Domínio Sócio-Afetivo


DSA e DIMENSÃO HUMANA


Despacho n.º 2351/2007: “O desenvolvimento de uma cultura de sucesso escolar pressupõe o estabelecimento de um sistema de avaliação de desempenho capaz de gerar indicadores que permitam verificar, simultaneamente, a qualidade das aprendizagens, a adequação dos programas e a conformidade das práticas letivas e pedagógicas, evidenciando os aspetos a alterar para a obtenção de melhorias significativas nos resultados dos alunos”.A melhoria da qualidade, deve centrar-se sobretudo no indivíduo, na sua dimensão humana.

LBSE – Lei nº 49/2005 de 30 de Agosto

artigo 2º princípios gerais: ponto 4 – O sistema educativo responde às necessidades resultantes da realidade social, contribuindo para o desenvolvimento pleno e harmonioso da personalidade dos indivíduos, incentivando a formação de cidadãos livres, responsáveis, autónomos e solidários e valorizando a dimensão humana do trabalho.

artigo 48.º administração e gestão dos estabelecimentos de educação e ensino: ponto 3 – na administração e gestão dos estabelecimentos de educação e ensino devem prevalecer critérios de natureza pedagógica e científica sobre critérios de natureza administrativa.

artigo 50º, desenvolvimento curricular: ponto 1 – a organização curricular da educação escolar terá em conta a promoção de uma equilibrada harmonia, nos planos horizontal e vertical, entre os níveis de desenvolvimento:

  1. Físico e Motor
  2. Cognitivo
  3. Afetivo
  4. Estético
  5. Social
  6. Moral

Perfil de Aprendizagem Recortado

Todd Rose fala sobre as diferentes dimensões da aprendizagem dos alunos.

O perfil dos aprendizes varia em muitas dimensões da aprendizagem (multi-inteligências). Cada aprendiz possui um “perfil de aprendizagem recortado”, manifestando pontos fortes, médios e fracos.

Cada aluno tem necessidade de investir de forma diferente, seguindo percursos divergentes, auto-regulados, em função dos seus pontos fracos. Temos que basear a educação na ciência do indivíduo em vez do “Mito do aluno médio“.

  • L. Todd Rose et al. (2013). The Science of the Individual: PDF
  • Benjamin S. Bloom (1984); “The 2 Sigma Problem: The Search for methods of Group Instruction as Effective as One-to-One Tutoring”; Educational researcher; Vol. 13; Nº 6; jun-jul 1984; pp. 4-16: PDF

 

Education-cartoonO modelo SCARF fundamenta-se nas neuro-ciências as quais sublinham que o princípio organizador do cérebro se ajusta em função de uma resposta de aproximação ou afastamento.

O modelo envolve cinco domínios da experiência social humana que ativam estes dois mecanismos de resposta comportamental de afastamento ou aproximação: estatuto, segurança, autonomia, pertença (filiação), justiça (equidade). Tal como afirma Benjamin S. Bloom, os professores normalmente não se apercebem do facto de estarem a proporcionar condições de aprendizagem e avaliação mais favoráveis  a alguns estudantes do que a outros. Normalmente, quando recorrem ao método tradicional, de ensinar a muitos como se fossem um só, fazem-no com a impressão de que todos os alunos na classe têm as mesmas oportunidades para aprender. O cartoon mostra claramente que esta abordagem ativa em muitos alunos uma resposta de afastamento, porque se sentem ameaçados no seu estatuto, segurança e justiça.

preconceito da média


Podemos também falar de diferentes dimensões da aprendizagem do domínio sócio-afetivo.

LEGENDA: LBSE: lei de bases do Sistema Educativo. | DEF: Departamento de Educação Física. | PEF-ES: Programa de Educação Física do Ensino Secundário. | 1. AFD: atividades físicas e desportivas | 2. ARE: Atividades Rítmicas e Expressivas | 3. JTP: Jogos Tradicionais e Populares | 4. AEN: Atividades e Exploração da Natureza | 5. AFW: Atividades Fitness & Wellness | A – DCM: Desenvolvimento das Capacidades Motoras Condicionais e Coordenativas. | B – DCF: Aprendizagem dos Processos de Desenvolvimento e Manutenção da Condição Física. | C – PFS (Participação nos Fenómenos Sociais) Aprendizagem dos Conhecimentos Relativos à Interpretação e Participação nas Estruturas e Fenómenos Sociais, Extra-Escolares, no Seio dos Quais se Realizam as Atividades Físicas (Metodologia de Trabalho de Projeto e Trabalho de Grupo; Resolução de Problemas Colocados pelo Professor).

LBSE. artigo 51º ocupação dos tempos livres e desporto escolar: ponto 5 – O desporto escolar visa especificamente a promoção da saúde e condição física, a aquisição de hábitos e condutas motoras e o entendimento do desporto como fator de cultura, estimulando sentimentos de solidariedade, cooperação, autonomia e criatividade, devendo ser fomentada a sua gestão pelos estudantes praticantes, salvaguardando-se a orientação por profissionais qualificados.


Exemplo de alguns parâmetros a trabalhar no DSA:

estudante-medio DSA2

Um professor (escola) apenas tem legitimidade para avaliar as competências que ajudou a desenvolver e a consolidar nos alunos.

  • Será que os professores podem avaliar as “Atitudes e Valores” quando não implementam um currículo de literacia emocional, social e moral?
  • Que metodologias operacionalizam para ajudar os alunos a reconhecer e a gerir emoções, a lidar com conflitos e a resolve-los, a investir na consolidação do trabalho de equipa e a desenvolver a sua autonomia e criatividade?
  • O que se faz na escola em geral e numa aula de Educação Física em particular, que facilite o desenvolvimento pessoal e social dos alunos?
  • Qual é o nível de maturidade emocional do professor?

DSA – Indisciplina, Rótulos e Estratégias Punitivas

A – Indisciplina:

A indisciplina é um conceito que integra todos os comportamentos que perturbam o trabalho que o professor pretende realizar, Jesus (1998) cit. Luísa Fernandes (2008) “Os medos dos professores e só deles?”.

Será a indisciplina um problema ou apenas um sintoma?

  • Que argumentos tem o professor, além da utilização de estratégias punitivas, para lidar com a indisciplina dos alunos?
  • Qual é a causa(s) da indisciplina?
  • Como abordar a indisciplina numa perspetiva construtiva e positiva?
  • Será a indisciplina um problema do indivíduo ou do grupo social?

B – Rótulos:

As interações pessoais no contexto de um grupo/turma implicam um constante processo de auto-regulação: respeito pelos limites de ação, adoção de atitudes adequadas a uma sã convivência e adequação às normas de funcionamento de uma aula. Porém, muitos alunos sentem dificuldade em conviver de forma saudável, consigo próprios, com os outros, com as regras e com os valores, manifestando sintomas de indisciplina!… Que soluções temos, para além da atribuição de rótulos e das  ações punitivas (Chamadas de atenção, admoestação, exclusão do jogo ou da sala de aula, participação de ocorrência e disciplinar, penalização na avaliação do DSA).

C – Estratégias Punitivas:

Quando o professor recorre apenas e exclusivamente a estas estratégias punitivas para extinguir os episódios pontuais e recorrentes de indisciplina, pode estar a funcionar como modelo agressivo (assédio moral). Para além deste aspeto, pode ser necessário aumentar a frequência e a intensidade destas estratégias para continuarem a ter efeito sobre o comportamento dos alunos uma vez que estas opções acabam por ser banalizadas.

As estratégias punitivas visam fundamentalmente invocar nos alunos sentimentos de culpa e vergonha (pantano da alma), através da atribuição de rótulos. Pressupõe-se que a punição das falhas  de caráter (assédio moral), torne as pessoas melhores.

  • A vergonha é um foco no Eu: (Crença: Eu sou um erro, eu sou mau, não presto). A vergonha está altamente correlacionada com a dependência, depressão, violência, agressão, bullying, suicídio, distúrbios alimentares. Atribuir um rótulo a um aluno indisciplinado, mesmo que seja legítimo, apenas reforça os mecanismos defensivos e contamina ainda mais a sua auto-estima.
  • A culpa é um foco no comportamento: (Eu cometi um erro) A culpa é “Eu fiz algo mau!”. Atribuir um rótulo negativo a um aluno, mesmo que seja justificado e legítimo ativa/reforça os mecanismos de defesa e desencadeia respostas defensivas tais como a argumentação, desculpabilização, vitimização ou mesmo a agressividade verbal.

Dor Física e Dor Social produzem respostas idênticas: quando recorremos a estratégias punitivas tais como a “exclusão social” (ex: expulsão do jogo ou da sala de aula), invocamos sentimentos como a culpa e/ou vergonha, e consequentemente reforçamos os mecanismos defensivos (luta e/ou fuga).

Naomi I. Eisenberger, Matthew D. Lieberman, Kipling D. Williams (2003) realizaram uma investigação sobre a Exclusão Social, recorrendo a imagens de ressonância magnética do cérebro, para determinar se “magoa as pessoas”. (…) Este estudo de neuroimagem examinou os correlatos neuronais relativos à exclusão social, procurando-se determinar se a hipótese  das bases neuronais da dor social são semelhantes às da dor física (…).

  • Naomi I. Eisenberger, Mattew D. Lieberman, Kipling D. William (2003); “Does Rejection Hurt? An fMRI Study of Social Exclusion”; Science; Vol. 302, 10 october 2003; pp. 290-292. PDF

MODELO SCARF:

  • David Rock (2008); “SCARF: a brain-based model for collaboration with and influencing others”; NeuroLeadership Journal, Issue 1; pp. 1-9. PDF

  • David Rock (2009); “managing with the brain in Mind”; Oxford leadership Journal; december 2009; Vol. 1; Issue 1; pp. 1-10. PDF
  • David Rock (2012); “ SCARF: in 2012: updating the social neuroscience of collaborating with others”; Neuroleadership ournal; Issue 4; pp. 1-14. PDF

AVALIAÇÃO do DSA


A – Desenvolver a Personalidade:

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A LBSE enfatiza a necessidade de se desenvolver a personalidade de forma harmoniosa (Formar o caráter):

  • bem estar e felicidade2Quando falamos de personalidade referimos os traços de personalidade (pensar, sentir e agir)
  • As emoções e os traços de personalidade estão intimamente interligados.
  • Os traços de personalidade podem ser considerados como derivados a partir de uma mistura de emoções. Estados Emocionais (como me sinto agora) e Padrões Emocionais (como me sinto habitualmente).
  • As emoções são sentidas através do corpo como sensações. As emoções consistem em alterações orgânicas no corpo, musculares e viscerais.
  • A consciência corporal (Anatomia Emocional), permite identificar a relação entre emoções, sensações e alterações corporais.

B – Critérios de Avaliação do DSA

O programa de educação física refere que “os programas não se estruturam segundo o fracionamento de domínios/áreas da personalidade, dividindo, por exemplo, os objetivos gerais e específicos na tríade:

  1. Domínio Motor
    • Condutas Motoras Não Desportivas (Habilidades Motoras Básicas)
    • Condutas Motoras Desportivas (Habilidades Motoras Compostas e Complexas)
    • Aptidão Física
  2. Domínio Cognitivo
  3. Domínio Sócio-Afetivo.

Os objetivos e conteúdos da Educação Física (matérias nucleares), estão principalmente orientados para o desenvolvimento motor e manifestam uma total vinculação ao modelo desportivo (privilegia os valores de performance e oposição e invasão territorial). 

habilidade-motoras4

Considera-se que a atividade dos alunos e os seus efeitos integram necessariamente esses domínios.

Os alunos são avaliados considerando diferentes ponderações para cada domínio:

  • No caso da EF o domínio motor assume maior importância que o sócio-afetivo e cognitivo.
  • No caso das restantes disciplinas do currículo, é o cognitivo que predomina e o sócio-afetivo é menos cotado e o motor é desprezado. Na verdade, pressupõe-se que o corpo e o movimento estorvam a concentração e a cognição e por isso é visto como inimigo da aprendizagem, crença esta que tem consequências negativas!

  • Mark S. Tremblay et al. (2017). Sedentary Behaviour Research Network…: PDF
  • Yuija Tammelin (2009). Lack of physical activity and excessive sitting: PDF
  • Arto J. Pesola et al. (2016). Heterogeneity of Muscle Activity during Sedentary Behaviour: PDF

Será que a cognição é mais importante que a motricidade e esta mais importante que a afetividade e os valores? Tratam-se de convenções, de construtos mentais, de artifícios que criamos para justificar as nossas crenças.

HIPÓTESE 1: Exemplo de ponderação por domínio | DFM: desenvolvimento Físico Motor. AF: aptidão física. DSAM: desenvolvimento social, afetivo e moral. DC: domínio cognitivo.

HIPÓTESE 2: Ponderação dos vários domínios de avaliação para a disciplina de Educação Física| I.Corp. – Inteligência Corporal; AF – Aptidão Física; I.Em. – Inteligência Emocional; I.So. – Inteligência Social; I.Co. -Inteligência Cognitiva.


SOLUÇÃO


DSA é uma Responsabilidade da Escola


O QUE É UMA ESCOLA POSITIVA?


O investimento do domínio social e afetivo deve ser promovido enquanto estratégia da escola não agrupada ou do agrupamento de escolas. O bem estar do indivíduo é o reflexo da qualidade do ambiente social e relacional promovido na escola. Escolas Felizes criam ambientes saudáveis, acolhedores, positivos e propícios à adoção de atitudes e comportamentos saudáveis. Estamos a falar de uma cultura de escola positiva, FELIZ.

A Educação Positiva desafia o atual paradigma da educação o qual valoriza o sucesso académico acima dos restantes objetivos. Acreditamos que o ADN da educação é uma hélice dupla com filamentos entrelaçados de igual importância.

coracao cerebro 2

  • Académico|Redes de Reconhecimento e Redes Estratégicas: a realização do potencial intelectual através da aprendizagem dos conteúdos do programa. 
  • Carácter e bem-estar|Redes Afetivas: o desenvolvimento do carácter fortalece o bem-estar, o qual é intrinsecamente valioso e contribui para uma variedade positiva de resultados de vida (Competências relacionais – inteligência emocional e social)

Fonte da imagem: Universal Design for Learning: LINK

o que é o IPEN

  • IPEN: Link
  • Margaret L. Kern. et all. 2014. A multidimensional approach to measuring well-being in students: PDF
  • Alejandro Adler and Martin Seligman. Education as Mastering the Art of Living Well: PDF

Martin Seligman introduziu o modelo PERMA dos 5 elementos nucleares da psicologia do bem-estar:

PERMA modelo bem estar

felicidade autentica

psicologia positiva e escola

  • Martin Seligman et all. 2009. Positive Education: PDF

O QUE É UMA ESCOLA FELIZ?


Uma escola feliz privilegia o desenvolvimento das REDES AFETIVAS (Sistema Límbico): os alunos precisam de compreender o porquê da aprendizagem, participar ativamente (Métodos Ativos), na construção do saber através de estilos de ensino centrados no aluno (divergentes), onde sobretudo se privilegia a colaboração, a autonomia (auto-regulação) e a experiência prática.

Os alunos são ensinados a compreender e utilizar os recursos pessoais que lhes permitem refletir sobre as suas ações, exercer um maior controlo sobre os seus próprios processos de aprendizagem, processos cognitivos, metacognitivos e motivacionais e reforçam as suas competências para aprender, e são conducentes à aquisição, organização e transformação da informação e conseguem conferir um significado pessoal ao ato de aprender.

  • Nasser Yasser AL-rawahi (2015); “Journal of Physical Education and sport management self-regulated learning processs utilized by Omani Physical Education candidates in mastering sport skills”; Journal of Physical Education and Sport management; Vol. 6(3); pp. : PDF

  • Sharon Zumbrunn et all. (2011); “Encouraging Self-regulated learning in the Classroom: A review of the Literature”: PDF


INDICADORES DE UMA ESCOLA FELIZ:

escola-feliz

  • Escola Feliz: PDF
  • Escola Feliz & Economia da Felicidade: link
  • escola feliz & Economia Felicidade longo

ESCOLA FELIZ POSITIVA 4



MOTOR


Brincar

brincar stwart Brown

brincae e jogar

declínio do brincar e a patologia

oposto de brincar depressao

Bibliografia:

  • brincar-criancas-1Peter Gray (2013); “Play as preparation for learning and Life”; American Journal of Play; Vol. 5, number 3; pp. 271-292: PDF
  • Peter Gray (2011); “The Decline of Play and the Rise of Psychopathology in Children and Adolescents”; American Journal of Play; Vol. 3, number 4; pp. 443-463: PDF
  • Peter Gray; “Free to Learn – Why Inleaching the Instinct of Play will make our children Happier, More Self-reliant, and better students for life”; baric Books (Resumo): PDF
  • Peter Gray (2011); “Freedom to Learn – The roles of play and curiocity as foundations for learning”; Psychology Today Blog: PDF

  • Self Directed Learning: Link
  • The Alliance for Self Directed Learning: PDF

brincar é um trabalho sério para as crianças


AFETIVO


AUTO-CONSCIÊNCIA


A Linguagem das Emoções:

Robert Plutchik (2005) desenvolveu um mapa de localização angular das emoções baseado em juízos de semelhança e diferença ao qual chamou “circumplex”. Este mapa circular das emoções ajuda a tornar mais claro e objectivo a linguagem ambígua das emoções. É possível combinar estas 3 ideias de intensidade, similaridade e polaridade das emoções através de um modelo geométrico tridimensional que se assemelha a um cone.

  • A dimensão vertical representa a intensidade das emoções.
  • Qualquer círculo de um corte da secção representa as semelhanças das emoções.
  • A bipolaridade das emoções é reflectida através dos pontos opostos no círculo.
Roda_Das_Emocoes de plutchik

PLUTCHIK, Robert et al. (2002); “Emotions and Life – perspectives From Psychology, Biology, and Evolution”; American Psychological Assotiation


Mapa Corporal das Emoções

mapa das emoções

body map emotions

  • Lauri Nummenmaa et al. 2013. Bodily Maps of Emotions. PNAS. january 14, 2014. Vol. 111, nº 2. pp. 645-651: PDF


Anatomia Emocional

Tradicionalmente, os neurocientistas têm associado as emoções com áreas específicas no cérebro, principalmente com o sistema límbico, e está correcto porque o sistema límbico é extremamente rico em peptídeos. No entanto, esta não é a única parte do corpo onde se concentram os receptores de peptídeos. Por exemplo, o intestino está revestido com receptores peptídeos. É por isso que temos “sensações na barriga” e também explica e valida em parte, a massagem terapêutica biodinâmica de Gerda Boyesen 1986), “Entre Psique e soma”, e o seu “psicoperistaltismo” (“digestão emocional”).

Candace Pert (1999) no seu livro “Molecules of Emotion”, quando se questiona sobre o fato das emoções terem origem no cérebro (Walter Cannon) ou no corpo (William James), Candace Pert, baseando-se na teoria dos peptídeos e outros ligandos a nível da bioquímica das emoções, é peremptória em afirmar que “é simultâneo”, “é uma via de duas direcções”. O que ela descobriu foi que a secreção destas substâncias informacionais, ou por outras palavras, a “materialização” destas substâncias informacionais, sucedia em resposta a um sentimento, pensamento, uma intenção, uma emoção ou crença.

Se é verdade que cada péptido é mediador de um determinado estado emocional, isso significaria que todas as perceções sensoriais, todos os pensamentos e, na verdade, todas as funções corporais estão coloridas emocionalmente, pois todas elas envolvem peptídeos.
ANATOMIA EMOCIONAL (2)

Stanley Keleman, Anatomia Emocional.

Os unidade motionProfissionais do Movimento  (Psicomotricidade) estão conscientes que TRAUMAS ACUMULADOS podem causar um gradual desalinhamento nas estruturas internas (Linha de Gravidade) do corpo relativamente à sua vertical (James L.OSCHMAN,  2000. Energy Medicine –The Scientific Basis. Churchill Livingstone). Qualquer alteração local provoca alterações compensações em todo o corpo comprometendo a sua integridade tencional.

Numa perspectiva neurobiológica a musculatura estriada constitui uma sede de espasmos permanentes que provocam uma ARMADURA MUSCULAR. Esta, reflecte uma EVOLUÇÃO HISTÓRICA porque todas as trocas com o meio passam pela musculatura estriada de relação e é por ela que o ser humano estrutura a sua corticalidade.

TODO O CONFLITO SUSCITA UMA REACÇÃO MUSCULAR DE DEFESA. Há uma relação de equivalência entre uma tensão nervosa e uma tensão muscular, Victor  da FONSECA (1989), citando Wilhem Reich.


Consciência corporal é um termo que significa tomar consciência do corpo, reconhecer e identificar os processos e movimentos corporais, internos e externos. A comunicação com o mundo externo realiza-se através dos cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato), que recebem estímulos aos quais atribuímos uma coloração emocional. Estas perceções criam estados fisiológicos internos que possuem uma linguagem própria da anatomia emocional. Para a compreender é preciso aprender a comunicar com o mundo interno através da linguagem dos processadores emocionais

anatomia emocional1

Stanley Keleman “Anatomia Emocional


Mindfullness

estados hipometabolicos

metabolismo

  • Saber mais sobre “estados hipometabólicos”: link

Bibliografia:

  • Association for Mindfullness in Education: link
  • Mindfull Schools: link
  • John Meiklejohn et all. 2012. Integrating Mindfulness Training into K-12 Education: Fostering the Resilience of Teachers and Students: PDF
  • Programa de Meditação Quiet Time: PDF
  • David W. Orme-Johnson. 2013. Effects of the Transcendental Meditation Technique on Trait Anxiety: PDF
  • Britta K. Hözel et all (2010); “Mindfulness practice leads to increases in regional brain gray matter density”; Psychiatry research: Neuroimaging; PDF

  • Sara W. Lazar et all (2000); “Functional brain mapping of the relaxation response and meditation”; Neuroreport; Vol. 11; nº 7; 15 may 2000; pp. 1581-1585: PDF
  • Sara W. Lazar et all. (2005); “Meditation experience is associated with increased cortical thickness”; Vol. 16; nº 17; 28 november 2005; pp. 1893-1897: PDF
  • Michael Baime (2011); “This is your brain on mindfulness”; Shambala Sun, july 2011; pp. 45-50: PDF
  • Katherine Kerr; “Don’t believe the hype”: PDF


Relaxamento Muscular Progressivo:

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Relaxamento muscular progressivo é uma técnica de relaxamento criada pelo médico e fisiólogo americano Edmund Jacobson, um médico Americano de medicina interna, psicólogo e assistente em fisiologia. Em 1921, introduziu os princípios psicológicos para a prática médica que mais tarde foram chamados de medicina psicossomática. Jacobson foi capaz de provar a ligação entre a tensão muscular excessiva e diferentes distúrbios do corpo e psique. Descobriu que a tensão e esforço eram sempre acompanhados por um encurtamento das fibras musculares e que a diminuição do tónus muscular inibe a actividade do sistema nervoso central. O relaxamento contraria estes estados de excitação e quando bem adaptada, funciona de forma profilaxia prevenindo os distúrbios psicossomáticos.

Relaxamento Muscular Progressivo

deve relaxar

BIBLIOGRAFIA:

  • Edmund Jacobson (1977); “You Must Relax”; London UNWIN PAPERBACKS: PDF


relaxacao muscular 1


  • L. Ranjita, Sarada N. (2014); “Progressive Muscle relaxation therapy in Anxiety: A Neurophysiological Study”; Journal of Dental Medical Sciences; Vol. 13; Isue 2; Ver. 1 (Feb. 2014); pp. 25-28: PDF
  • Liza Varvogli, Christina Darviri (2011); “Stress management Techniques: evidence-based procedures that reduces stress and promote health”; Health Science Journal; Vol. 5; Issue 2: pp. 74-89: PDF
  • Docs. PDF1 | PDF2

desordens tensão


Expressão Facial e Emoções:

Laboratório de Expressão Facial da Universidade Fernando Pessoa – Professor Freitas-Magalhães. Descodificar as emoções que passam pelo rosto humano é uma mais-valia para o ato de comunicar. As emoções básicas são iguais em todas as partes do mundo; a forma de as exibir é que varia consoante o lugar. Os estímulos visuais exercem mais influência na perceção emocional do que os estímulos   auditivos e há diferenças de género e idade na reatividade emocional. Uma forma de reconhecer as emoções nos outros depende da capacidade de ler e interpretar as expressões faciais.

crianças e emoções


GERIR SENTIMENTOS


Medidor da Disposição e Regulação Emocional:

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INFOGRAFICO emocoes melhoram a performance2

Professor como Modelo:

O Professor é um Modelo para os alunos e por isso precisa trabalhar a sua Maturidade Emocional. O professor é o continente das angústias dos seus alunos, devido ao vínculo emocional que estabelece com eles. O aluno conta, assim, com um objeto externo a si mesmo para derramar as suas angústias. Se o professor tiver certas capacidades emocionais (Inteligência Emocional | Desenvolvimento Pessoal), poderá metabolizá-las, devolvendo-as de maneira menos angustiante e, portanto, mais assimiláveis para o seu aluno. Quando o Professor (adulto) compreende a linguagem das emoções (Literacia Emocional), consegue não só ter um efeito amortecedor como também ajudar o aluno, através destas ferramentas, a consciencializar as suas emoções, a regulá-las e a modelar as suas atitudes e comportamentos. É importante que o professor conheça as emoções que são projetadas nele e, para aprender a suportá-las, precisa de conhecer as suas e de estar nutrido de muito amor. Esta ideia vem deste modo reforçar a importância do professor se conhecer enquanto pessoa que é, equilibrando-se na qualidade e quantidade de amor que tem de si próprio.


RULER e

R – Reconhecer as suas emoções e dos outros.
U – Compreender as causas e consequências das Emoções.
L – Rotular as emoções corretamente.
E – Exprimir as emoções adequadamente.
R – Regular as emoções de forma eficiente.

RULER int emocional2


BIBLIOGRAFIA:

  • Página internet – Yale Center for Emotional Intelligence: link
  • Marc A. Brackett and Susan E. Rivers 2006. Relating Emotional Abilities to Social Functioning: PDF
  • Marc A. Brackett and Nicole A. Kalutak. Emotional Intelligence in the Classroom: PDF
  • Mood Meter. How Technology Can Boost Emotional Intelligence: PDF
  • Carolin Hagelskamp, et all. 2013. Improving Classroom Quality with the RULER Approach…: PDF
  • Patricia A. Jennings et all. 2009. The Prosocial Classroom: Teacher Social and Emotional Competence…: PDF
  • Marc A. Brackett et all. 2012. Enhancing academic performance and social emotional competence with the RULER: PDF
  • Maria R. Reyes et all. 2012. Classroom Emotional Climate, Student Engagement, and Academic Achievement: PDF
  • Javier Hernandez et all. 2012. Mood Meter: Counting Smiles in the wild. PDF
  • Maizatul Akmal M. Nohzan et all. 2013. The influence of Emotional Intelligence on Academic Achievement: PDF

 MOTIVAÇÃO


Ciência do Coração

A investigação em cardioneuroimunologia mostra que o coração humano é muito mais do que uma bomba eficiente que sustenta a vida.

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  • Rollin McCraty (2001). Science of the heart – Exploring the Role of the heart in Human Performance. Heartmath Research Centre. PDF


SOCIAL


COMPETÊNCIAS SOCIAIS


A – Teste Sociométrico e Consciência Social

A matriz sociométrica ou folha sumário construída previamente ao sociograma em círculo, permite-nos determinar o índice sociométrico de cada criança, ou seja, o número de vezes que essa criança foi escolhida pelos seus pares em cada um dos 3 critérios das escolhas feitas e recebidas. O gráfico mostra o número de crianças que escolhem cada criança, o número de escolhas feitas por cada criança; o número de crianças diferentes que cada criança escolha; as escolhas recíprocas. Esta análise permite conhecer a intensidade das escolhas feitas, os grupos e grupinhos fechados ou a indiferença sociométrica, Mary L. Northway & Lindsay Weld (1999), “Testes Sociométricos”. Com base nesta análise podemos trabalhar as relações inter-pessoais, a reconstruir as ligações entre os alunos. O uso inteligente das preferências reais das crianças na organização das turmas, ajudar-nos-á a criar um bom clima dentro da aula e na sua vida social. Diz-nos quais são os maiores amigos de cada criança, mas não nos diz qual o grau de profundidade do sentimento que uma criança tem por outra, embora dê uma indicação.


B – Construção de Equipas (Team Building)

A construção de equipes é um termo utilizado para caracterizar vários tipos de atividades cujo objetivo é  melhorar as relações sociais e definir papéis nas equipes, muitas vezes envolvendo tarefas colaborativas (Jogos Cooperativos).

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O Team Building inclui atividades que ajudam uma equipa a:

  • Operacionalizar esforços em torno de metas e objetivos.
  • Estabelecer e consolidar relações de trabalho efetivas.
  • Reduzir a ambiguidade do papel dos membros da equipe.
  • Encontrar soluções para os problemas da equipa (Gestão de Conflitos).

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A solução de problemas da equipa depende de situações mutuamente inclusivas, ou seja, para que um indivíduo possa alcançar os seus objetivos, todos os restantes  elementos deverão igualmente alcançar os seus respetivos objetivos. Uma atitude é cooperativa quando “o que A faz é, simultaneamente, benéfico para ele e para B, e o que B faz é, simultaneamente, benéfico para ambos. Cooperação é um processo onde os objetivos são comuns e as ações são benéficas para todos.

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O desporto é uma situação mutuamente exclusiva porque para que um dos membros alcance os seus objetivos, os outros serão incapazes de atingir os seus. Existe uma atitude competitiva, quando o que A faz, é no seu próprio benefício, mas em detrimento de B, e quando B faz em benefício próprio mas em detrimento de A.


MORAL


EMPATIA


Escolas amigas da OXITOCINA:

desenvolvimento moral

https://joaomfjorge.files.wordpress.com/2015/03/molecula-moral.png?w=234&h=253A confiança permeia quase todos os aspetos das nossas vidas diárias, desde as relações inter-pessoais estando na base do desenvolvimento com sucesso das economias (Zak e Knack, 2001). A confiança ocorre quando uma pessoa permite ao outro tomar decisões que afetam o seu bem-estar. A oxitocina está envolvida na confiança entre seres humanos. Uma educação positiva (democrática), cria ambientes de aprendizagem que estimulam a produção da oxitocina e os alunos aprendem com entusiasmo.

Paul Zak enumera alguns dos fatores que inibem os mecanismos de libertação da oxitocina. Este sistema precisa de bastante afeto para que se desenvolva adequadamente:

  • Cuidados afetivos inadequados (Crianças desnutridas afetivamente durante as fases sensíveis do seu desenvolvimento).
  • Elevados níveis de stress inibem o mecanismo da oxitocina.
  • A ação da testosterona inibe a produção da oxitocina.
  • etc…

Bibliografia:

  • Paul J. Zak, Angela A. Stanton, Sheila Ahmadi,Oxytocin Increases Generosity in Humans“, PDF.
  • Paul J. Zak et al. (2005), “Oxytocin is associated with human Trustworthiness“; Science Direct. PDF.
  • Michael Kosfeld et. al (2005), “Oxytocin increases trust in humans”; Vol. 435, June 2005; 10.1038 nature03701: PDF

Move_te_Por_Valores

  • Juliana C. B. de Carvalho, Sandra F. C. de Almeida (2011); “Desenvolvimento moral no ensino médio: Concepções de professores e autonomia dos alunos“; PDF.


Será que o tempo passado na escola é um “Tempo de Qualidade?“.

  • Projeto “Escola sem Stress”: PDF
  1. Queremos crianças que encontrem o sentido para as suas vidas!…
  2. Queremos crianças felizes!…
  3. Queremos escolas com alma!…
  4. Queremos um Clima Saudável nas Escolas:
    • Intensidade alta da energia: Interesse, dinamismo, desenvoltura e sinceridade.
    • Qualidade Positiva da Energia: satisfação, entusiasmo, alegria.

energia-organizacionalO resultado do investimento em Literacia Emocional na aula de EF traduzir-se-á num desempenho na zona produtiva e o sucesso escolar acontece.

A Fábula dos Dois Lobos (Cherokee)

Certo dia, um jovem índio cherokee aproximou-se do seu avô para pedir um conselho. Momentos antes, um de seus amigos havia cometido uma injustiça contra o jovem e, tomado pela raiva, o índio resolveu aconselhar-se junto daquele ancião.

  • ANCIÃO: O velho índio olhou fundo nos olhos de seu neto e disse: “Eu também, meu neto, às vezes, sinto grande ódio para com aqueles que cometem injustiças sem sentir qualquer arrependimento pelo que fizeram. Mas o ódio corrói quem o sente, e nunca fere o inimigo. É como tomar veneno, desejando que o inimigo morra.”
  • JOVEM: O jovem continuou olhando, surpreso, e o avô continuou:
  • ANCIÃO: Várias vezes lutei contra esses sentimentos. É como se existissem dois lobos dentro de mim.
    • lobo bomUm deles é bom e não faz mal. Ele vive em harmonia com todos ao seu redor e não se ofende. Ele só luta quando é preciso fazê-lo, e de maneira correta.
    • Mas o outro lobo… este, está cheio de raiva. Ao menor sinal de contrariedade desencadeia-se nele um terrível acesso de raiva. lobo mauEle briga constantemente com todos, sem nenhum motivo aparente. A sua raiva e ódio são muito grandes e por isso ele não mede as consequências dos seus atos. É uma raiva inútil, pois não irá mudar nada.
  • ANCIÃO: Às vezes, é difícil conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar o meu espírito.
  • JOVEM: O garoto olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou: “E qual deles vence?
  • ANCIÃO: Ao que o avô sorriu e respondeu baixinho: “Aquele que eu alimento.

circumplex personalidade 4 lobo


Embora as escolas tenham sido alvo de uma requalificação física para fazer frente à deterioração das instalações e equipamentos, esquecemo-nos de requalificar a dimensão humana das escolas.

As escolas não são os edifícios são as pessoas!…

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