Apontamento Pessoal sobre as Aprendizagens Essenciais em Educação Física

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  • Reflexão Pessoal enviada para a SPEF e a CNAPEF: PDF

EMPREITADA EDUCATIVA

joao-costaNeste artigo partilho a minha opinião pessoal sobre o que escutei neste encontro, reforçando com outras ideias que tenho vindo a defender sobre as orientações da EF e no interesse das crianças e jovens. A educação tem que servir, em primeiro lugar, os interesses das crianças e jovens (alunos). No meu entender, o discurso do Secretário de Estado da Educação, revela uma orientação favorável aos jovens, sobrecarregados com excesso de conteúdos, o que lhes provoca stress, ansiedade e também uma dificuldade em consolidar conteúdos. Interpreto esta postura como uma prevalência de preocupações pedagógicas acima doutros interesses. Relembro que já em 14 de agosto de 1895, a propósito da reforma educativa de Jaime Moniz, Simões Dias teceu algumas críticas duras comparando o regulamento a “um regime do Santo Ofício, afirmou: “um código penal desta ordem parece ter sido concebido por quem teve a peito converter o professor em máquina falante e a mocidade num bando de imbecis” (Simões Dyas, 1896. A reforma dos Lyceus. Lisboa”. Uma das críticas estava relacionada com a extensão dos programas, ao excesso de trabalho a que os alunos estavam obrigados e à diversidade e rigor dos exames: “o melhor systema é o da empreitada ou de uma veloz expedição” [estamos hoje também perante uma empreitada educativa].

foto-universidae-lusofona-encontro-educacao-fisicadieta-curricularO Secretário de Estado da Educação defendeu também neste encontro, a necessidade de “fazer dieta” para acabar com a atual “obesidade curricular” que impede o cumprimento de programas e a consolidação do conhecimento [a obesidade curricular ≡ empreitada educativa ≡ escola a tempo inteiro].

Segundo várias opiniões oriundas de outros meios, o caso do enriquecimento curricular no 1º ciclo, assegura que as crianças têm actividades de aprendizagem ao longo do dia inteiro. O Inglês, a Actividade Física e Desportiva e a Música, juntamente com o Estudo Acompanhado, mobilizam as crianças em tipos de aprendizagem complementares. Existem alguns inconvenientes no facto de, na maioria das escolas, o enriquecimento curricular desenvolver-se em sala de aula e usar métodos de ensino dirigidos pelo professor, semelhantes aos do currículo nuclear. O efeito é o de alongar o currículo nuclear através do acréscimo de disciplinas suplementares, tornando o dia escolar muito longo para as crianças (Escola a Tempo Inteiro). No 1.º ciclo o modelo de ensino é globalizante e está a cargo de um único professor (monodocência), podendo este ser apoiado em áreas especializadas.


FALTA DE TEMPO e a INFORMATOSE


Para o governante, ainda que Portugal seja “dos países onde os alunos passam mais horas por semana na escola”, o conhecimento não se consolida e “nalguns temas, os alunos não estão a aprender bem”, por falta de tempo. Por isso a necessidade de se emagrecer os programas.

Eu estou totalmente de acordo com o Secretário de Estado. Pierre Weil, “A mudança de sentido e o sentido da mudança” afirma que o objetivo da educação de hoje (tal como é concebida pela maioria dos ministérios da educação), passa por investir em programas que permitam aos alunos armazenar o maior número possível de conhecimentos no maior número possível de domínios. Estes programas criam esgotamente, tensão e stresse, por causa do apego à ideia de que é necessário um saber ilimitado (informatose)”. Este governo chama a esta informatose a “Obesidade Curricular” e contrariando esta tendência pede, e muito bem, uma “dieta curricular”, algo inédito, que devemos apoiar e enaltecer. A EF também exagera, inundando o ambiente motor das crianças, baseando-se na crença que uma abundância de estímulos motores diversos, mas mecanizados e não livres e espontâneos, é benéfico para as crianças, sobrecarregando os seus circuitos psicossomáticos de informação desnecessária e criando rigidez muscular.

curva do esquecimento

Curva padrão do esquecimento: a falta de tempo para processar toda a informação de todas as disciplinas implica que muitos jovens apenas estudem na véspera dos testes tentando memorizar a matéria para a debitar na avaliação. Este estudo de última hora implica um ritmo de esquecimento rápido (Gráfico do livro de Morris L. Bigge. 1971. Teorias da Aprendizagem para professores”, página 304 | Se há 40 anos se conhece o problema relacionado com esta Empreitada educativa (Obesidade Curricular) – criticada também por Simão Dias em 1895 (122 anos), porque continuamos a persistir neste erro?!…

As situações de ensino-aprendizagem podem ser classificadas de acordo com o lugar que ocupam num continuum que vai desde os modos de operar “sem pensar” até os que envolvem “pensar”. É, no entanto, conveniente dividir essa amplitude em 4 classes amplas:

  1. Nível da memória (requer algum tempo)
  2. Nível da compreensão (Requer tempo)
  3. Nível de desenvolvimento da autonomia (Requer mais tempo) – Capacidades do século XXI.
  4. Nível da reflexão (Requer muito mais tempo) – Capacidades do século XXI.

CAPACIDADES FUNDAMENTAIS PARA O SÉCULO XXI


  • 1º Ciclo: Educação Física curricular (Educação Física leccionada pelo Professor Titular ou pelo Professor de EF)
  • Ensino Secundário: a avaliação da disciplina conta para a média
  • Programas de Educação Física: definição das Aprendizagens Essenciais para o século XXI

Será que os objetivos e conteúdos da disciplina de EF (Aprendizagens Essenciais), totalmente vinculados ao modelo desportivo (monocultura desportiva), estão atualizados para desenvolver as capacidades fundamentais para o século XXI: (1) criatividade, (2) inovação, (3) resolução de problemas, (4) tomada de decisões, (5) comunicação, (6) colaboração, (7) investigação, (8) questionamento, (9) flexibilidade e adaptabilidade, (10) iniciativa e autonomia (Sala de aula ativa). Ou pelo contrário, perpetuam o modelo mecanicista de reprodução de determinados padrões motores estereotipados do Século XIX e XX: (1) Memorização; (2) Repetição; (3) Automatização; (4) Passividade; (5) Reprodução; (6) Imitação.

João Costa (numa outra entrevista) refere: “Quando começamos a utilizar o conhecimento, a analisar, relacionar, a pensar criticamente sobre o conhecimento e até a produzir e criar conhecimento, temos competências de nível mais elevado, mas que também requerem tempo”, realçou.

Os programas de EF também eles são extensos e exigem 3 níveis dando prioridade às Matérias Nucleares em Detrimento das outras, as ditas alternativas – Porquê:

  1. Introdutório
  2. Médio (abordadas de forma superficial)
  3. Avançado (Nunca ou raramente se consegue alcançar o nível avançado)

MATÉRIAS NUCLEARES E ALTERNATIVAS


Quanto às matérias nucleares e alternativas, foi mencionado um estudo onde se constatava que as matérias mais leccionadas, pelo professores de EF, eram precisamente o futebol, voleibol, basquetebol e andebol (monocultura desportiva – Jogos desportivos competitivos de invasão).

pinheiro-bravoSe eu encomendar um estudo, para verificar qual o tipo de árvores que predominam no Pinhal de Leiria, o resultado deverá apontar para o Pinheiro Bravo. Ou seja, esta monocultura foi inicialmente mandada plantar pelo rei D. Afonso III (1248-1279), com o intuito de travar o avanço e degradação das dunas, e proteger a cidade de Leiria, o Castelo e os terrenos agrícolas das areias transportadas pelo vento. Sempre que se procedia ao corte de árvores, era seguida uma replantação – desta forma o pinhal manteve-se intacto.

Assim como o rei D. Afonso III mandou plantar o Pinheiro Bravo, também as faculdades de desporto e Educação Física plantaram o desporto competitivo (ideologia dominante) e as matérias ditas nucleares como prioritárias na mente dos professores. Ou seja, é inevitável que hoje, a maioria dos professores de EF, se sintam confortáveis a leccionar estas matérias, porque foram doutrinados para o fazer e porque os programas refletem essa monocultura. Estranho seria, se os professores ensinassem parkour nas escolas, algo não plantado. Ou seja, as faculdades de desporto e de EF, devem elas próprias repensar o modelo de formação dos Professores de EF, segundo uma perspetiva ecológica, orgânica e holística (Plantar novas sementes, reflorestar a EF com uma biodiversidade de abordagens motoras). Os atuais pressupostos não servem o modelo do século XXI. Tal como uma monocultura (na perspetiva ambiental), promove uma erosão dos solos e compromete a biodiversidade (fauna e flora), também uma monocultura desportiva (Valores competitivos), promove a erosão da diversidade de valores na formação. Como afirma Debora Tanahil as opções curriculares precisam refletir os interesses e personalidades dos estudantes, a cultura da escola e os recursos da comunidade (10º Congresso Nacional de EF).

  • Porquê privilegiar as matérias a vermelho?
  • Porquê privilegiar os valores do antagonismo?

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JOGOS COMPETITIVOS

ALGORÍTMICA

JOGOS COOPERATIVOS

HEURÍSTICA

situação mutuamente exclusiva situação mutuamente inclusiva
Para que um dos membros alcance os seus objetivos, os outros serão incapazes de atingir os seus.

Para que um indivíduo possa alcançar os seus objetivos, todos os restantes  elementos deverão igualmente alcançar os seus respetivos objetivos.

Existe uma atitude competitiva, quando o que A faz, é no seu próprio benefício, mas em detrimento de B, e quando B faz em benefício próprio mas em detrimento de A.

Uma atitude é cooperativa quando “o que A faz é, simultaneamente, benéfico para ele e para B, e o que B faz é, simultaneamente, benéfico para ambos. Cooperação é um processo onde os objetivos são comuns e as ações são benéficas para todos.

Morton Deutsch. Cooperation and Competition: PDF


AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA:


No caso do ensino secundário, a classificação da disciplina de EF passa a contar para a média do final do secundário (paridade da Educação Física com as restantes disciplinas do currículo nacional defendida pela SPEF e CNAPEF). Não estaremos também a contribuir para o stress dos jovens com mais avaliações e pressão? Não deveria ser a disciplina de EF uma área onde os jovens encontram maior liberdade de expressão, alegria e felicidade, contrariando as disciplinas “sentadas”? E qual o impacto nos professores? Em vez de investirem tempo nas construção de relações interpessoais saudáveis através do desenvolvimento de competências relacionais e emocionais, continuam reféns da performance. De que forma se enquadra o desenvolvimento das competências fundamentais para o século XXI quando a prioridade é o “adestramento” (padrões motores – automatização de gestos técnicos estereotipados) e a recolha de dados para quantificar comportamentos? Por outro lado, como é que se quantifica corretamente o movimento humano o qual exprime a realidade psico-emocional individual complexa de cada ser? Nenhum ser humano consegue replicar um movimento exatamente da mesma forma que outro o fez. E o mesmo indivíduo possui variabilidade na sua execução momento a momento. O “erro” pode apenas representar uma interferência ou ruído emocional num determinado momento e não uma falta de domínio motor ou maestria. Não devemos antes privilegiar a “auto-regulação” da aprendizagem através de estilos de ensino centrados no aluno e nos métodos ativos de aprendizagem? Ficam no ar estas questões!… A avaliação tal como a fazemos na escola é altamente penalizadora para a maioria das crianças e jovens!…

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jose-gil-filosofoSó existe invenção, inovação, produção criativa deixando margem para o imprevisível, o inavaliável, a irrupção da singularidade!…

Filósofo Português: José Gil


O ATUAL MODELO EDUCATIVO ESTÁ FALIDO:


A “escola pública” portuguesa é resultado da ação dos jesuítas, tendo a primeira dessas instituições sido criada em fevereiro de 1553 (há 463 anos), no mosteiro de Santo Antão, como o nome de Colégio de Santo Antão (Lisboa). Os Jesuítas da Catalunha admitiram que o atual modelo educativo, fundado por eles, está falido. Num artigo online intitulado “Escolas jesuítas da Catalunha apostam na renovação do modelo pedagógico para se adaptar aos novos tempos”, podemos constatar a mudança de paradigma. Recentemente vieram a público movimentos reformistas de sistemas de educação e de ensino com grande impacto. Um deles  foi desenvolvido em três colégios jesuíticas da Catalunha.  Foi posta em prática uma ambiciosa reforma chamada “Educació 2020” que implicou uma alteração radical na forma como as escolas se organizam.

Foram abolidas:

  • As classes (anos de escolaridade)
  • As disciplinas
  • Os exames
  • Os horários
  • E a aprendizagem dos alunos desenrola-se inteiramente em grupos com a supervisão de professores.

A reforma de Jaime Moniz (1894), introduziu uma significativa inovação pedagógica que consistiu na introdução do regime de classes as quais, como divisões graduadas por estádios ou níveis de conhecimento e complexidade crescente, segundo a idade e os conhecimentos adquiridos.  Este sistema tem uma longa história e remonta aos finais da Idade Média (colégios Jesuítas) que constituíram uma forma de operacionalizar uma “Pedagogia Coletiva” que visava ensinar a muitos como se fossem um só. Hoje prevalece uma tendência para terminar com este modelo porque promove o insucesso escolar. Devemos sim implementar as chamadas comunidades de aprendizagem como é o caso do modelo do Projeto Farol (Agrupamento de Escolas Padre Vitor Milícias, Torres Vedras), que se inspirou na Escola da Ponte e noutros modelos.

preconceito da média

O futuro da educação passa por abolir as  disciplinas, exames, os horários, e sobretudo agrupamento dos alunos segundo as classes (idades cronológicas iguais não determinam o mesmo desenvolvimento em todas as multinteligências). O atual sistema pressupõe que todos os alunos possuem a mesma maturidade com a mesma idade cronológica idade. Como é que a Educação Física se irá organizar para responder a uma dinâmica tão flexível, onde se exige uma metodologia totalmente diferente, bem como uma nova forma de organização curricular. Os seus objetivos e conteúdos deverão assumir uma arquitetura diferente e eu proponho as competências suaves como espinha dorsal.

 multinteligencias-educacao-fisicamultinteligencias organograma EF multinteligencias-suavesÉ importante abandonarmos o perfil de professores conservadores para assumirmos uma postura de arquitetos culturais, reflexivos e críticos em relação às convenções e respetivos territórios mentais, cristalizados num pensamento mecanicista. Estamos no século XXI e isso pede-nos um upgrade dos nossos construtos mentais artificiais auto-impostos.

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ESCOLA FELIZ


escola-felizMargarida Matos (Relatório do estudo HBSC 2010. A saúde dos adolescentes portugueses – Relatório do estudo HBSC 2010):

“A experiência com a escola pode ser crucial no desenvolvimento da autoestima e de comportamentos saudáveis”, alertam os peritos da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Os adolescentes que sentem que a escola os apoia têm níveis de satisfação com a vida mais elevados.” A cada quatro anos, a OMS faz um inquérito internacional massivo para avaliar a saúde dos adolescentes da Europa e do Norte da América, focando o seu envolvimento com a escola, colegas e família. Nesta última edição participaram 200 mil alunos de 42 países. Os dados constam do relatório “Crescendo de forma desigual: diferenças de género e socioeconómicas na saúde e no bem-estar dos jovens”.

Quando comparados com jovens de outros países, os adolescentes portugueses estão mais insatisfeitos com a vida e gostam menos da escola. Em Portugal, os alunos estão menos satisfeitos com a vida que os colegas de outros países. 83% dos rapazes e 74% das raparigas de 15 anos dizem-se bastante satisfeitos, quando a média dos participantes neste inquérito é de 87% e 79%, respetivamente.

O gosto dos alunos de 15 anos pela escola parece estar a piorar.

  • Em 1997-1998, os alunos portugueses eram os segundos, numa lista de 28 países, a dizer que gostavam da escola.
  • Na avaliação de 2001-2002 descíamos para a 8ª posição.
  • Em 2005-2006 pior, ficávamos na 22.ª posição,
  • Quatro anos depois subíamos um lugar, para 21º.
  • Nesta última avaliação, realizada em 2013-2014, os níveis de satisfação com a escola são os piores de sempre colocando o país na 33.ª posição. As respostas foram recolhidas entre 6 mil alunos de 11, 13 e 15 anos a frequentarem, o 6.º, 8.º e 10º anos.

Será que a Educação Física está a contribuir para felicidade dos jovens e para o seu gosto pela escola. Ou pelo contrário, as opções e metas curriculares impostas, apenas a aproximam do modelo de avaliação das outras disciplinas, criando mais stress e pressão sobre os alunos? Será que é a EF que tem que  se aproximar das restantes disciplinas (paridade), ou serão as demais que têm que abandonar este modelo de avaliação baseado nos testes que, como vimos, não garante a consolidação de conhecimentos?

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Este é o modelo que proponho para o desenvolvimento de uma EF (motricidade) multidimensional

Um outro indicador foca o stress dos alunos com a atividade escolar. Altos níveis de pressão, seja face à necessidade de obter boas notas ou ao elevado número de tarefas desenvolvidas, geram problemas de saúde. Dores de cabeça, de estômago, nas costas ou tonturas são os sintomas mais comuns dessa pressão. Que, de modo geral, aumenta à medida que os alunos progridem no sistema educativo. São também as raparigas que se sentem pressionadas pela escola. Por um lado queremos combater a obesidade com a prática do exercício físico, mas por outro, criamos stress e ansiedade através da avaliação?!…

No caso do 1º Ciclo, estamos preocupados, como classe profissional, com a necessidade de serem especialistas (Professores de EF) a leccionar a disciplina, seguindo um programa onde os alunos têm que, a partir do 3º ano, ser introduzidos à prática desportiva. Na minha opinião, os professores do 1º ciclo devem ter como base da sua formação a psicomotricidade e não a formação desportiva (aliás, todos os professores de EF deveriam e devem ter formação em psicomotricidade).

Como o 1º ciclo funciona em regime de monodocência, terão que ser os professores titulares a leccionar essa prática. Mas, estes professores não estão preparados para administrar a EF, afirma uma classe de profissionais de EF. Porém, também os professores de EF não tem formação em psicomotricidade, não conhecem a anatomia emocional e a comunicação não verbal (biodinâmica) e a EF é vista, desde o seu início como uma preparação e iniciação à prática desportiva (EF algorítmica – corpo instrumento de programação motora), algo que eu não concordo. O carácter analítico da progressão de exercícios (Predominante na EF), é igualmente um dos aspetos característicos dos métodos mecanicistas. A Vinculação Marginal ou mesmo a Desvinculação com o Desporto defendida por Jean LeBoulch que enfatiza os mecanismos percetivos da conduta motora em que o aluno “aprende a aprender” (Auto-regulação da aprendizagem), em vez de fazer, deve torna-se disponível e capaz de aprender qualquer atividade. Por esta razão, o conceito de aprendizagem de um movimento desportivo em si, não tem razão de ser, tanto pode ser esse como outro qualquer. A atividade de expressão pessoal não pode ser ensinada. A criança e o adolescente têm direito a praticar a sua expressão pessoal, deixando assim emergir a singularidade do seu sentir, da sua interioridade, para o seu equilíbrio emocional, ou como diz Berge (1970) citado por Isabel Lima (1995), a “desintoxicação da contenção”. | Vitor da Fonseca afirma que se torna necessário desmistificar o problema do comando, das atitudes rígidas, da execução perfeita, da disciplina técnica e espetacular, para nos projetarmos no desenvolvimento da interioridade humana, facilitando todos os meios de expressão e de simbolização, bem como todas as formas pessoais de pensamento e conhecimento (Corpo vivido, percebido e representado). O processo educativo através do movimento, deve centra-se num corpo subjetivo (desintoxicação da contenção) que possui a sua maneira de estar no mundo (Educação Física Heurística). | (…) João Batista Freire prefiro falar em ESQUEMAS MOTORES (Atividades Heurísticas) e não em PADRÕES DE MOVIMENTO (Atividades Algorítmicas): “não acredito em padrões de movimento, pois para tanto teria que acreditar também na padronização do mundo. Constato isso sim, a manifestação de esquemas motores, isto é, de organizações de movimentos construídos pelos sujeitos, em cada situação, construções essas que dependem, tanto dos recursos biológicos de cada pessoa, quanto das condições do meio ambiente em que ela vive” (1988, “Educação de Corpo Inteiro – teoria e prática da Educação Física”, editora scipione S. Paulo).

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DESINTOXICAÇÃO DA CONTENÇÃO.


SPEF e CNAPEF: defendem a importância da EF estar presente em todo o percurso escolar (i.e. do Pré-Escolar ao 12.º ano de escolaridade), para todos os alunos e para todos os cursos.

Concordo que o movimento deve estar presente desde cedo e que a escola a tempo inteiro tem roubado tempo para que as crianças do pré-escolar e 1º ciclo brinquem. Porém, chamo à atenção quanto ao facto de se formalizar e formatar a motricidade infantil desde cedo. As crianças têm direito à sua liberdade do movimento e a ideologia da EF pode ferir essa necessidade de desintoxicação da contenção.

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Peter Gray afirma que a escola (desde o primeiro ciclo), é um lugar onde as crianças são obrigadas a estar e onde a liberdade delas é muito restrita – muito mais restrita do que a maioria dos adultos toleraria nos seus locais de trabalho!…

As crianças estão biologicamente desenhados para se educarem a si próprias através do brincar e da exploração. Nós não precisamos de educar as crianças, precisamos sim de lhes facilitar as condições que as permitam serem elas próprias!…Assim, deixa de fazer sentido querer, desde o 1º ciclo, colocar especialistas do movimento a “adestrar” as crianças. Basta que lhes tornamos possível espaços de aventura, de lazer e recreio para que elas aprendam a explorar o seu potencial. No meu entender, as crianças do 1º ciclo não precisam de EF no sentido programático (métodos mecanicistas), mas sim de brincar em liberdade. Assim como existe uma equipa escolar formada por um ou mais psicólogos, 1 ou mais professores da educação especial, deverão fazer parte desta equipa, pelo menos 2 licenciados em psicomotricidade para acompanhar os professores titulares de turma e para despistar as dispráxicas. As crianças  do 1º ciclo devem brincar sem a supervisão dos adultos para que possam desenvolver a sua autonomia, segurança pessoal e um maior sentimento de pertença. O excesso de controlo pelos adultos promove a depressão e a baixa auto-estima e faz com que as crianças deixem de gostar da escola.

A brincadeira promove a saúde mental nas crianças. As consequências da privação do Brincar nas Crianças são:

  1. Aumento da ansiedade e da depressão (Perda de autonomia).
  2. Diminuição do sentido de controlo pessoal (Maior insegurança).
  3. Aumento do narcisismo e diminuição da empatia (menor sentimento de pertença)

brincar projetodeclínio do brincar e a patologiabrincar é um trabalho sério para as crianças

Bibliografia:

  • Peter Gray (2013); “Play as preparation for learning and Life”; American Journal of Play; Vol. 5, number 3; pp. 271-292: PDF
  • Peter Gray (2011); “The Decline of Play and the Rise of Psychopathology in Children and Adolescents”; American Journal of Play; Vol. 3, number 4; pp. 443-463: PDF
  • Peter Gray; “Free to Learn – Why Inleaching the Instinct of Play will make our children Happier, More Self-reliant, and better students for life”; baric Books (Resumo): PDF
  • Peter Gray (2011); “Freedom to Learn – The roles of play and curiocity as foundations for learning”; Psychology Today Blog: PDF

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Esta campanha publicitária mostra a reação de prisioneiros de alta segurança perante um estudo sobre os hábitos atuais das crianças.

Os presos de uma prisão de alta segurança nos Estados Unidos têm autorização para passarem duas horas no pátio. Por estranho que pareça, é o dobro do tempo que passam ao ar livre os jovens de todo o mundo, entre os 5 e os 12 anos. As marcas de detergente OMO e Persil levaram a cabo um estudo em 12 países, entrevistando mais de 12 mil pais com crianças destas idades. As conclusões apontam para menos de meia hora na rua.

BRINCAR – estratégia fundamental na construção de laços e colaboração entre pares.

 

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