Limitações do Personal Training na aula de EF

 

Comparação do ambiente do Fitness com o ambiente da Educação Física em termos de aderência aos serviços, taxas de retenção e fidelização dos clientes | alunos:

A área do fitness procura compreender o perfil dos seus clientes bem como os seus hábitos e comportamentos para poder ajustar os seus serviços e garantir a sua retenção. O sucesso dos ginásios e Health-Clubs depende da capacidade de retenção dos seus clientes que, por sua vez,  depende da qualidade dos seus serviços num mercado livre. As 5 dimensões de qualidade segundo o modelo de Parasuraman, Zeithaml e Berry (1985) são (consultar ServQual: link):

  1. Tangibilidade.
  2. Fiabilidade.
  3. Conformidade.
  4. Segurança.
  5. Empatia.

Enquanto os clientes de um ginásio pagam pelos serviços e  os escolhem em função da motivação, objetivo pessoal e da relação preço-qualidade, na escola os “clientes” são obrigados por lei, a “consumir” um serviço pré-definido e normalizado, independentemente da qualidade do mesmo. No entanto, podemos comparar o perfil dos clientes que frequentam os ginásio com o perfil de alunos numa escola.

  • Livre Consumo: Um ginásio para conseguir ganhar novos clientes tem que despender 6 vezes mais do que manter um já existente. Este custo deve-se a marketing publicitário, apresentação do novo cliente, tempo despendido na explicação dos serviços, avaliações médicas e da condição física iniciais, prescrição que passa pela preparação e planeamento de novos programas de “wellness”.
  • Consumidores Cativos do Ambiente Regulado: Na escola isso não acontece, os clientes estão garantidos pela lei que os obriga a “consumir” a Educação Física nos moldes em que se apresenta (Lei n.º 85/2009, de 27 de agosto – Diário da República n.º 166, Série I, de 27.08.2009 Estabelece o regime da escolaridade obrigatória para as crianças e jovens que se encontram em idade escolar …)

Tipologia de clientes:

  1. SWALLOWS (Andorinha): 20% dos clientes continua a vir ao Ginásio e não necessita de atenção particular: estes são os clientes leais. Chamamos-lhes “swallows” uma vez que regressam fielmente todos os anos.
  2. HAWKS (Falcão): 20% dos clientes desistem de qualquer forma não importa o que se lhes possa oferecer. Uma desistência fisiológica e chamamos-lhe de “Hawks” uma vez que mudam sempre de ninho.
  3. SPARROWS (Pardal): 60% dos clientes precisam de mais ações para se ganhar deles a sua lealdade e melhorar o seu nível de satisfação; chamamos-lhes “Sparrows” porque se lhe construirmos um ninho agradável eles voltam sempre.

Se um ginásio investir na qualidade dos serviços e conseguir reter (fidelizar) metade, 30% dos 60% de “sparrows”, garante-se uma retenção de 50% (“Swallows” + “Sparrows”). Obviamente que o Ginásio terá que investir continuamente em publicidade para cativar sempre mais clientes dada a rotatividade dos mesmos ou então optar pela estratégia dos contratos, tornando os clientes cativos. Se somarmos 30% dos 60% aos 20% leais, estamos, assegurados a nível dos nossos lucros. Os custos serão mais reduzidos consideravelmente e alcançaremos mais lucros.


Os serviços educativos funcionam em regime de obrigatoriedade de acordo com a Lei n.º 85/2009, de 27 de agosto – Diário da República n.º 166, Série I, de 27.08.2009, o que constitui uma vantagem mas também uma grande desvantagem. É uma desvantagem porque embora não tenhamos (Professores de EF), que investir dinheiro em marketing para cativar novos clientes, acabamos por ser confrontados com o impacto negativo da insatisfação dos “clientes” (alunos) relativamente ao tipo de serviços que prestamos. As turmas são constituídas por alunos que se enquadram perfeitamente nas 3 categorias anteriormente referidas.

  1. SWALLOWS (Andorinha): 20% dos alunos são leais, gostam intrinsecamente do exercício físico independentemente da forma e do conteúdo.
  2. HAWKS (Falcão): 20% dos alunos desistem de qualquer forma não importa o que se lhes possa oferecer. Como não podem mudar de ninho, porque são obrigados a frequentar as aulas de EF, assumem 2 tipos de atitude: Ou desistem (Faltas de material; dispensas às aulas; faltas de presença; recusa em participar), ou tornam-se problemáticos porque se sentem contrariados e insatisfeitos (passividade-agressiva).
  3. SPARROWS (Pardal): 60% dos alunos exigem, por parte do professor, uma grande dose de criatividade, flexibilidade e imaginação para se ganhar deles a sua lealdade e melhorar o seu nível de satisfação. Embora muitos se sintam interessados em atividades novas e se envolvam nas mesmas, acabam por desinvestir quando estas se tornam repetitivas ou não lhes agradam, avolumando o número de desistentes. O professor de EF ver-se-á sempre confrontado, por inerência às limitações dos programas, com a dificuldade em agradar a todos os alunos.

Obviamente que estas percentagens podem variar consoante a personalidade das turmas e por isso a capacidade do professor em cativar os alunos e ir ao encontro das suas motivações pode estar mais ou menos dificultada:


1ª Experiência de aplicação do PT: 2015/2016

  • Experiência  Pedagógica mais informal e mais exploratória. Desenvolvimento do conceito e exploração de alguns pressupostos e variantes.

2ª Experiência de aplicação do PT: 2016/2017

  • Experiência Pedagógica mais estruturada, planeada e organizada desde o primeiro dia de aulas.
  • Aplicação a 4 turmas do 10º ano de escolaridade.
  • aplicação durante todo o 1º período.
  • aplicação na segunda metade do 2º período.

Quando propus o Personal Training no contexto da Educação física tinha em mente vários objetivos: 

  • Investir nos “Sparrows” (Motivar os alunos) e aumentar a taxa de “retenção” (participação) nas aulas de EF. Tornar os meus serviços educativos mais diversificados e apelativos permitindo que os alunos participassem na construção da aula de EF. Promover estilos de ensino mais autónomos transferindo responsabilidades para os alunos (autonomia).
  • (Pág. 8 do programa de EF 10º, 11º, 12º anos) A  motivação dos alunos no sentido do seu aperfeiçoamento pessoal e ao longo da vida (…) baseia-se numa conceção de participação dos alunos definida por 4 princípios fundamentais:
    1. A garantia da atividade física corretamente motivada, qualitativamente adequada e em quantidade suficiente, em situações de aprendizagem numa perspetiva de educação para a saúde;
    2. A promoção da autonomia, pela atribuição, reconhecimento e exigência das responsabilidades que podem ser assumidas pelos alunos, na resolução dos problemas de organização das atividades e tratamento das matérias;
    3. A valorização da criatividade, pela promoção e aceitação da iniciativa dos alunos (…);
    4. A orientação da sociabilidade no sentido da cooperação efetiva entre os alunos (…) e ao prazer proporcionado pelas atividades.


Fase I: definir objetivo pessoal + escolha o método de treino.

OBJETIVO DO ALUNO:

  • A maioria dos alunos escolheu como objetivo a melhoria da aptidão física.

ESCOLHA DO MÉTODO DE TREINO:

  • A maioria dos alunos escolheu o método de treino calisténico e o crossfit.
  • Um grupo muito reduzido ou mesmo pouco expressivo escolheu o método de treino parkour.

Fase II: criar o plano de treino + escolher os exercícios.

Como a escola não tinha o material de fitness, o professor trouxe algum equipamento seu para facilitar a execução dos exercícios. Os planos de treino foram construídos pelos alunos seguindo os pressupostos metodológicos básicos transmitidos nos 3 primeiros blocos de 90 minutos nas primeiras aulas do 1º período.

Antes da fase prática, o professor vocacionou 3 blocos de 90 minutos para explicar alguns pressupostos que ajudaram os alunos a desenvolver e construir os seus PTs.

  • Como construir um PT: PDF

Alguns Critérios na Escolha dos Exercícios:


Fase III: aplicar o plano de treino em formato de circuito na aula.

  • Gestão do tempo da aula de EF: tal como foi planeado, é fácil aplicar o plano de treino personalizado na primeira parte da aula, respeitando o tempo necessário (segunda metade da aula) para o desenvolvimento das modalidades desportivas previstas no programa. Esta opção retira o tempo de realização de determinados exercícios tradicionais e as respetivas progressão pedagógicas. Ou seja, a 2ª metade a aula é sobretudo vocacionada para o jogo (TGfU: PDF).

  • Gestão do tempo de aplicação da carga: Inicialmente os alunos controlavam o tempo de carga de forma independente, recorrendo aos seus telemóveis (cronómetro). Porém, constatei que muitos alunos terminavam o exercício muito antes do tempo prescrito ou começavam mesmo no final da contagem para se furtarem à carga.  Também aproveitavam para conversar com os colegas dispersando-se. Como cada aluno geria o seu tempo independentemente, vários alunos terminavam o plano de treino muito antes dos outros o que dificultava a transição para a fase seguinte e era motivo de alguma perturbação enquanto se esperava pelos mais atrasados (mais cumpridores). Decidi então controlar o tempo de carga (60 segundos) recorrendo ao cronómetro do quadro eletrónico (pode-se fazê-lo com um cronómetros e apito). Desta forma garanti que todos os alunos começavam e terminavam o seu treino ao mesmo tempo, permitindo mesmo assim que cada aluno pudesse, caso sentisse fadiga, parar o exercício antes dos 60 segundos.

  • Correção na execução dos exercícios: a partir do momento em que coordenei o tempo de carga e repouso, foi mais fácil deslocar-me no espaço para dar feedbacks, corrigindo a postura e a colocação correta dos segmentos corporais durante a execução dos exercícios.

O professor explica a correta execução dos exercícios.

  • Dispersão: como os alunos não estavam habituados a um regime de gestão autónoma e responsável (auto-regulação), muitos aproveitaram para conversar, em vez de realizar os exercícios com a intensidade e duração prescritos, ou nalguns casos, em vez de seguirem o seu planos de treino, para não se sentirem isolados, optavam por realizar o PT do amigo e desta forma reforçavam os laços afetivos e empatizavam. Nestes casos fui muito claro dizendo que deveriam seguir os seus PTs e se quisessem alterá-los, deveriam apresentar uma nova folha de treino (Folha), justificando a alteração (verbalmente). Ou seja, responsabilizava os alunos pelas escolhas que fizeram e no compromisso com o plano que estabeleceram para si próprios em função do seu objetivo.
  • Adequação das cargas: intervi várias vezes, sobretudo nos rapazes, quando utilizavam halteres, com um peso demasiado elevado, para realizar um exercício. A carga exagerada provocava incorreções posturais e compensações segmentares para contrariar o peso. Foi necessário reduzir a carga e explicar o motivo sublinhando a importância de uma postura correta durante a execução. A falta de equipamento adequado não permitia ajustar corretamente as cargas para cada grupo muscular e para cada aluno. 
  • Alunos sem PT: em quase todas as turmas constatei que 1, 2 ou 3 alunos não entregaram o PT. Alguns resistiram durante algum tempo, outros nunca o entregaram. Estamos aqui perante os tais HAWKS (Falcão), 20%. Como alternativa, tive que me fazer acompanhar sempre o meu dossier que continha vários planos de treino, concebidos segundo os vários métodos de treino, para garantir que estes alunos estivessem em atividade. Outra estratégia passou por orientar esses alunos com uma sequência de exercícios em circuito que eu determinava.

EXEMPLO DE PTs:

  1. Calisténico: PDF1 | PDF 2 | PDF 3 | PDF 4 | PDF 5 | PDF 6 PDF 7
  2. Crossfit: PDF1 | PDF 2
  3. Parkour: PDF1
  4. TRX: PDF 1 | PDF 2
  5. Complemento a desporto (Ginástica): PDF 1
  • Responsabilidade & Autonomia: em todas as turmas verifiquei que alguns alunos assumiram o PT bastante a sério e gostaram muito da metodologia. Durante a aula realizavam os exercícios de forma correta, tanto no volume como intensidade prescritos, empenhando-se de forma muito construtiva. Outro grupo, não investia tanto nos exercícios e por vezes paravam muito antes do final do tempo de carga. Outro grupo de alunos, aproveitavam todas as oportunidades para se distrair, brincar e divergir do PT.
  • Motivação & animação: embora a escolha do objetivo, método de treino e exercícios permitisse a divergência (individualização – atividade heurística), o treino em si (Fitness), apela bastante à dimensão ascética porque  a carga física exige perseverança, força de vontade, abnegação e também, os movimentos são algorítmicos (padronizados). Recorri sempre à música de forma a contrariar o ambiente de cansaço provocado pela carga de treino através de um ambiente mais alegre.
  • Princípio da continuidade: optei por aplicar o PT no decorrer do 1º período, interromper durante a primeira metade do 2º período e aplicar apenas na segunda metade do 2º período para evitar saturação. Também procurei introduzir outras formas de trabalho da aptidão física como jogos ou até o formato tradicional orientado pelo professor.
  • Trabalho em equipa: inicialmente foram criados grupos de 3 alunos para trabalhar em equipa e resolver os desafios da planificação e promover a interajuda durante a aula na aplicação do PT. Porém constatei que é preciso rever a metodologia porque a maioria, senão todos os alunos, optaram pelo trabalho individual e raros foram os alunos que partilharam informação ou solicitaram ajuda aos colegas. Prevalece uma dificuldade em trabalhar em grupo e a cultura da escola é predominantemente individualizada.
  • Valores: embora tenha solicitado, nas primeiras aulas de preparação, a escolha de 3 valores, não consegui encontrar uma metodologia de trabalho onde esses valores estivessem sempre presentes e fossem observados como pilares da conduta. Tinha inicialmente pensado em imprimir e plastificar os 3 valores escolhidos e afixá-los num local visível durante a aula, mas foi uma ideia que não se concretizou por necessidade de dar prioridade ao controlo da atividade em si. No entanto, em alguns momentos de reflexão no final da aula, evoquei os valores que serviram para enquadrar alguns comportamentos dos alunos quando estes convergiam ou divergiam dos mesmos.
  • Improvisação: o facto de não possuir equipamento suficiente e diversificado também contribui para que não fosse possível adequar, da forma mais correta, as cargas de treino. Quando mais do que 1 aluno precisava do mesmo equipamento para realizar o exercício na sequência prevista, houve a necessidade de flexibilizar. Ou seja, exigia-se uma constante adaptação e flexibilidade que implicava a alteração da ordem dos exercícios para que fosse possível garantir a continuidade do plano de treino.
  • Avaliação teórica (domínio cognitivo):
    • 1º PERÍODO: avaliação do Plano de Treino construído pelos alunos com base nas regras e pressupostos transmitidos pelo professor.
    • 2º PERÍODO: avaliação de um relatório no qual tinham que caracterizar do ponto de vista das unidades funcionais solicitadas e os principais músculos envolvidos, os exercícios que constavam nos seus PTs. (Exemplo de Relatório: PDF | apoio bibliográfico: PDF)


Fase IV: avaliação da aptidão física (fitescola)

 O programa fitescola permite, através da aplicação de um abateria de testes de aptidão física e a introdução dos resultados numa plataforma online, verificar se os alunos estão ou não dentro da sua zona saudável. Desta forma, pode-se ajudar o aluno a tomar consciência dos seus pontos fortes e fracos e orientar o seu treino personalizado para o desenvolvimento das capacidades condicionais, coordenativa e flexibilidade no sentido desse mesmo objetivo.


CONCLUSÃO: considerações finais

Neste segundo ano de experimentação pedagógica consegui evoluir o projeto em algumas dimensões metodológicas e práticas, no entanto não foi possível explorar todo o seu potencial.  Uma das limitações está relacionada com o facto de existirem alunos que gostam, outros que o fazem porque é uma tarefa ou projeto introduzido pelo professor e devem obedecer às suas orientações e outros, em número considerável de alunos que resiste ao PT e ainda outro grupo de alunos que se saturaram da repetição dos exercícios.

Outro aspeto que observei está relacionado com a autonomia e a responsabilidade. No ano passado (2014/2015) uma aluna fez a seguinte afirmação: “o professor é que tem que dar a aula, não são os alunos!”. Muitos alunos, habituados e programados desde o início da sua escolarização, a aulas de EF onde o professor controla tudo (estilos de ensino centrado no professor), recorrendo a um método tradicional, magistral, frontal, expositivo, discursivo, basicamente assente na transmissão do saber do professor para os alunos, faz com que, passados vários anos de escolarização, resistam à responsabilidade da preparação e realização autónoma de parte da aula (insegurança). Como afirma Peter Gray, decline of play and the rise of psychopathology in children and adolescents, o foco no controlo externo (professor), faz com que os alunos tenham menor propensão para assumir responsabilidades pela sua própria saúde, pelo seu próprio futuro e pela comunidade onde se inserem. Um modelo de ensino que exacerba o foco no controlo externo cria, nas crianças, fortes emoções de ansiedade, medo e desamparo. As crianças assumem dois tipos de resposta, ou se retiram, afastando-se (depressão, recusa em assumir responsabilidade com medo da falha), ou criam mecanismos de defesa para fazer face às “agressões externas” (passividade agressiva ou agressividade; recusa em aderir ao projeto).

Na minha opinião, é importante equacionar alguns aspetos importantes:

  • O projeto PT é interessante e permitiu explorar aspetos como autonomia, criatividade. 
  • O projeto PT, como qualquer proposta da disciplina de EF, está refém de uma imposição hierárquica (programas de EF), do professor para os alunos. Por isso encontrará sempre, grosso-modo, 20% de alunos andorinhas que aderem incondicionalmente, 20% de alunos falcões que o rejeitam e dos 60%, consoante a forma como for apresentado e trabalhado, poderá conseguir pelo menos 30% de alunos dos 60% de pardais.
  • VIOLÊNCIA SIMBÓLICA: Um dos grandes constrangimentos do ensino em geral e da EF em particular é o facto de impor sobre os alunos uma cultura física pré-formatada e pré-definida pelos programas que normaliza à priori o formato e conteúdo do serviço prestado numa aula de EF. Por muito criativos e inovadores que sejamos, encontraremos sempre contrariedades e resistências por inerência às motivações e perfis de personalidade de cada aluno. E para que as aulas funcionem, teremos que forçar muitos alunos a abdicar da sua vontade pessoal em função do padrão de cultura física dominante o que cria tensão e conflito latente ou explícito (Desenvolver Novo Modelo Flexível e Dialógico da EF). O trabalho pedagógico não só contribui para dar referências sobre como deve ser interpretada a realidade, como também define itinerários, formas e métodos de resolver os problemas. De facto, P. Bourdieu e J.C. Passeron declaram de forma explícita, que toda a ação pedagógica é objetivamente uma violência simbólica enquanto imposição, por um poder arbitrário, de uma arbitrariedade cultural (…) e para que esta ação pedagógica consiga ter êxito na distribuição do capital cultural tem que recorrer à autoridade pedagógica. (…) Como professor de EF, preocupo-me em encontrar soluções divergentes de abordar a cultura física, que permitam aos alunos explorar um modelo de formação que respeite o mais possível a sua individualidade (vontade individual = DIALÓGICO – educação baseada no diálogo, em que o aluno e o professor são entendidos como seres em busca): o modelo dialógico baseado em 7 princípios da aprendizagem dialógica.
    1. Diálogo Igualitário (Equanimidade – iguais oportunidades de falar e ser escutado)
    2. Transformação (Metamorfose)
    3. Criação de Sentido (Identidade & Valores)
    4. Solidariedade (Reciprocidade).
    5. Dimensão Instrumental (Metodologia, Diálogo e Reflexão)
    6. Igualdade de Diferenças (Respeito Pelos Caminhos Divergentes)
    7. Inteligência Cultural (Capital Cultural)
  • VONTADE INDIVIDUAL vs PADRÕES DE CULTURA: advogo uma Educação Física Heurística na sua essência. Manuel Sérgio em Motricidade Humana, uma nova ciência do homem, refere na página 41 que não acredita em padrões de movimento, pois para tanto teria que acreditar também na padronização do mundo. O PT recorre a exercícios físicos (fitness) padronizados (algorítmicos) no entanto permite que cada aluno escolha os seus exercícios em função do seu objetivo pessoal e opte por um método de trabalho físico que esteja mais de acordo com a sua forma de sentir (percurso individualizado). Acredito que o PT tem potencial para respeitar  a ciência do indivíduo (L. Todd Rose et al.: PDF) e a sua variabilidade. Também pretende facilitar uma maior colaboração dos alunos (Modelo SCARF: PDF). Porém, obviamente que tem as suas limitações que já foram apontadas, porque está refém dum modelo pedagógico centralizado, normalizado e dum ambiente demasiado cativo (Lei).

 


O modelo PT pode evoluir:



 

 

 

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