, p. 6, t. I). Alguns afirmam que o método natural foi o percursos do moderno Parkour. Existem várias correntes físicas cujas propostas nos têm aproximado da natureza e uma delas diz respeito ao MovNat.

ofocina do movimento

duas perspetivas parkour na escola

PIERRE DE COUBERTIN

método naturalmetodo natural 1A relação com a natureza:

  • Pede-nos um abandono gradual da abordagem competitiva.
  • Privilegia uma abstração progressiva do adversário, assumindo os desafios pessoais e interiores como prioritários.
  • O abandono da comparação de performances inter-individuais matizadas pelo nosso ego.
  • Privilegia uma relação natural, orgânica , saudável com a nossa natureza em ligação com o meio ambiente.last-child-in-the-woods
  • Edifica uma consciência ambiental de profundo respeito pela natureza como parte de nós próprios.

Richard Louv no seu livro “Last Child in the Woods” introduz o conceito de Desordem de Déficit de Natureza (DDN) quando alerta para esta falta de contacto com a natureza por parte das crianças, que passam a maioria parte do seu dia dentro de escolas sem espaços verdes e com pouquíssimo tempo para brincar.

re-evolucao

Precisamos de uma re-evolução, ou seja, um re-torno à natureza, às origens, nem que seja com algumas variantes como aquelas que são apresentadas pelo parkour ou pela Spartan Race. É imperativo tirar as crianças de dentro dos edifícios e permitir-lhes respirar o ar das matas e dos campos abertos. Por outro lado, é também importante criar alternativas na forma como abordamos a Educação Física, porque existem tantas formas de exercitar o corpo com prazer, alegria e satisfação e estamos a reduzir o leque de opções a um conjunto muito reduzido de opções, os desportos tradicionais, desgastados e coçados pelo tempo e pela repetição constante.


Apoio Bibliográfico.


  • Australian Parkour Association; “Technique & Movement Tutorial”: PDF;
  • Daniel Llabaca; Freemove; “Inspiring Movement”: PDF;
  • George Hébert (1912); “Practical Guide of Physical Education”: PDF;
  • Geração Parkour: PDF;
  • Carmen Lúcia Soares (2003); “Georges Hérbert e o Método Natural: Nova Sensibilidade, Nova Educação do Corpo”; Rev. Bras. Ciênc. Esporte, Campinas; Vol. 25; N.º 1; pp. 21-39: PDF
  • Carmen Lúcia Soares; “natureza, Vida ao ar livre e educação física no início do século XX: Fragmentos da obra de Georges Hérbert”: PDF
  • Damien et al (2013), “Ground Reaction Forces and Loading Rates Associated with Parkour and Traditional Drop Landing Techniques; Journal of Sports Science and Medicine, 12, 122-129: PDF;
  • Elizabeth de Freitas (2011). Parkour and the Built Environment. Journal of Curriculum Theorizing. Vol. 27. Nº 3: PDF;
  • Regan J. Standing and Peter S. Maulder, (2015), “A Comparison of the Habitual Landing Strategies from Differing Drop Heights of Parkour Practitioners (Traceurs) and Recreationally Trained Individuals”; Journal of Sports Science and Medicine, 14, 723-131: PDF;
  • João Jorge. Clube de Parkour Escolar (2014/2015): PDF.
  • Rui Carvalho (2008); “O Parkour enquanto fenómeno (sub)cultural”; VI Congresso Português de Sociologia; UNL – FCSH: PDF;
  • Sport England; “Creating Safer Communities – reducing anti-social behaviour and the fear of crime through sport”: PDF;
  • Jesse Woody (2006); “Parkour Basics – A Compendium”; Crossfit Journal: PDF;
  • Jesse Woody (2006); “Parkour”; Crossfit Journal: PDF;
  • Jesse Woody (2006); “Environmental awareness and the roll”; Crossfit Journal: PDF;
  • Jesse Woody (2006); “Part 1: Two-Handed, Speed, and lazy Vaults”; Crossfit Journal: PDF;
  • Jesse Woody (2006); “Part 4: Tica-tac and Wall-Run”; Crossfit Journal: PDF;
  • Jesse Woody (2007); “Indoor Parkour Training”; Crossfit Journal: PDF;
  • Chris Cooper (2014); “Ninjas by Nature”; Crossfit Journal: PDF;
  • Neiva Leite e col. (2011). Perfil da aptidão física dos praticantes de le parkour. Rev. Bras. Med. Esporte. Vol 17, nº3: PDF;
  • Livro que utilizo para preparar a Unidade Didática de Destrezas Motoras Gimnicas (Parkour) na Escola: Sascha Rochhausen (2011), “Teaching parkour Sports in School Gymnastics“…
  • Vídeo DVD:Once is Never – Training with Parkour Generations“…


federacao internacional de parkour

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