Apontamento Pessoal sobre o 10º CNEF

linha vermelhaprojeto educação físsica XXI mundo social10 CNEF 1

Decorreu nos passados dias 7, 8 e 9 de julho de 2016 o 10º CNEF (Congresso Nacional de Educação Física) na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto subordinado ao tema “Contextos Profissionais Diferentes, Princípios e Valores Comuns?”. Decidi este ano fazer-me sócio da SPEF (n.º 1563) e propor a apresentação de uma comunicação para o 10º CNEF na Categoria de Boa Prática Profissional a qual se intitula “O Mito do Professor Eficaz, modelo SCARF de funcionamento do cérebro humano que facilita a colaboração na aula de educação física!”. Foi a minha primeira participação num CNEF e fi-lo apenas agora porque acredito que reuni suficiente informação, experiência e confiança para poder partilhar com os meus colegas a minha opinião e perspetiva para a Educação Física no o Século XXI. A minha apresentação estava enquadrada na área da Educação Física e foi partilhada na manhã do dia 8 de julho pelas 9:15 horas na sala 3 da FADEUP. Não criei muitas expectativas porque durante a minha carreira como professor, tenho verificado que as ideias divergentes criam alguma dissonância cognitiva e desconforto naqueles que as não dominam ou conhecem. Porém, para minha surpresa, a comunicação foi bastante apreciada. Obviamente que foi bastante gratificante receber este reconhecimento até porque tenho investido muito na procura de soluções para os crescentes desafios que enfrento na sala de aula. Para reforçar esta gratificação e reconhecimento pessoal, acabei por ser presenteado, sem disso esperar, com uma “Menção Honrosaatribuída pela Comissão Científica relativa à comunicação oral.

  • Programa de Comunicações Livres: PDF
  • Descarregar o Livro do 10º CNEF: PDF
  • Carta de apresentação: PDF
  • Página do CNEF: aqui

linha vermelhaabertura cerimónia

logo-CNAPEF SPEF

Foi um momento importante para escutar os vários intervenientes e poder compreender quais as suas opiniões sobre possíveis caminhos para a Educação Física Escolar. Obviamente que senti maior ressonância e identificação com algumas mensagens que estão mais alinhadas com a minha perspetiva da Educação Física para o Século XXI.

É muito gratificante estar em contacto com uma comunidade ou família que se reúne para conversar sobre a identidade profissional e os valores que nos unem. Nunca é demais louvar e enaltecer o esforço da SPEF,  CNAPEF e a EUPEA no sentido de valorizar a motricidade humana nas suas várias dimensões de intervenção.

mesa de abertura

EUPEA claude 2

link para a EUPEA: clique aqui

linha vermelha

workshops

Inscrevi-me nos seguintes workshops temáticos que respondiam à minha necessidade de  formação:

WS1

padrinho_ruigargantaRui Garganta, professor associado da UP, fez uma apresentação muito interessante dentro do contexto do treino funcional, área essa que também tenho investigado porque está muito relacionada com a metodologia que preconizo para a Educação Física do Século XXI. A sua apresentação feita com humor, desconstruiu muitos dos pressupostos relativos ao atual paradigma que apresenta o exercício (organização) e a avaliação (baterias de testes), fundados numa análise que carece de revisão e análise científica.

WS 2

Henrique Jonatas, Professor de Educação Física no Agrupamento de Escolas de Benfica, Treinador de Rugby no CDUL e Colaborador do Gabinete de Desporto da Universidade NOVA de Lisboa apresentou o Erasmus+, um programa da Comissão Europeia, no domínio da Educação, Formação, Juventude e Desporto. O programa Erasmus+, no âmbito das atividades físicas e desportivas subdivide-se em 3 ações – chave:

  1. Ação Chave 1: Mobilidade individual para fins de aprendizagem;
  2. Ação Chave 2: Cooperação para a Inovação e o intercâmbio de boas práticas;
  3. Ação Chave 3: Apoio à reforma das políticas.

ERASMUS +

O Erasmus + no âmbito do desporto, financia as ações de:

  1. Parcerias de Colaboração;
  2. Pequenas Parcerias de Colaboração (novidade);
  3. Eventos desportivos europeus sem fins lucrativos (no âmbito da semana Europeia do Desporto).

WS 3

Mónica Teixeira orientou esta oficina de dança numa perspetiva que me encantou em particular porque evoluiu segundo o modelo de uma educação física heurística. A Professora Mónica Teixeira abordou a dança na escola segundo uma proposta metodológica baseada nas 9 ações motoras de Luís Xarez Rodrigues.

EDUCAÇÃO FÍSICA HEURISTICA

A observação e análise sistemática do comportamento motor em dança revela-nos as seguintes nove categorias comportamentais: posturas, equilíbrios, saltos, voltas, deslocamentos, passos, gestos, quedas e contactos, tendo sido utilizados como critérios diferenciadores o tipo de apoio e os traços identificadores de grupos de movimentos associados por características comuns.

  1. Posturas: incluem-se nesta categoria todos os momentos de imobilidade definida, englobando as posições de partida e outras figuras típicas, excluindo-se as que se realizam sobre apoio reduzido. Critério-chave: ausência de movimentos.
  2. Equilíbrios: incluem-se nesta categoria todos os momentos de imobilidade definida, realizados sobre apoio reduzido. Critério-chave: apoio reduzido.
  3. Gestos: incluem-se nesta categoria todos os grupos de movimentos de transporte do corpo, realizados com três ou mais apoios similares. Cirtério-chave: apoio cíclico.
  4. Deslocamentos: incluem-se nesta categoria todos os grupos de movimentos de transporte do corpo, realizados com três ou mais apoios similares. Critério-chave: apoio cíclico.
  5. Passos: incluem-se nesta categoria todos os grupos de movimentos relacionados por típicas transferências de peso realizados entre os apoios. Critério-chave: transferência de peso.
  6. Saltos: incluem-se nesta categoria todos os grupos de movimentos caracterizados pela presença de uma fase intermédia de total ausência de apoio. Critério-chave: ausência de apoio.
  7. Voltas: incluem-se nesta categoria todos os grupos de movimentos caracterizados pela existência de uma mudança de direção, com rotação igual ou superior a noventa graus. Critério-chave: mudança de direção.
  8. Quedas: incluem-se nesta categoria todos os grupos de movimentos caracterizados por perda momentânea de estabilidade e a sua recuperação de modo controlado, com transferência de peso específica ao nível do apoio. Critério-chave: perda de estabilidade.
  9. Contactos: incluem-se nesta categoria todos os grupos de movimentos caracterizados pelo contacto físico com pessoas ou objetos, em que o aspeto relacional é determinante para a execução dessas ações. Critério-chave: contacto.

Gostei muito desta abordagem que me fez sentir livre na forma de abordar o movimento, o corpo e o ritmo expressivo…

Bibliografia:

  • Luís Xarez Rodrigues, “Dança na escola: proposta metodológica com base nas ações motoras”: PDF

Bibliografia complementar que pesquisei:

  • José António de Oliveira Lima (2010); “Educação somática: limites e abrangências”; Pro-Posições, Campinas; Vol. 21; n.º 2(62); maio-agosto 2010; pp. 51-68: PDF

  • Marcílio Souza Vieira (2015); “Abordagens Somáticas do Corpo na Dança”; Revista Brasileira Estudos Presença; Vol. 5; n.º 1; jan-abril 2015; pp. 127-147: PDF
  • (…); “A importância da dança no processo Ensino Aprendizagem – a dança aprimorando as habilidades báicas, dos padrões fundamentais do movimento”: PDF
  • Adriana Di Marco Neves; “Dança e Psicomotricidade: Propostas do ensino da Dança na escola”: PDF

linha vermelhatestemunhos mais importantes

Intervenções com as quais me identifiquei!

PLATEIA 2

 

Deborah Tannehill 1Deborah Tannehill é professora titular do Departamento de Educação Física e Ciências do Desporto na Universidade de Limerick, na Irlanda (UL). Ela é Directora de Curso para a Pós-Graduação em Educação-Física Educação e Co-Directora do centro de investigação da Educação Física, Atividade Física e do Desporto Juvenil (PEPAYS).

Algumas das afirmações que fazem muito sentido na  minha perspetiva e foram proferidas por Deborah Tannehill:

“(…) as opções curriculares precisam refletir os interesses e personalidades dos estudantes, a cultura da escola e os recursos da comunidade”.

“O modelo da Velha sala de aula simplesmente não se adequa às nossa necessidades atuais em mudança. É fundamentalmente uma forma passiva de aprender enquanto o mundo exige formas mais ativas de processar a informação (Salman Khan)”.

“Propõe que os professores de educação física devem orientar a sua abordagem em função do aluno em vez de uma abordagem centrada nas matérias, colocando a aprendizagem dos alunos no coração do ensino”.

“(…) convidamos outros a imaginar, desenhar, implementar e avaliar novos modelos e teorias de mudança que ajudem a refundar e transformar a Educação Física”.

  • Tannehill, D., et al. (2015), “Building effective physical education programs”. Burlington: MA: Jones and Bartlett Publishers. 

 

painel4

Luís Bom, João Ramalho, João Costa, José Soares.

José Soares: afirmou, por outras palavras, que a academia está sobretudo concentrada na produção de publicações e afastou-se da realidade prática dos professores de Educação Física. Afirmou também que a Educação Física se deve complementar sobretudo pelas competências suaves, ou seja utilizar as atividades físicas, jogos e dinâmicas de grupo para trabalhar a colaboração, cooperação, relações interpessoais e autonomia, competências solicitadas pelas organizações.

Vídeo de José Soares: ver mais.

ESCOLA FELIZ POSITIVA 4

Este é o modelo que proponho para o desenvolvimento de uma EF (motricidade) multidimensional

Concordo mais com a perspetiva de José Soares e a minha apresentação oral propôs um modelo de intervenção na aula de EF que procura desenvolver as capacidades fundamentais para o século XXI:

  • Criatividade;

  • Inovação;
  • Pensamento crítico;
  • Resolução de problemas;
  • Tomada de decisões;
  • Comunicação;
  • Colaboração;
  • Investigação;
  • Questionamento;
  • Flexibilidade e adaptabilidade;
  • Iniciativa e autonomia.

Na minha opinião, a nossa identidade está relacionada com o corpo e o movimento. O nosso corpo e o seu movimento não são um fim em si mesmo, mas um meio para a realização pessoal (Afetivo e Social). O nosso corpo é um instrumento provisório que nos permite interagir nesta realidade durante um período de tempo limitado. Durante este tempo de vida, a motricidade humana serve, como afirma Manuel Sérgio, para “procurar a libertação dos corpos, rumo à transcendência!”. Cabe a cada professor criar o seu perfil profissional individual em função das suas necessidades e desafios encontrados na sua vivência prática, no contexto sócio-cultural onde atua, ao longo da sua carreira como educador/professor. É importante, na minha opinião, criar uma unidade na diversidade que assenta em pressupostos básicos mas que pode divergir.

organograma

Por exemplo, durante a conferencia um dos congressistas referiu que a biologia seria uma área de conhecimento fundamental na formação do profissional da motricidade humana. Porém, a biologia pode permitir uma análise do corpo e do movimento segundo muitas dimensões. Atualmente a biologia fundamenta-se no modelo tradicional anatomofisiológico, bioquímico e molecular. A atual abordagem académica está enraizada no paradigma cartesiano e como tal pressupõe que a biologia (corpo) é uma realidade separada da mente. O novo paradigma holístico tem vindo a propor novos ramos da biologia que mostram novas dimensões de análise que enfatizam a UNIDADE MENTE CORPO,  como por exemplo:

  • Mecanobiologia;
  • Psiconeuroimunologia;
  • Biofísica Informativa Quântica (Biologia ondulatória e/ou não particulada);
  • etc…

Terá que haver uma atualização de paradigma, já enfatizado por Manuel Sérgio, para que seja possível integrar todas as áreas que abordam o corpo nas suas várias dimensões, caso contrário não será possível.

linha vermelhaadn educacao física lab

mito do profesor eficaz

Modelo SCARF de funcionamento do cérebro humano que facilita a colaboração na aula de educação física.

tema educacao fíica

Metodologia da Educação Física baseada no modelo SCARF

capa livro modelo scarfDescarregue o manual gratuitamente: PDF
Descarregue os slides power point em PDF

linha vermelha

Debater Problemas ou Sintomas?

negaçãoQuando queremos resolver um problema (desafio), se tratarmos os sintomas em vez de agirmos sobre o problema, acabamos por criar mais camadas de ilusão sobre o problema. A procura da eficácia (perfecionismo) e o paradigma do “Professor e do Ensino Eficaz” (O professor Invulnerável), pode enquadrar-se naquilo que Luísa C. Fernandes (2008), designa por “crenças irracionais e pensamentos negativos”. O impacto dos fatores de mal-estar docente nos professores está muito dependente das suas cognições. O tipo de crenças relacionadas com o perfeccionismo do professor, em que ele é um detalhista, rígido, precisando de ser constantemente aprovado, nunca cometer erros e ter um controlo absoluto sobre todas as situações que ocorrem em sala de aula, predispõe os professores ao mal-estar docente.

Porquê este título? O mito do professor eficaz?

 

Por norma, tenho tentado ser um professor eficaz (perfecionista), tal como o caracteriza Francisco Carreira da Costa (1984).  Procuro estruturar a atividade dos alunos de maneira a mantê-los o maior tempo possível empenhados (tempo na tarefa), informando-os clara e concisamente sobre o que fazer, onde e porquê” (Bom Gestor de Recursos: Humanos, Materiais e Temporais). Porém, embora tenha assumido este perfil de “bom gestor” (procurando transformar o tempo útil em mais tempo potencial de aprendizagem), assumindo as decisões de pré-impacto, impacto e pós-impacto, tenho sentido muita dificuldade em promover aprendizagens e sobretudo, em manter os alunos interessados e empenhados nas atividades! Cada vez mais me deparo, com um número crescente de aulas não realizadas pelos alunos (motivadas por faltas de material, faltas de presença e dispensas às aulas), que mostram claramente um crescente falta de interesse e motivação para prática do exercício físico nos moldes como o proponho (“refém do programa cujos objetivos e conteúdos estão vinculados ao modelo desportivo”)… Porquê? Ou seja, não consigo fazer com que os alunos se sintam bem na escola, na aula e também com as aprendizagens. Além disso, os conflitos e tensões entre os alunos e o professor aumentaram.

Embora invista numa constante atualização, propondo incluivé atividades diferentes (…), a deterioração do clima das aulas, a falta de interesse e afastamento dos alunos, em nada traduzem o meu esforço e dedicação.

  • Serei eu um professor ineficaz?
  • Serei eu incompetente?
  • Serei eu um professor de baixo desempenho?

É frequente questionar-me sobre a validade do meu trabalho porque é frustrante e desgastante investir tanta energia e dedicação e verificar que os alunos terminam o ciclo de estudos não sendo tangível os efeitos ou ganhos?!… Mais ainda, as estatísticas mostram claramente que o número de jovens e adultos que se envolvem em atividades físicas ou em estilos de vida saudáveis e ativos, depois de terminarem os estudos, é muito reduzido o que traduz uma falta de eficácia dos professores de educação física.

Bibliografia:

  • Livro Verde da Aptidão Física – PDF.
  • Livro Verde da Atividade Física – PDF.
  • PNAF – PDF.
  • Livro Branco Sobre o Desporto – PDF.

Muitos dos atuais desafios que enfrento na sala de aula, podem-se antecipar, mas não se podem planear, uma vez que dependem dos padrões e estados emocionais dos alunos e do professor e apelam mais à sua “Maturidade Emocional” (Literacia Emocional) do que à sua “Competência Técnica”.

linha divisória

jose-gil-filosofoSó existe invenção, inovação, produção criativa deixando margem para o imprevisível, o inavaliável, a irrupção da singularidade!…

Filósofo Português: José Gil

linha divisória

Com base na minha experiência, é cada vez mais difícil “dar aulas”, e os desafios não advém da maestria de competências técnicas (académicas / pedagógicas), mas sobretudo dos desafios colocados pelo atual perfil de alunos que nos confrontam até aos limites da nossa resiliência. É impossível “dar aulas” quando aqueles que as recebem, não estão minimamente interessados no conteúdo, na forma e no processo. Se, além da disciplina não contar para a média, se instituísse que só iriam às aulas de EF os alunos que quisessem, quantos alunos teríamos nós nas aulas tendo em consideração o tipo de serviço que prestamos?

jose PachecoJosé Pacheco fez a seguinte pergunta: “Porque é que damos a aula tão bem dada e há alunos que não aprendem?” – descobrimos a resposta: se nós dávamos as aulas e eles não aprendiam, eles não aprendiam porque nós dávamos a aula”.

modelo scarf

O modelo SCARF fundamenta-se nas neuro-ciências as quais sublinham que o princípio organizador do cérebro se ajusta em função de uma resposta de aproximação ou afastamento. Apercebi-me que, os pressupostos de eficácia e a forma como procuro chegar aos alunos, seguindo as orientações do programa e o modelo tradicional de relação pedagógica, expositivo, discursivo, centrado na transmissão do saber do professor para os alunos, que privilegia a obediência e a uniformidade, promove fundamentalmente um maior afastamento dos alunos em vez do gosto, motivação, envolvimento, colaboração e aproximação.

O modelo envolve cinco domínios da experiência social humana que ativam estes dois mecanismos de resposta comportamental de afastamento ou aproximação:

  • Estatuto
  • Segurança
  • Autonomia
  • Pertença (filiação)
  • Justiça (equidade)

Ou seja, como professor, utilizo um modelo de ensino que exacerba o foco no controlo externo (obediência), e promove nas crianças e jovens fortes emoções de ansiedade, medo e desamparo. Os jovens assumem dois tipos de resposta, ou se retiram, afastando-se (depressão), ou criam mecanismos de defesa para fazer face às “agressões externas”.

Qual a minha proposta para a resolução deste problema? Como é que as aulas de Educação Física podem “promover o desenvolvimento do espírito democrático e pluralista, respeitador dos outros e das suas ideias, aberto ao diálogo e à livre troca de opiniões, formando cidadãos capazes de julgarem com espírito crítico e criativo o meio social em que se integram e de se empenharem na sua transformação progressiva” (Lei de Bases do Sistema Educativo Lei nº 49/2005 de 30 de Agosto).

José Pacheco, “não temos problemas de aprendizagem mas de Ensinagem!”

preconceito da média

Lei nº 46/86 de 14 de Outubro Lei de Bases do Sistema Educativo; Artigo 3.º PRINCÍPIOS ORGANIZATIVOS – O sistema educativo organiza-se de forma a: b) Contribuir para a realização do educando, através do pleno desenvolvimento da personalidade, da formação do carácter e da cidadania, preparando-o para uma reflexão consciente sobre os valores espirituais, estéticos, morais e cívicos e proporcionando-lhe um equilibrado desenvolvimento físico; d) Assegurar o direito à diferença, mercê do respeito pelas personalidades e pelos projetos individuais da existência, bem como da consideração e valorização dos diferentes saberes e culturas.

ciencia do individuo

A Ciência do Indivíduo!

( Todd Rose et al. (2013) “The Science of the Individual”, Mind, Brain, and Education). O nosso argumento é que os indivíduos se comportam, aprendem e se desenvolvem de formas muito distintas, mostrando padrões de variabilidade que não são capturados pelos modelos que se baseiam nas médias estatísticas (“Mito do Professor Eficaz”). Desta forma, qualquer tentativa significativa que procure desenvolver a ciência da individuo começa necessariamente por ter em consideração a variabilidade individual que é pervasiva em todos os aspetos do comportamento e em todos os níveis de análise. A ciência do grupo é um pobre substituto para uma verdadeira ciência do individual. Os modelos tradicionais assumem com frequência que as conclusões acerca da população se podem, automaticamente, aplicar a todos os indivíduos. Este pressuposto é simples, compreensível e necessário para justificar o uso das médias para se compreender os indivíduos. PORÉM TAMBÉM É ERRADO (L. Todd Rose, 2013)!… Ao longo das últimas duas décadas, uma acumulação significativa e substancial de evidências tem vindo a mostrar a dificuldade em se inferir o que quer que seja acerca dos indivíduos a partir de conclusões tiradas com base numa população ou amostra. Molenaar (2004) argumenta que tais inferências só são possíveis em condições muito estritas designadas por pressupostos ergódico que nunca se adequam para os indivíduos. Para além disso, as evidências são crescentes e vão no sentido de provar que, com maior frequência, do que e pode supor, as conclusões tiradas com base em amostras, representam na melhor das hipóteses, um pequeno conjunto de indivíduo. No pior dos casos, são artifícios estatísticos que não representam ninguém. Este é um MUITO FORTE ARGUMENTO para que a Educação Física abandone a PEDAGOGIA da MÉDIA e o “Mito do Professor Eficaz”, que visa ensinar a muitos como se fossem um só, e comece a PERSONALIZAR os seus serviços.

Bibliografia:

  • Todd Rose, Parisa Rouhani and Kurt W. Fisher (2013), “The Science of the Individual“; Mind, Brain and Education: PDF

O professor deixa de “dar aula”, passa a facilitar aprendizagens!…

personal training

Operacionalizar o PT na aula de EF – Documento em PDF

Materiais didáticos para a aula de EF: PDF

personal-o-que

Como treinar as competências suaves na aula de educação física, motivar os alunos, desenvolver as capacidades fundamentais para o século XXI, desenvolver a autonomia e sobretudo orientar a abordagem na aula em função do aluno, colocando a aprendizagem dos alunos no coração do ensino?

 

operacionalizar o PT na aula de educacao fisicaA minha proposta inclui a introdução do “personal training“: os alunos formam grupos de 2 ou 3, pesquisam, escolhem o modelo de exercício e o tipo de modalidade. As competências relacionadas com a Inteligência Social, a Inteligência Emocional e Inteligência Corporal Cinestésica estão implícitas neste modelo. Os alunos prescrevem com a supervisão do professor (Tutor – Facilitador), o plano de treino individual para o colega do grupo o qual ajuda e vice-versa. Os alunos realizam/aplicam os planos em parceria, supervisionam e avaliam-se mutuamente.

linha vermelhaencerramento 3

encerramento

Diretor da FADEUP, António M. da Fonseca; Secretário de Estado da Educação, João Costa; Presidente da SPEF, Nuno Ferro; Presidente da CNAPEF, Avelino Azevedo; Presidente da Comissão da Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da Republica, Alexandre Quintanilha.

o que mudou nos ultimos 6 meses1

CONSULTAR A PÁGINA DO 10 CNEF

Passados mais de 6 meses com este novo Governo o que de essencial mudou para a Educação Física. A resposta é fácil – pouco ou quase nada.

As medidas levadas à prática pelo anterior Ministério de Educação e Ciência de Nuno Crato com impacto direto na Educação Física das nossas escolas continuam inalteradas, iguais a setembro de 2015 com o governo PSD/CDS. Referimo-nos especificamente:

  • à Avaliação da Educação no Ensino Secundário. Não havendo qualquer razão científica, social ou moral que justifique a tomada de decisão do anterior governo em tornar a EF a única disciplina do Ensino Secundário que não deverá ser contabilizada para finalização do Ensino Secundário ou para o cálculo da média ao Ensino Superior, porque espera este novo Governo para tomar uma medida?
  • à integração da Educação Física no grupo curricular das Expressões e Tecnologias no 3º ciclo do Ensino Básico. Está prevista alguma mudança no 139/2012 no sentido de retirar a EF desta área e colocar como condição um mínimo de 135 minutos semanais, para todos os alunos de todas as escolas públicas em Portugal? Segundos os nossos dados, em 2014  21,4% das escolas no Ensino Básico e 23,4% das escolas no Ensino Secundário reduziram a sua carga horária, significando em muitos casos menos 5 semanas de aulas de EF em cada ano letivo para esses alunos. Em 2016 acreditamos que estes números ainda sejam maiores, para não falar das muitas escolas que continuam a lecionar um tempo de Educação Física semanal no 3º ciclo, ao abrigo do Dec. de Lei 139/2012.

E não nos podemos esquecer da Educação Física no 1º Ciclo. No programa do Governo podemos encontrar uma série de intenções relacionados com o currículo do séc. XXI, currículo abrangente e eclético para todos e escola como uma forma de promoção da equidade social. Sendo assim, para quando a sua efetivação em todas as escolas públicas em Portugal?

Ou seja, os maiores problemas da Educação Física continuam por resolver e os compromissos assumidos por este Governo continuam por cumprir. 

O que podemos fazer? Várias iniciativas. Uma delas passou por marcar presença no 10º Congresso Nacional de Educação Física nos passados dias 7, 8 e 9 de julho de 2016. Temos não só que reivindicar junto dos membros da tutela e dos vários partidos políticos que vão estar no congresso o cumprimento dos compromissos assumidos, como temos que encontrar formas de reforçar a nossa identidade profissional e a nossa contribuição muito essencial e específica para o desenvolvimento da sociedade portuguesa.

 

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