DANÇA e EUTONIA

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dança

Proposta para abordar a dança na aula de Educação Física:

O programa do Ensino Secundário de Educação Física (Quadro 1 – Extensão da EF), prevê 4 áreas:

  1. Atividades Físicas Desportivas.
  2. Atividades Rítmicas Expressivas:
    • Dança Moderna.
    • Danças tradicionais Portuguesas
    • Danças Sociais
    • Aeróbica
    • [Dança Livre – Auto-descoberta – Heurística – 9 ações motoras de Luís Xarez Rodrigues]
  3. Jogos Tradicionais e Populares
  4. Atividades de Exploração da Natureza

A dança é uma das atividades que melhor explora o potencial plástico, expressivo e rítmico do movimento, em íntima ligação com a composição musical que lhe dá suporte. Mas é também, fundamentalmente, o resultado da combinação dos diferentes elementos do movimento, organizados em três grandes vertentes.

  1. a utilização do corpo no espaço.
  2. a dinâmica do movimento.
  3. as relações entre os participantes.

linha divisóriaconvergir algorítmico

DANÇA MODERNA:

 

No caso da dança moderna esta faz-se descalço, os movimentos são mais livres mas ainda respeitem uma técnica organizada. Recusa o apoio nas pontas dos pés como um catalisador dos movimentos e coloca o eixo de seu trabalho no tronco, no contato, na queda, na improvisação, na respiração, no movimento da coluna e das articulações, em diferentes graus de tensão/relaxamento muscular, e também o trabalho no chão.

BoulderJazzDance-1

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DANÇAS TRADICIONAIS PORTUGUESAS:

 

As danças tradicionais e populares portuguesas englobam 4 grandes categorias:

  1. Danças populares: danças que tiveram origem no povo
  2. Danças tradicionais: danças que se mantiveram ao longo de muitas gerações
  3. Danças popularizadas: danças que não tiveram origem no povo, mas que foram adotadas por este
  4. Dança folclórica: teve origem no povo e manteve-se durante muitas gerações (é popular e tradicional)

Todas as danças populares têm uma figura, ou seja, um “desenho” no espaço, feito pelas movimentações dos bailarinos, um ritmo e um conjunto de passos. Para determinar essa figura é preciso conhecer os 4 elementos seguintes:

  1. a posição dos bailarinos (frente, lado, costas)
  2. os passos que se executam ao longo da posição (marcha, vira, valsa e valseado)
  3. a formação (em roda, fila, quadrado)
  4. a evolução (frente-trás, esquerda-direita, diagonal, círculo e oito)

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DANÇAS SOCIAIS:

 

Danças de pares, praticadas por dois elementos de sexo oposto envoltos num ambiente musical específico. Sempre que uma dança obedece a regras de progressão na sala, entre a parede mais próxima e o centro da sala e no sentido contrário ao movimento dos ponteiros do relógio, designa-se dança progressiva. Pelas suas características próprias, tanto a nível técnico como estrutural, encontram-se divididas em dois grandes grupos:

  • danças clássicas ou modernas (progressivas):
    • Valsa Inglesa
  • danças latino-americanas (progressivas e não progressivas).

danças sociais

A expressão dança de salão refere-se a diversos tipos de dança executados por um par de dançarinos. As danças de salão são consideradas uma forma de entretenimento e de integração social, bem como uma forma de desporto.

Estrutura Musical: O modo mais fácil de identificar o ritmo musical passa por, primeiro, sentir a batida da música e, depois, identificar o tempo forte nesse conjunto de batidas. Numa dança com ritmo quaternário, haverá uma batida mais forte em cada grupo de quatro batidas. Por sua vez, numa dança com ritmo ternário haverá uma batida forte em cada três e numa dança com ritmo binário, uma batida forte em cada duas batidas.

danças ssociais desenhos

As danças sociais pressupõem o domínio e/ou conhecimento de alguns conceitos e noções que devem ser adquiridos para melhor compreender os passos e as movimentações dos diferentes estilos de dança.

  • Postura: uma boa postura é essencial para uma dança confortável e eficaz. Nas danças de salão, as várias partes do corpo estão alinhadas. Assim, a cabeça deve estar na vertical, com o queixo paralelo ao solo. Os ombros afastados das orelhas (estando direcionados para baixo e para trás), e o peito elevado. A posição das ancas deve permitir uma curva natural da coluna. O peso do corpo deve estar bem distribuído pelos dois pés.
  • O princípios de condução: nas danças de salão, o homem é o condutor da dança, enquanto a mulher se deixa conduzir. Nas danças, a ligação é feita através do ponto de contacto entre os dois dançarinos (ou ponto de conexão). No entanto, para conduzir não basta tocar simplesmente no seu par feminino ou segurar-lhe a mão.

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AERÓBICA:

 

As frases musicais podem ter 8, 16, 32 ou 64 tempo, mas as mais habituais e melhores de serem usadas nas aulas, são as músicas “quadradas”, ou seja, com frases musicais de 32 tempos. Isto deve-se ao facto de as músicas “quadradas” serem, além de mais facilmente acompanhadas pelos alunos, melhores para montar coreografias. Além disso, esta abordagem facilita o processo de avaliação porque padroniza os movimentos permitindo a comparação de performance entre alunos. Porém, deixa de ser uma forma de exploração da expressão corporal de forma pessoal e individual. Trata-se não só de movimentos balizados por músicas quadradas como os próprios passos básicos (habilidades motoras específicas da aeróbica), tornam o movimento fechado enfatizando o preciosismo da forma e a rigidez dos padrões motores.

linha divisóriaEDUCAÇÃO FÍSICA HEURISTICA

estilos de ensino organograma

DANÇA E EUTONIA:

 

A educação somática é um campo emergente de conhecimento de natureza interdisciplinar que surgiu no século XX, protagonizado por profissionais das áreas da saúde, da arte e da educação. (…) O campo compreende diversos métodos de trabalho corporal, na sua maioria criados na Europa e nos EUA no início do século XX, propondo novas abordagens do movimento, a partir de pressupostos que divergem da visão mecanicista do corpo (EF algorítmica). Os seus criadores, muitos deles motivados pelo desejo de se curarem, rejeitaram as respostas oferecidas pela ciência dominante, passaram a investigar o movimento nos seus próprios corpos. Assim, esses pioneiros, Moshe Feldenkrais (Método Feldenkrais), Ingmar Bartenieff (Método Bartenieff), Gerda Alexander (Eutonia), Mathias Alexander (Técnica de Alexander), Ida Rolf (Rolfing), Mabel Todd (Ideokinesis), Bonnie Bainbridge-Cohen (Body-Mind Centering), entre outros, criaram as suas teorias baseadas nas suas próprias experiências. Os seus métodos mostraram-se eficientes e, por esses motivo, disseminaram-se nas décadas seguintes.

Estes pioneiro formularam algumas questões para as quais procuraram respostas inovadoras:

  • Como se dá o movimento no corpo?
  • Quais as relações entre corpo e mente?
  • O que é a perceção e como é que ela opera?
  • Quais as relações entre a perceção e o movimento no corpo?
  • Qual a importância das emoções neste circuito?

O encontro com a educação somática deu-se num momento muito especial em que ocorria uma saturação dos modelos da dança moderna e do preciosismo da forma. Este encontro provocou importantes mudanças na maneira de pensar o corpo na dança:

  • reivindicou o respeito pelos limites anatómicos do corpo,
  • estimulou a exploração de novos padrões de movimento
  • questionou modelos e conceções bastante firmadas pela tradição acerca do treino corporal. (…)
  • esta nova filosofia do movimento entendia que o corpo deveria ser livre e compreendido em relação com os seus próprios mecanismos explorando os territórios do imaginário e do sensível (…).

O meu objetivo profissional como educador físico, privilegia sobretudo uma abordagem heurística que se identifica totalmente com a perspetiva anterior que enfatiza um corpo livre para explorar os territórios do imaginário e do sensível – o encontro entre a educação somática e a dança.

 

A experimentação e improvisação interessavam como método para investigar novos padrões de movimento, novos reportórios (…). O corpo está diretamente implicado no conhecimento do mundo – a maneira como se experiencia o mundo interfere determinantemente no que se conhece. Então, uma vez que a experiência é algo individual, que pode ser apenas parcialmente partilhada, é impossível uniformizar o conhecimento de cada corpo diante do mesmo objeto ou evento. O corpo não é um ambiente passivo que reage ao mundo de maneira sempre previsível, é um ambiente ativo que constrói novos conhecimentos e comportamentos na interação com o mundo, em tempo real.

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DANÇA EXPRESSIVA:

Mónica Teixeira orientou uma oficina de dança (10.º CNEF) no passado dia 9 de julho no âmbito do 10º CNEF, numa perspetiva que me encantou em particular, porque evoluiu segundo o modelo de uma educação física heurística. A Professora Mónica Teixeira abordou a dança na escola segundo uma proposta metodológica baseada nas 9 ações motoras de Luís Xarez Rodrigues. Embora não seja uma abordagem eutónica na verdadeira acessão da palavra, permite a exploração do corpo e ritmo de forma mais livre e espontânea. Não se trata de uma abordagem eutónica mas explora o movimento de forma livre e criativa.

A observação e análise sistemática do comportamento motor em dança revela-nos as seguintes nove categorias comportamentais: posturas, equilíbrios, saltos, voltas, deslocamentos, passos, gestos, quedas e contactos, tendo sido utilizados como critérios diferenciadores o tipo de apoio e os traços identificadores de grupos de movimentos associados por características comuns.

  1. Posturas: incluem-se nesta categoria todos os momentos de imobilidade definida, englobando as posições de partida e outras figuras típicas, excluindo-se as que se realizam sobre apoio reduzido. Critério-chave: ausência de movimentos.
  2. Equilíbrios: incluem-se nesta categoria todos os momentos de imobilidade definida, realizados sobre apoio reduzido. Critério-chave: apoio reduzido.
  3. Gestos: incluem-se nesta categoria todos os grupos de movimentos de transporte do corpo, realizados com três ou mais apoios similares. Cirtério-chave: apoio cíclico.
  4. Deslocamentos: incluem-se nesta categoria todos os grupos de movimentos de transporte do corpo, realizados com três ou mais apoios similares. Critério-chave: apoio cíclico.
  5. Passos: incluem-se nesta categoria todos os grupos de movimentos relacionados por típicas transferências de peso realizados entre os apoios. Critério-chave: transferência de peso.
  6. Saltos: incluem-se nesta categoria todos os grupos de movimentos caracterizados pela presença de uma fase intermédia de total ausência de apoio. Critério-chave: ausência de apoio.
  7. Voltas: incluem-se nesta categoria todos os grupos de movimentos caracterizados pela existência de uma mudança de direção, com rotação igual ou superior a noventa graus. Critério-chave: mudança de direção.
  8. Quedas: incluem-se nesta categoria todos os grupos de movimentos caracterizados por perda momentânea de estabilidade e a sua recuperação de modo controlado, com transferência de peso específica ao nível do apoio. Critério-chave: perda de estabilidade.
  9. Contactos: incluem-se nesta categoria todos os grupos de movimentos caracterizados pelo contacto físico com pessoas ou objetos, em que o aspeto relacional é determinante para a execução dessas ações. Critério-chave: contacto.

Gostei muito desta abordagem que me fez sentir livre na forma de abordar o movimento, o corpo e o ritmo expressivo…

Bibliografia:

  • Luís Xarez Rodrigues, “Dança na escola: proposta metodológica com base nas ações motoras”: PDF

Bibliografia complementar:

  • José António de Oliveira Lima (2010); “Educação somática: limites e abrangências”; Pro-Posições, Campinas; Vol. 21; n.º 2(62); maio-agosto 2010; pp. 51-68: PDF

  • Marcílio Souza Vieira (2015); “Abordagens Somáticas do Corpo na Dança”; Revista Brasileira Estudos Presença; Vol. 5; n.º 1; jan-abril 2015; pp. 127-147: PDF

  • (…); “A importância da dança no processo Ensino Aprendizagem – a dança aprimorando as habilidades báicas, dos padrões fundamentais do movimento”: PDF
  • Adriana Di Marco Neves; “Dança e Psicomotricidade: Propostas do ensino da Dança na escola”: PDF

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