PARKOUR – Escola de Vida!…

linha vermelhaexplorar o corpolinha vermelhamétodo natural

coubertin versus hébertPIERRE DE COUBERTINgeorges hébert 1metodo natural

  • HÉBERT G. : L’Éducation Physique ou l’Entrainement Complet par la Méthode Naturelle – Historique documentaire. Paris, Librairie Vuibert, 1941 (10e éd., revue et augmentée), 250 pp., p. 175.

Desde miúdo que saltar muros, trepar árvores, pular de galho em galho, atirar-me de prédios em construção – alturas confortáveis – para cima de montes de areia, entre outras proezas faziam parte do meu reportório de exploração dos meus limites. João Judo 5Trepar e descer encostas rochosas íngremes, correr em cima de pedras tentando progredir em espaços aparentemente adversos à corrida recorrendo ao equilíbrio, coordenação e orientação espacial, permitiram ganhar grande agilidade, preparação física e sobretudo auto-confiança. Nessa altura, este tipo de atividades espontâneas não tinham nome, eram apenas formas de expressão motora usadas despreocupadamente e com o intuito de procurar a sensação de liberdade, satisfação e prazer. Também, através da prática do judo, pude reforçar estas qualidades físicas condicionais e coordenativas. No judo pude aprender a cair usando os ukemis (quedas) e a enrolar para dissipar a energia do corpo em contacto com o solo (Zempo-Ukemi), técnica muito usada no parkour, além de desenvolver a força, resistência e agilidade. Ou seja, a minha experiência física permitiu-me alcançar três objetivos que se enquadram no contexto do parkour:

  1. Auto-conhecimento: explorar novas formas de desenvolvimento do corpo no espaço e de descoberta e superação de limites pessoais.
  2. Auto-descoberta: Explorar formas fluídas e diferentes de relação do corpo com o espaço envolvente. Adquirir conhecimentos e competências que permitam organizar e desenvolver a destreza física na relação com os obstáculos naturais ou urbanos.
  3. Auto-superação: superar limites pessoais dentro da zona de conforto e segurança.

Na minha licenciatura em Educação Física e Desporto esta área de exploração corporal era e é desconhecida. Mesmo quando participei no Programa Erasmus e estive em Lyon na Université Claude Bernard (1990), constatei o boom dos chamados desportos californianos (Escalada a solo por exemplo), mas o parkour não tinha expressão académica. hebert-204x300Só mais tarde, como professor de Educação Física tomei conhecimento da obra de Georges Herbert, desportista e educador físico francês que desenvolveu o Méthode Naturelle – Método Natural de Educação Física ou MN. Pude constatar que, de certa forma, ele pode ser considerado um percursor do “parkour”, não na forma que o conhecemos hoje, mas os pressupostos físico-motores. “Etre fort pour être utile” ou “Ser forte para ser útil”. A sua obra exprime o fascínio pela potência misteriosa das populações exóticas, pois Hébert teria viajado extensivamente pelo mundo, tendo ficado impressionado com o desenvolvimento físico e as habilidades dos movimentos dos povos indígenas, africanos e de outros lugares. Nas palavras de Hébert: “Os seus corpos eram esplêndidos, flexíveis, ágeis, habilidosos, duráveis, resistentes e ainda nunca tiveram nenhum tutor em ginástica exceto pelo seu convívio com a natureza”. A força do “selvagem“, que de acordo com as teorias científicas do século XIX, pertenceria a “raças inferiores“, é resgatada e redimida pelas virtudes que possui, para modelar o desenvolvimento do homem e da mulher urbanos com processos “científicos” de apropriação das suas forças ocultas, pela imitação de seu modo de vida e da sua condição de existência. O parkour identifica-se muito com esta filosofia (Selva Urbana).

PK ESDICA1

PK ESDICA2Foi no ano letivo de 2013/2014 que decidi introduzir o parkour, realizando uma experiência com algumas turmas, substituindo a ginástica de solo e aparelhos por aquilo que designei por “Destrezas Motoras Gimnicas” (para facilitar a sua inclusão em função dos programas de Educação Física). Ou seja, abordei a ginástica na perspetiva do parkour e devo dizer que nalgumas turmas funcionou bem. No ano letivo 2014/2015, o aluno Leonardo Filipe (traceur), veio ao meu encontro, sabendo do meu interesse nesta disciplina, manifestando vontade em formar um grupo de parkour na escola. Reuniu os alunos interessados e dinamizou o grupo de forma autónoma. Obviamente que eu concordei e formalizei a ideia em termos institucionais submetendo à aprovação do Conselho Pedagógico que ratificou o projeto.

No passado dia 12 de maio, o traceur Leonardo Domingos, natural da Nazaré e praticante faz 7 anos, esteve presente no treino da escola em representação do “Tracing Project“, um grupo que pretende divulgar a modalidade na zona Oeste.


BRINCAR


Parkour Transforma a Brincadeira de Crianças num Treino Intenso para Graúdos.

O Parkour é dinâmico e fluido

Uma característica integral do parkour relaciona-se com o facto de empregar a corrida para ligar os movimentos, resultando em fluidez e suavidade que caracteriza esta disciplina dando-lhe o carácter apelativo e dinâmico. Esta é também uma das características mais difíceis de dominar porque exige tempo e treino. Os movimentos seguintes fazem parte do elenco básico da modalidade:

  • Corrida (horizontal e vertical, incluindo a repulsão a partir de paredes, etc);
  • Balanceamentos (correr sobre vedações, gradeamentos, etc)
  • Viragens (verticais ou horizontais, com ou sem salto)
  • Saltar | transpor (com ou sem fase de apoio, looping)
  • Aterrar (com rolamento, com precisão nos dois pés)
  • Suspensão e balanços (depois de saltar para um obstáculo)
  • Trepar (muros, árvores, etc)

brincar stwart Brown

PARKOUR (por vezes abreviado como PK) ou l’art du déplacement (em português: arte do deslocamento) é uma atividade cujo princípio é mover-se de um ponto ao outro, o mais rápida e eficientemente possível, usando principalmente as habilidades do corpo humano. Criado para ajudar a superar obstáculos de qualquer natureza no ambiente circundante, desde galhos e pedras até grades e paredes de betão, pode ser praticado em áreas rurais e urbanas. Os praticantes masculinos de parkour são reconhecidos como traceur e femininos como traceuses.


Novas formas de exercitação


Capital emocional

Quando os jovens não encontram motivação nas atividades desportivas formais, optam por criar as suas formas de expressão motora.

Nos estados unidos surgiu uma onda de criatividade que deu origem a uma forma livre de relação do corpo com o ambiente designada por “desportos Californianos” (Christian Pociello, 1987, “Desporto e Sociedade…”). Estas atividades criam uma trajetória social divergente e oposta (subcultura), da dos chamados desportos tradicionais ascéticos.

O modelo filosófico de vida e pedagógico baseado no “ascetismo¹“, no qual são refreados os prazeres mundanos, onde se propõe a austeridade na forma de relação com o corpo e o exercício físico, não se adequa à escola. O ritual da aula de Educação Física que segue a mesma rotina estereotipada, baseada nos mesmos pressupostos que se repetem desde o 2.º ciclo até ao final da secundária, apenas cria aversão e distanciamento. O modelo pedagógico ascético advoga implicitamente que as restrições impostas aos alunos, os movimentos codificados e o culto do esforço, trazem grande liberdade em várias áreas da vida dos alunos, tais como aumento da disciplina corporal e a capacidade de resistir a potenciais impulsos destrutivos na vida adulta.

O substantivo “ascetismo” deriva de um termo grego askesis (prática, treino ou exercício). Originalmente associado com qualquer forma de disciplina ou filosofia prática, o termo ascetismo significa alguém que pratica uma renúncia ao mundo com objetivo de adquirir um alto intelecto e espírito. Os atletas fazem-no como opção pessoal, mas os alunos precisam doutro tipo de abordagem, a da alegria, do gosto, do prazer e satisfação “Carpe Diem“, o fluir: Psicologia da Felicidade; Psicologia do Sucesso para contrariar a tendência formal e estereotipada das aulas de educação física (demasiado dependente de movimentos desportivos codificados).


Sucesso do Parkour


EDUCAÇÃO FÍSICA HEURISTICAAs atividades de free-running e parkour integram na sua praxis alguns elementos corporais da ginástica. O parkour, criado na França, parkour movimentosem Sarcelles, Lisses and Evry por David Belle, é uma atividade que se torna mais apelativa porque elimina a maioria dos formalismos da ginástica como o rigor do alinhamento corporal segmentar, permitindo maior liberdade de expressão.

O objetivo não passa somente pela adoção da forma mais eficiente de se deslocar de um ponto para outro, mas também incorporar elementos de pesquisa do novo, traçados diferentes que normalmente seriam muito improváveis de se fazer uma abordagem convencional ou clássica.

Razões para o sucesso da modalidade

Podemos enumerar da seguinte forma as várias características do parkour que a tornam numa modalidade de sucesso:

  • O praticante está livre das limitações espaciais e temporais para com as quais a maioria dos desportos e atividades se limita e baliza.
  • O parkour é uma expressão individual que visa o auto-aperfeiçoamento e pode ser realizado virtualmente em qualquer espaço e tempo.
  • Ao contrário da maioria dos outros desportos, não está confinado a um qualquer tipo de equipamento ou instalação.
  • O aspeto da performance desta disciplina é olhado pelos seus praticantes como um sub-produto bem-vindo, resultando do facto de ser praticado em locais centrais de fluxo de pessoas.
  • A ausência do elemento ou fator competitivo é compensado pelos desafios apresentados pela condição física ou restrições auto-impostas.
  • Apesar do elevado nível de individualismo, os praticantes normalmente identificam-se com grupos  de entreajuda e organizam-se através da internet.
  • Os movimentos (gestos técnicos), são aprendidos por tentativa e erro. Desta forma, cada indivíduo está no seu próprio território conhecido e pode fruir as conquistas que vai alcançando no seu próprio ritmo e segundo as sua própria natureza individual.

Parques de Parkour


parkour generations

Turning Point – Ver Vídeo


O Parkour na Escola


parkour 4 kids

parkour for schools

O Projeto Parkour Generations apresenta a sua proposta de Parkour nas Escolas:


O que dificulta o professor de dinamizar a aula com alegria e entusiasmo?


  • O programa está desfasado da realidade no que toca à motivação dos alunos;
  • Cansaço e saturação relativamente à repetição constante dos mesmos conteúdos anos e anos a fio (monotonia, falta de espaço para a criatividade divergente dos programas);
  • A ginástica de solo exige flexibilidade, força (relativa) e equilíbrio, grandes debilidades nos nossos alunos;
  • demasiado formalismo das posturas gimnicas e a forma rígida de utilizar o corpo não é apelativa em jovens que querem sentir liberdade de expressão motora;
  • As posturas rígidas da ginástica nada tem a ver com a forma natural, flexível e desenvolta de utilizar o corpo no dia-a-dia, na superação de obstáculos. A ginástica exige uma postura artificial;
  • Crença no formalismo postural pelo trabalho repetido do alinhamento segmentar da coluna que supostamente facilita a aquisição de uma postura mais ereta e saudável aos alunos. Porém esquecemo-nos que a postura reflete o nosso estado psico-emocional. A verticalidade e integridade tensional da coluna está relacionada com a integridade emocional e esta só se trabalha através da alegria, do afeto e do resgate da autoestima (embora um trabalho funcional ou a quiroprática possam promover uma correção biomecânica e cinesiológica signifiativa);
  • A decomposição dos elementos gímnicos em etapas de progressão de aprendizagem, importantes e facilitadoras da aquisição das destrezas motoras de suporte aos elementos gímnicos, são vistas com desconfiança e falta de interesse pelos jovens que preferem a regra do “tudo ou nada“;
  • Muitas Unidades Didáticas (UDs) a abordar: reduzem o número de aulas por UD, não garantindo tempo que facilite uma curva de aprendizagem do simples ao complexo;
  • Inseguranças e medos dos professores (Luísa C. Fernandes, 2008): “Medo de não ser capaz de lidar com a desmotivação escolar dos jovens”; “Medo de ter alunos violentos (…) e não saber lidar com eles”;
  • Capital emocional: emaranhamento, sintomatologia depressiva nos jovens e a necessidade de motivação, empatia e liberdade interior.

É muito curioso verificar que o Parkour recupera a forma de exercitação desenvolvida por Georges Hébert em 1912 “Pratical Guide of Physical Education“. “O mundo é o nosso recreio“…


Vantagens do Parkour na escola:


  • A atividade em si é extremamente apelativa para os alunos;
  • O conceito e subcultura está muito enraizado na forma de estar e sentir dos jovens;
  • Transforma a abordagem pouco apelativa da ginástica desportiva (solo, aparelhos e acrobática), num conjunto de destrezas motoras gimicas (DMG), livres, fluídas, elegantes e cativantes, recriando de forma criativa e apelativa o conceito tradicional e formal da ginástica, que perde cada vez mais adeptos, numa dinâmica leve e renovada;
  • Permite, com poucos ou nenhuns recursos (investimento), para as escolas, socorrendo-se única e exclusivamente o material de ginástica existente ou do mobiliário urbano, transformar os recintos escolares em ginásios de treino ao ar livre;
  • Também permite, através da utilização dos equipamentos já existentes, recriar circuitos de obstáculos que desafiam e cativam os alunos;
  • Cria maior sensação de liberdade e desenvolve a auto-estima e auto-conceito quando se verificam progressos e melhorias nas capacidades físicas e coordenativas dos alunos;

Benefícios de Parkour



Através de uma combinação de exercícios polivalentes criados para explorar e melhorar atributos como propriocepção, coordenação, dinamismo, consciência espacial, equilíbrio e força funcional, bem como confiança e força mental, parkour traz uma grande transformação em qualquer praticante. benefícios do treinamento Parkour incluem:

  • Aumento da capacidade motora e coordenação
  • Aumento de fitness e força funcional
  • Aumento da agilidade e equilíbrio
  • Consciência espacial aumentado tanto para si mesmo e para os outros
  • Aumento da segurança no controle físico melhorou desde tenra idade
  • Interação lúdica e comunitária com os colegas de ambos os pais e filhos
  • Aumento de habilidades sociais, trabalho em equipe e habilidades de liderança
  • Melhoria da confiança física e mental através de desafio e de risco gerido
  • Grande diversão para todos!

Apoio Bibliográfico.


  • Australian Parkour Association; “Technique & Movement Tutorial”: PDF;

  • Daniel Llabaca; Freemove; “Inspiring Movement”: PDF;
  • George Hébert (1912); “Practical Guide of Physical Education”: PDF;
  • Geração Parkour: PDF;
  • Carmen Lúcia Soares (2003); “Georges Hérbert e o Método Natural: Nova Sensibilidade, Nova Educação do Corpo”; Rev. Bras. Ciênc. Esporte, Campinas; Vol. 25; N.º 1; pp. 21-39: PDF
  • Carmen Lúcia Soares; “natureza, Vida ao ar livre e educação física no início do século XX: Fragmentos da obra de Georges Hérbert”: PDF
  • Damien et al (2013), “Ground Reaction Forces and Loading Rates Associated with Parkour and Traditional Drop Landing Techniques; Journal of Sports Science and Medicine, 12, 122-129: PDF;
  • Regan J. Standing and Peter S. Maulder, (2015), “A Comparison of the Habitual Landing Strategies from Differing Drop Heights of Parkour Practitioners (Traceurs) and Recreationally Trained Individuals”; Journal of Sports Science and Medicine, 14, 723-131: PDF;
  • Clube de Parkour Escolar (2014/2015): PDF.
  • Rui Carvalho (2008); “O Parkour enquanto fenómeno (sub)cultural”; VI Congresso Português de Sociologia; UNL – FCSH: PDF;
  • Sport England; “Creating Safer Communities – reducing anti-social behaviour and the fear of crime through sport”: PDF;
  • Jesse Woody (2006); “Parkour Basics – A Compendium”; Crossfit Journal: PDF;
  • Jesse Woody (2006); “Parkour”; Crossfit Journal: PDF;
  • Jesse Woody (2006); “Environmental awareness and the roll”; Crossfit Journal: PDF;
  • Jesse Woody (2006); “Part 1: Two-Handed, Speed, and lazy Vaults”; Crossfit Journal: PDF;
  • Jesse Woody (2006); “Part 4: Tica-tac and Wall-Run”; Crossfit Journal: PDF;
  • Livro que utilizo para preparar a Unidade Didática de Destrezas Motoras Gimnicas (Parkour) na Escola: Sascha Rochhausen (2011),Teaching parkour Sports in School Gymnastics“…
  • Vídeo DVD:Once is Never – Training with Parkour Generations“…


Livro parkour e ginástica once-is-never-disc DVD

 


PK, Ferramenta de Coaching Pessoal


Olhar para os obstáculos como oportunidades.

A organização Global do Parkour Generations socorre-se da arte do free running para ajudar os membros da comunidade a explorar o seu potencial físico e mental que habitualmente desconhecem, aplicando-o nas suas vidas diárias de forma holística.

Conquistas e sucesso:

  • O PKG é super-apelativo, motivador e o esforço físico intenso é visto com agrado, interesse e desafiador (Como uma provação). Possui uma clientela heterogénea que adere de livre e espontânea vontade.
  • O programa Parkour Generations apresenta resultados extraordinários na diminuição da taxa de criminalidade entre jovens (< 60%), além de os interessar, cativar e orientar para os valores pessoais e sociais.

PK estilo mov

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