Brincar, Jogar, Sociabilizar e Aprender em Educação Física


BRINCAR?…


Quando eu era criança, estamos a falar na década de 70 e 80 (nasci em 1967), eu e os meus amigos tínhamos duas educações. Por um lado frequentávamos a escola (que não ocupava o tempo dos dias de hoje), e também tínhamos aquilo que Peter Gray designa por educação do caçador-recoletor. Brincava com grupos da vizinhança, constituídos por miúdos de idades diferentes, durante a tarde até quase anoitecer. Brincávamos todo o fim de semana e nas férias do verão. Havia tempo para explorar nas mais variadas formas, para nos aborrecermos e encontrar soluções para sairmos desse aborrecimento, tempo para nos metermos em alhadas e encontrar soluções para as resolver, para sonhar acordados, para nos envolvermos em passatempos, para ler banda desenhada, para explorar a natureza, jogar à bola, aos cowboys e índios, etc… Aquilo que aprendi nesta educação de caçador-recoletor foi muito valioso na minha vida adulta a par daquilo que aprendi na escola. Acredito que outros da minha idade estarão de acordo se investirmos algum tempo a pensar no assunto.

Porém, desde essa altura que se tem vindo a reduzir gradualmente a oportunidade das crianças para brincar. Howard Chudacoff (2007), no seu livro “Children at Play: An American History” refere-se à primeira metade do século 20 como a idade de ouro da brincadeira livre das crianças. Em Portugal, essa idade de ouro começou mais tarde porque o chamado “progresso” chegou mais tarde. Nessa altura, devido à pobreza, as crianças tinham que ajudar a família desde muito cedo.

Para podermos ter uma imagem como era a realidade na década de 60, adiciono o seguinte vídeo. Esta era a minha realidade. Foi na década de 60 que se iniciou um projeto de desenvolvimento económico e comunitário da Benedita (Concelho de Alcobaça) cujo reflexo podemos constatar no presente (PDF).

Pergunta:

O tempo para brincar e  frequentar a escola eram (década de 60 e 70), muito mais equilibrados e permitiram às crianças desenvolver-se de forma mais saudável. Na década de 70 e 80, eu apenas frequentava a escola de manhã e tinha a tarde livre. Se isso fosse uma limitação, então não teria conseguido licenciar-me, frequentar o mestrado, seguir uma carreira como Professor de EF, criar um negócio no ramo do fitness (Ginásio), desenvolver alguma investigação crítica e divergente, construir uma casa, etc… Ou seja, parece que o desenvolvimento intelectual, o sucesso profissional e pessoal, não dependem de um excesso de horas na escola, tal como hoje se defende. Depende sim da quantidade e qualidade de horas adequadas para a idade, para se ser criança, jovem e adulto.

foto escola primária

Escola Primária: Entre 1973 (1ª classe) e 1976 (4ª classe)

Aliás, foram as pessoas dessas décadas (40 e 60), com a 4º classe ou um pouco mais de escolarização, que contribuíram para o atual desenvolvimento da Benedita a nível da indústria, exportação, agropecuária, calçado, pedra, comércio, educação, etc… Estas pessoas aprenderam e desenvolveram a maioria das suas competências na “Universidade da Vida“.

Como afirma Diamantino Bártolo, “Com a vida se aprende, com a vida se luta, com a vida se vence“.

livro cabecalho

A maioria das nossas competências de vida não se aprendem na escola, mas através dos desafios da vida. Então porque motivo “prendemos” as crianças tanto tempo na escola quando nem sequer as ajudamos a aprender a ser e a relacionar-se com os outros?!… (3º e 4º pilares da educação da UNESCO). As competências de Inteligência Emocional e Inteligência Social não são valorizadas e trabalhadas na escola e segundo Daniel Goleman determinam 80% do nosso sucesso na vida. Não só a escola duplicou o seu tempo de “encarceramento” como reduziu as probabilidades de sucesso na vida ao hipotecar o tempo para brincar (sociabilizar e explorar), demitindo-se da responsabilidade de formar mais do que uma inteligência, a cognitiva?!… A Educação Física tem um papel muito importante no desenvolvimento destas multinteligências, basta assumi-lo.

multinteligencias-educacao-fisica

multinteligencias-e-educacao-fisica


SUBSTITUIÇÃO DO TEMPO PARA BRINCAR PELO DESPORTO


judo joao manuel jorge

A partir de certa altura, com o desenvolvimento do desporto em Portugal, os tempos livres das crianças foram sendo colonizados pela prática desportiva mais formal, orientada pelos adultos. No meu caso, quando tinha 10 anos de idade (1977) iniciei a prática do judo que me ajudou muito no desenvolvimento das capacidades motoras condicionais e coordenativas.Nunca apreciei a competição no Judo e evitava-a sempre que possível.

Mais tarde iniciei a prática do futebol no escalão Juvenil (federado) no clube da localidade de residência (Benedita). Durante algum tempo, pratiquei ambos os desportos e, além disso, também apreciava a prática do cilismo. Nesta fase do desenvolvimento desportivo, o “peso” da “competição” não se fazia sentir com tanta intensidade. Porém, a maioria dos clubes, associações e agremiações desportivas canalizava os jovens para a prática competitiva.

JUVENIS ABCD

CARTÃO ASSOCIACAO FUTEBOL LEIRIA JOAO JORGEParticipava com frequência em torneios de verão na equipa da ICEL (Industria de Cutelarias), e servia para me recrear e divertir, uma vez que o gosto pela atividade física sempre foi algo inato em mim. O desporto introduziu, de forma mais marcante, os valores competitivos na nossa cultura e organização social.

joao futebol jovem ICEL 1

Equipa de futebol da ICEL – Torneio da Primavera (Campo de Futebol do ABCD – Benedita)


SUBSTITUIÇÃO DO TEMPO DE BRINCAR E FAZER DESPORTO POR TEMPO SENTADO NA ESCOLA


  • Mark S. Tremblay et al. (2017). Sedentary Behaviour Research Network…: PDF
  • Yuija Tammelin (2009). Lack of physical activity and excessive sitting: PDF
  • Arto J. Pesola et al. (2016). Heterogeneity of Muscle Activity during Sedentary Behaviour: PDF


niveis-de-transformacao

1 – sedentarismo – passividade muscular. 2 – aumento da mobilidade e interações dinâmicas. 3 – escola sem salas de aula, sem carteiras. Os espaços de aprendizagem são a própria comunidade (fora da escola). Corpo em movimento.

As salas de aulas do futuro contrariam a tradicional passividade dos estudantes que permanecem sentados nas suas carteiras horas e horas. Nas comunidades de aprendizagem, não só o processo educativo se afasta da tradicional Pedagogia Predial, como considera todos os espaços da comunidade com potencial para aprendizagem. Os processos de aprendizagem, neste modelo, exigem a participação ativa do corpo em movimento.



sedentarismo

modelo conceptual sedentarismo

Ilustração do modelo conceptual final da terminologia baseada no movimento organizada segundo um período de 24 horas. A figura organiza os movimentos que acontecem durante o dia em 2 componentes. Os anéis interiores representam as principais categorias de comportamento segundo o seu dispêndio de energia. Os anéis exteriores fornecem as categorias gerais que utilizam sobretudo as posturas.


Por que obrigamos os alunos a se sentarem na sala de aula? Será que a imobilidade é sinónimo de maior retenção e aprendizagem?!… Ou pelo contrário, o movimento facilita a aprendizagem?!…

Algumas sugestões para aumentar a atividade física das crianças:

  • Active Living Research (Building evidence to prevent Childhood obesity…) PDF: Será que pequenas pausas na aula para realizar períodos curtos de atividade física resultam?
  • Aron P. Sherry et al. (2015), estudam os “efeitos das mesas altas (alunos de pé) dentro da sala de aula” com o intuito de reduzir o tempo sentado das crianças: PDF
secretarias escola de pe

Aumenta a mobilidade e o movimento em sala de aula.

  • Ambientes de aprendizagem flexíveis e ativos: As salas de aula do futuro propõem a solução do mobiliário dinâmico “Node Chair” que promovem uma aprendizagem ativa facilitando ao professor adotar várias disposições em função do modelo de interação pedagógica pretendida. No entanto os alunos permanecem sentados.

    • Peter Barret et al. (2005). The impact of classroom design on pupils’ learning: final results of a holistic, multilevel analysis: PDF
    • Steelcase inc. Node: Active Learning – Northview High School: PDF
    • Steelcase. How Classroom Design Affects Student Engagement: PDF
    • Martela. Inspiring Schools: PDF

  • Ambientes de aprendizagem dinâmicos e ativos: As comunidades de aprendizagem flexibilizam não só os espaços educativos (qualquer espaço), como o processo de pesquisa exige que o aluno se desloque e procure a sua forma de estar individual ou em grupo:

    • L. Todd Rose et al. (2013). The Science of the Individual: PDF
O Programa de Escolas em Movimento Finlandês, tem como objetivo aumentar a atividade física e diminuir do tempo de sedentarismo (sentar em sala de aula), entre crianças em idade escolar. Finnish Schools on the Move é um programa nacional com o objetivo de estabelecer uma cultura fisicamente ativa nas escolas finlandesas. O programa é financiado pelo Ministério da Educação e Cultura e é organizado pelo Conselho de Educação, agências administrativas regionais do estado e várias outras organizações, e faz parte de um programa governamental.

OBJETIVO: AUMENTAR O MOVIMENTO,  A DINÂMICA, A FLEXIBILIDADE… AUMENTAR A APRENDIZAGEM… COMO?!…


active education

  1. A participação regular em atividade física promove benefícios na performance académica.
  2. Uma única aula de atividade física pode aumentar a atenção e a memória.
  3. Os efeitos da atividade física na saúde cerebral podem explicar a melhoria na performance académica.
  4. Tracey J. Shors et al. (2014). Mental and Physical Training and neurogenesis: PDF
  5. Adam G. Thomas et al. (2012). The effects of aerobic activity on brain structure: PDF
  6. Active Education: Growing Evidence on Physical Activity and Academic Performance: PDF

Atribuição atencional composta de 20 estudantes que fazem o mesmo teste: estas 2 imagens cerebrais, tiradas do topo da cabeça, representam a quantidade de atividade neuronal média de estudantes durante um teste depois de estarem sentados e depois de uma caminhada de 20 minutos. A cor azul representa uma atividade neuronal baixa enquanto a cor vermelha denota uma atividade cerebral numa dada região.


NEUROSE (des)EDUCATIVA


O tempo para brincar foi sendo cada vez mais reduzido e as crianças foram perdendo gradualmente a sua liberdade. Os medos dos pais relativamente a uma sociedade cada vez mais insegura fez com que estes proibissem os seus filhos de sair livremente para brincar, sem supervisão dos adultos. Os tempos livres foram ocupados em ATLs e os trabalhos de casa passaram a ser realizados em centros de estudos. O tempo de escola ocupa agora o dia da criança, o serão e por vezes os fins de semana. O tempo que resta é investido na prática desportiva, na música, dança e outras atividades formais.

De facto, foi o XVII Governo Constitucional de Portugal presidido pelo Primeiro-Ministro José Sócrates, que introduziu a “Escola a Tempo Inteiro” com o apoio das Associações de Pais. Segundo a maioria dos professores do 1º ciclo, este alargamento da escola a tempo inteiro veio criar mais perturbações no funcionamento deste ciclo, com especial incidência para o brutal aumento da carga horária em que os alunos têm de permanecer na escola e que retirou tempo para as crianças crescerem enquanto crianças. Peter Gray refere que este declínio do tempo para brincar está correlacionado com o aumento das desordens mentais das crianças, ansiedade e depressão. Ao mesmo tempo que a taxa de suicídios entre os jovens de 15 a 24 anos duplicou, tendo quadruplicado nas idades abaixo dos 15 anos. A diminuição do tempo para brincar também está associada à diminuição da empatia e o aumento do narcisismo.

  • Empatia: é a habilidade e a tendência para se ver a partir do ponto de vista e experiência da outra pessoa.
  • Narcisismo: refere-se a uma auto-estima inflada, associada a uma falta de preocupação pelos outros e dificuldade em se ligar emocionalmente.

declínio do brincar e a patologia


atividade física ou brincar

  • Carly Wood and Katie Hall (2015). Physical Education or Playtime: which is more effective at promoting physical activity in primary school children?: PDF

As crianças não podem aprender estas competências e valores sociais na escola porque esta é uma organização autoritária e não democrática (não privilegia a educação dialógica). As escolas adotaram a competição em vez da cooperação e as crianças não são livres para desistir quando os outros desrespeitam as suas necessidades e desejos. No seu livro “Free to Learn” (2013), Peter Gray apresenta dados que mostram o aumento das desordens mentais nas crianças como consequência da diminuição da liberdade das crianças. Se amamos as nossa crianças e queremos que elas prosperem, devemos permitir-lhes mais tempo e oportunidades para brincarem. Porém, os políticos e poderosos filantropos estão sistematicamente a empurrar-nos na direção oposta e nós estamos a ser permissivos e coniventes com esta incongruência. O argumento dos políticos, para que as crianças passem mais tempo na escola advém do pressuposto que elas precisam de mais tempo na escola para se prepararem para o mundo competitivo de hoje e de amanhã.

Consequência:

  • Queremos “adultizar” as crianças precocemente roubando-lhes a infância.
  • A escola ocupa todo o dia das crianças roubando-lhes tempo para brincar livremente.
  • A escola impõe programas extensos e densos, sobrecarregando as crianças promovendo o stress e a incapacidade de assimilação dos conteúdos.

Secretário de Estado defende “dieta” para acabar com “obesidade curricular. João Costa afirma, ainda que Portugal seja “dos países onde os alunos passam mais horas por semana na escola”, o conhecimento não se consolida e “nalguns temas, os alunos não estão a aprender bem”, por falta de tempo… Se há um problema de obesidade curricular, se o currículo está gordo, então é preciso fazer dieta”, destacou o secretário de Estado da Educação durante o XLI Encontro Nacional das Associações de Pais que decorreu na Trofa.

  • Questão: como é que os alunos passam tanto tempo na escola e não têm tempo para aprender?!…
  • A escola coloniza o espaço familiar com horas extraordinárias (Trabalhos de casa), que muitas vezes são fonte de conflito entre pais e filhos porque os últimos querem brincar (depois de um dia cansativo), e os primeiros obrigam-nos a cumprir os deveres.
  • Este ano letivo, o meu filho mais velho, que tem 10 anos de idade, “teve” que ser colocado em explicações para superar algumas dificuldades. Isto é impensável em crianças desta idade considerando a sobrecarga escolar + trabalho de casa + estudo + explicações!

Pergunta-se:

  • Será que os estudantes precisam de mais tempo para aprender ou para brincar?
  • Será que a Educação Física está a respeitar esta necessidade básica das crianças ou também as sobrecarrega com atividades motoras as quais não lhes permite a liberdade de expressão, de movimento e exploração social entre pares sem supervisão de adultos?
  • Será que a educação ainda tem espaço para a pedagogia ou tornou-se num local doentio e neurótico?

Na minha opinião, as crianças destas idades precisam, não de Educação Física formal, mas de espaços de aventura sem supervisão dos adultos (educação caçadora-recoletora). Precisam sim de liberdade e não de constrangimentos motores impostos pela cultura motora padronizada de uma Educação Física que se impõe de forma normalizadora.


APRENDER versus BRINCAR.


A dicotomia parece natural e lógica. Nós acreditamos (crença) que aprender apenas acontece, segundo esta visão programada e condicionada culturalmente, quando as crianças estão na escola ou noutras atividades dirigidas pelos adultos. Brincar, segundo esta prespetiva, é apenas uma refrescante pausa da aprendizagem. Esta linha de pensamento pode levar-nos a pensar que as férias do verão não passam de um grande recreio, talvez mais longo do que necessário para alguns defensores do aumento de horas passadas na escola. Porém existe uma visão alternativa que deveria ser óbvia mas aparentemente não é. BRINCAR é APRENDER! Durante o ato de brincar as crianças aprendem a maioria das lições de vida, aquelas que não podem ser ensinadas na escola. Para que as crianças aprendam bem estas lições, as crianças precisam de brincar muito, sem a interferência dos adultos.

Brincar em contacto com a natureza é a única forma de educação ambiental. Para criarmos sensibilidade e empatia pelo Planeta temos que permitir às crianças restabelecer uma ligação profunda com a natureza. Esta ligação não se cria dentro de uma sala de aula a observar imagens de florestas, lagos e campos verdejantes em páginas de livros ou em monitores de computador.


DESORDEM de DÉFICE da NATUREZA:


last-child-in-the-woodsRichard Louv no seu livro “Last Child in the Woods” introduz o conceito de Desordem de Déficit de Natureza (DDN):

  • Diminuição da utilização dos sentidos.
  • Dificuldades de atenção.
  • Maiores incidência e prevalência de doenças físicas e emocional.

O seu programa (Maryland, Smart, Green & Growing), promove uma elevação da consciência pública, sobretudo entre os pais, professores e outros, sobre a importância e valor do tempo passado na natureza pelas crianças a brincar, explorar, descobrir e aprender.

Peter Gray é um psicólogo evolucionista o que significa que se interessa pela natureza humana e a sua relação com os outros animais e a forma como a natureza foi moldada pela seleção natural. O seu principal interesse é a brincadeira. Todos os jovens mamíferos brincam, e porquê? Porque gastam eles energia e arriscam a vida a brincar, quando poderiam apenas repousar. Este é o tipo de perguntas que um psicólogo evolutivo faz. Na teoria prática do brincar, bastante aceite pelos investigadores atuais, podemos compreender o motivo pelo qual os animais brincam. Explica a razão pela qual os jovens animais brincam mais do que os mais velhos (têm mais para aprender), e porque motivo esses animais que dependem muito menos de instintos rígidos para a sua sobrevivência, e dependem mais da aprendizagem, brincam muito mais. Até um certo grau, podemos predizer como um animal irá brincar conhecendo quais as capacidades que deve desenvolver para sobreviver e se reproduzir. Os leões e outros jovens predadores brincam à perseguição, ataque e caça, enquanto a zebra e outras prezas brincam à fuga, esconder e esquiva. Groos (1901) escreveu um segundo livro, “The Play of Animals” no qual estendeu os vislumbres sobre a brincadeira nos animais para os humanos. Sublinhou que os humanos, tendo muito mais para aprender que as outras espécies, são aqueles que mais brincam de todos os animais. As crianças, ao contrário dos outros jovens mamíferos, têm de aprender diferentes habilidades dependendo da cultura na qual elas se desenvolvem. Ele argumenta que a seleção natural nos humanos favoreceu um forte impulso para que as crianças observem as atividades dos mais velhos e incorporem essas atividades nas suas brincadeiras. Ele afirma que em qualquer cultura, quando se dá a oportunidade para as crianças brincar livremente, brincam de acordo com as competências comuns a todos os seres humanos (andar, correr, saltar, atirar, puxar, etc…), mas introduzem também as habilidades específicas da sua cultura.

Homem quebrado

Nas sociedades de caçadores-recoletores, não existe nada que se assemelhe a uma escola. Os adultos acreditam que as crianças aprendem pela observação, exploração e brincadeira e por isso eles permitem-lhes um tempo ilimitado para brincar.

Porém, a nossa sociedade não se assemelha a um ambiente de caça-recoleção e apresenta desafios tecnológicos e culturais muito diferentes e mais exigentes. Porém, é importante colocar várias questões.

  • Será que o nosso modelo social é um construto orgânico ou sintético e artificial. De facto, tornou-se numa realidade artificial que criou uma rotura com o equilíbrio dos ritmos biológicos e como tal, não respeita a natureza humana. Por isso, é importante questionar o modelo social e consequentemente o modelo educativo, porque estão a ser fonte de grande Inconformismo Bio-Cultural provocando a deterioração e destruição da nossa qualidade de vida, bem-estar e sobretudo equilíbrio mental e emocional. Então não faz sentido continuar a investir nesta escola e neste modelo de organização social.

  • Não somos nós que nos temos que condicionar a uma realidade artificial, sintética (cultural), mas temos obrigação de reformular a sociedade e a escola para que sirva os interesses da biologia, da natureza e sobretudo da consciência. Será que a EF escolar tem como objetivo padronizar o movimento para servir uma sociedade padronizada ou pelo contrário, permitir que a natureza expressiva de cada criança se desenvolva e manifeste de forma individual e única? Será que o objetivo da EF é incutir valores competitivos nas crianças ou teremos que alterar o nosso perfil e missão como educadores para permitir o desenvolvimento de outros valores nas crianças?

EXISTEM 2 TIPO de EDUCAÇÃO


escola feliz & Economia Felicidade longo

ORGÂNICA

escola-felizNatural, biológica: ESCOLA FELIZ (PDF). Neste modelo estão incluídos a pedagogia Waldorf, as Comunidades de Aprendizagem, as Escolas Verdes e todos os modelos que respeitam a nossa essência e natureza (consultar o projeto escola felizlink).


INORGÂNICA

Artificial, sintética: ESCOLA INFELIZ. O atual modelo educativo adotou este caminho e está a causar muitos danos nas crianças, adultos e sociedade.

ESCOLAS DO AMANHA LINHA MONTAGEM

ESCOLAS VISTAS COMO FÁBRICAS | CRIANÇAS VISTAS COMO RECURSOS HUMANOS & CAPITAL INTELECTUAL (Medo dos Baldios Neuronais) Neste cartaz publicitário o Governo do Rio de Janeiro assume claramente que as suas escolas são Fábricas com “linhas de produção” de alunos submissos às “Falsas Conceções|Ideias” sobre o que deve ser uma escola e a formação das crianças!… Este é o mesmo modelo e mentalidade que impera em Portugal!…


Consequências desta educação Inorgânica?!…

A Organização Mundial de Saúde em 2009 definiu como Escola Promotora da Saúde (EPS) “uma escola que fortalece sistematicamente a sua capacidade de criar um ambiente saudável para a aprendizagem. A EPS é, assim, um espaço em que todos os membros da comunidade escolar trabalham, em conjunto, para proporcionar aos alunos, professores e funcionários, experiências e estruturas integradas e positivas que promovam e protejam a saúde”. “A experiência com a escola pode ser crucial no desenvolvimento da autoestima e de comportamentos saudáveis”, alertam os peritos da Organização Mundial da Saúde (OMS). Quando comparados com jovens de outros países, os adolescentes portugueses estão mais insatisfeitos com a vida e gostam menos da escola

Em vez de implementar estratégias para minimizar os riscos deste modelo educativo, devemos sim mudar o modelo para um mais orgânico e saudável.

O gosto dos alunos de 15 anos pela escola parece estar a piorar. Em 1997-1998, os alunos portugueses eram os segundos, numa lista de 28 países, a dizer que gostavam da escola. Na avaliação de 2001-2002 descíamos para a 8.ª posição. Em 2005-2006 pior, ficávamos na 22.ª posição, quatro anos depois subíamos um lugar, para 21º. Nesta última avaliação, realizada em 2013-2014, os níveis de satisfação com a escola são os piores de sempre colocando o país na 33.ª posição. As respostas foram recolhidas entre 6 mil alunos de 11, 13 e 15 anos a frequentarem, o 6.º, 8.º e 10º anos.

Um outro indicador foca o stress dos alunos com a atividade escolar. Altos níveis de pressão, seja face à necessidade de obter boas notas ou ao elevado número de tarefas desenvolvidas, geram problemas de saúde. Dores de cabeça, de estômago, nas costas ou tonturas são os sintomas mais comuns dessa pressão. Que, de modo geral, aumenta à medida que os alunos progridem no sistema educativo. São também as raparigas que se sentem pressionadas pela escola. (…) Temos, portanto, um estudo recente que nos diz termos os alunos mais stressados de entre 40 países. E temos um governo que toma medidas como a introdução de mais exames, a escola a tempo inteiro, reforços de aprendizagem, etc…

desordens tensãoAs crianças passam mais tempo na escola à medida que crescem, lembra a OMS. Atitudes e perceções positivas em contexto escolar são importantes para o seu desenvolvimento e saúde. Por isso, a OMS insiste em enfatiza o papel da escola como cenário influenciador de comportamentos saudáveis. Será que esta escola INORGÂNICA está a cumprir o seu objetivo?


Fica a pergunta…

Será que o tempo passado na escola é um “Tempo de Qualidade?“.

meditacao

  • Projeto “Escola sem Stress”: PDF

O objetivo das minhas reflexões é propor metodologias e dinâmicas que permitam à Educação Física divergir deste modelo sintético|inorgânico e evoluir para o caminho da Motricidade Humana.

 

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