Hábitos de Felicidade!…


O que é a felicidade?


Não sou um especialista da “Felicidade” apenas alguém que procura da melhor forma, investir e viver num estado de felicidade. A definição de Felicidade do dicionário refere o “estado de quem é feliz; ventura; boa fortuna; dita; sorte; bom êxito; contentamento”. A felicidade reúne em si um conjunto de pressupostos como prosperidade, saúde, bem-estar, satisfação, prazer, alegria, realização pessoal e profissional.

Nós convencionamos que a felicidade depende da conquista de um conjunto de bens materiais, segurança e de “estabilidade” relacionadas com pressupostos materiais. Vejamos qual o “perfil de orientação à felicidade” dos Portugueses num estudo desenvolvido por Manuel Villaverde Cabral (1997), Doutorado em História e investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, “Cidadania Política e Equidade Social em Portugal”:

GÉNERO FEMININO:

  1. “Boa vida conjugal”;
  2. “Ter Dinheiro”;

GÉNERO MASCULINO:

  1. “Ter Dinheiro”;
  2. “Boa Vida Conjugal”.

Ter saúde” surge em terceiro lugar para ambos os sexos. Estes dados representam a realidade de há vinte anos atrás, contudo acredito que os valores que orientam as nossas vidas, os objectivos e prioridades que estatelemos não se alteraram muito, excepto as dificuldades que enfrentamos, e o caos social, económico e ambiental que nos afasta cada vez mais da felicidade, e acentua a angústia e o desespero.


As 4 dimensões da Felicidade:


  1. FELICIDADE GERAL: observada através da medida da satisfação com a vida como um todo e a existência de energia para efetuar as tarefas diárias.
  2. FELICIDADE HEDÓNICA: observada através da medida da avaliação positiva das pequenas coisas do quotidiano e da consideração dos maus momentos em cada dia.
  3. FELICIDADE SOCIAL: observada através da medida em que as pessoas avaliam que a sociedade em que vivem lhes permite realizar o seu potencial.
  4. FELICIDADE EUDAIMÓNICA: observada através da medida em que as pessoas avaliam a utilidade e valor das suas vidas, da satisfação consigo mesmos, de considerarem que a sua vida está cheia de experiências e desafios que o fazem crescer, da ligação com as outras pessoas à sua volta, da possibilidade de resolver a maior parte dos seus problemas diários e da capacidade de serem eles próprios em áreas importantes das suas existências.

Helena Marujo e Luís Neto.

Será que na escola se promovem oportunidades de desenvolvimento das 4 dimensões da felicidade? E na sociedade?

PROBLEMA


Urge Alterar os Nossos Pré-Conceitos:


felicidade voltaire

Os desvios que fizemos, relativamente à felicidade, estão patentes num texto de resposta do chefe Seatle, distribuído pelo Programa Ambiental das Nações Unidas, o qual tem sido considerado, através dos tempos, como um dos mais belos e profundos pronunciamentos já feitos, a respeito da defesa do meio-ambiente, e que retrata as consequências do nosso “perfil de orientação à felicidade”. Esta foi a resposta deste índio no ano de 1854, ao presidente dos Estados face à proposta de comprar grande parte de suas terras, oferecendo, em troca, a concessão de outra “reserva“. 

“Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa ideia parece-nos estranha. Se não possuímos a frescura do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. (…) Se lhes vendermos a terra, (…) devem ensinar às vossas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida de meu povo. (…) Se lhes vendermos a nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar os vossos filhos que os rios são nossos irmãos, e vossos também. (…) Sabemos que o homem branco não compreende os nossos costumes. Uma porção de terra para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra coisa, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra, aquilo que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga e, quando ele a conquista, prossegue o seu caminho. Deixa para trás os túmulos dos seus antepassados e não se incomoda. Arranca da terra aquilo que seria dos seus filhos e netos. A sepultura do seu pai e os direitos dos seus filhos são esquecidos. Trata a sua mãe, a terra, e o seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. O seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto. Eu não sei, os nossos costumes são diferentes dos vossos. A visão das suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda. (…) Há uma ligação em tudo. Vocês devem ensinar às vossa crianças que o solo a seus pés é a cinza dos nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a vossos filhos que ela foi enriquecida com as vidas do nosso povo. Ensinem às vossas crianças o que ensinamos às nossas, que a terra é nossa mãe. (…) Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo. (…) A terra é-lhe preciosa e feri-la é desprezar o seu criador. Os brancos também passarão: talvez mais cedo que todas as outras tribos.

ChefeSeatle

O seu apetite devorará a Terra deixando só um deserto! Contaminem os vossos leitos e  uma noite morrerão afogados nos vossos próprios resíduos.

SOLUÇÃO


Cultivar Bons Hábitos de Felicidade:


Estávamos no ano 2002 quando se realizou a 1.ª Conferência de Inteligência Emocional, uma parceria entre a EB2 Frei António Brandão e o Ginásio Equilíbrio, tendo decorrido na sala de cinema da Benedita. Uma das áreas de debate abordava a “Psicologia Positiva” e foi apresentada pelo Dr. Luís M. Neto, não podendo estar presente a Drª Helena Marujo. Desde essa altura que tenho seguido à distância o trabalho destes dois investigadores e é sobre um dos seus documentos que retiro alguma informação.

Conhecer as nossas próprias emoções (auto-consciência); Gerir as emoções (auto-conhecimento); motivar-nos a nós mesmos; reconhecer as emoções dos outros (empatia) e  gerir relacionamentos são algumas das competências que nos permitem construir e reforçar laços afetivos e relacionais com os outros.

Daniel Golmen, “Inteligência Emocional“, refere vários fatores que estão a privar milhões de crianças das suas competências e do seu carácter moral. cartoon pais e filhos_nA agitação, instabilidade e inconsistência da vida familiar quotidiana permeiam todos os segmentos da nossa sociedade que promovem uma erosão dessas incontáveis e pequenas trocas (afectos / amor), entre pais e filhos que estão na origem das competências emocionais. A ILITERACIA EMOCIONAL tem um preço, porque resulta num mal-estar emocional. 

  • Famílias financeiramente sitiadas” –  ambos os pais trabalham longas horas;
  • Filhos deixados em creches que equivale ao “abandono afetivo” por muito amorosas que sejam as pessoas que cuidam destas crianças;
  • Famílias monoparentais;
  • Etc….

Urie Bronfenbrenner, “preparar um mundo para a criança no século XXI: o desafio da investigação”, refere que para se desenvolver intelectual, emocional, social e moralmente é preciso respeitar alguns princípios de desenvolvimento. Se não forem garantidos os afetos podemos abrir a “caixa de pandora“, libertando-se emoções destrutivas por si e pelos outros. Se queremos educar para a felicidade é fundamental que nós, adultos, iniciemos um processo de literacia emocional em nós próprios por forma a nos libertarmos dos nossos preconceitos – aprendizagens emocionais que ocorreram no começo das nossas vidas, embora as crenças utilizadas para justificá-los apareçam mais tarde. Numa fase posterior da vida, podemos querer modificar os nosso preconceitos, mas não é fácil porque a força dos estereótipos que servem de base aos preconceitos derivam em parte de uma dinâmica mais neural da mente que faz que estereótipos de todos os géneros sejam confirmados. Todos nós condenamos as atitudes pre-conceituosas porém, continuamos a agir pre-conceituosamente, ainda que de forma disfarçada.

Uma escola feliz promove a Literacia Emocional como ferramenta essencial ao desenvolvimento de Bons Hábitos de Felicidade e de uma personalidade madura, altruísta, empática e com bons alicerces morais. 

preferir a felicidade

A psicologia positiva enfatiza mais a busca da felicidade humana do que o estudo das doenças e desequilíbrios mentais e emocionais. Porém, se não dermos atenção às nossas inversões psicológicas ou crenças subconscientes sabotadoras, acabamos por comprometer o nosso esforço. Ou seja, por um lado é importante “limpar o sótão” e por outro procurar crenças que nos empoderam e libertam. Podemos de seguida visualizar criativamente aquilo que queremos de positivo e nos traga felicidade e realização pessoal nas várias dimensões da nossa vida. Ou seja, é fundamental “Cultivar Bons Hábitos de Felicidade“… Para cultivarmos o amor e respeito pelos outros e pelo mundo temos que obrigatoriamente aprender a amar e a respeitar a nossa beleza interior, a nossa essência, seja ela qual for…


As perguntas importantes são muitas vezes inquietantes:


ÍNDICE DE FELICIDADE

Helena Marujo e José Neto escrevem: “Talvez que uma das respostas mais belas aqui contida, que ecoa tantos outros estudos feitos pelo mundo, seja a de que a felicidade é, sobretudo, uma mão cheia de bens relacionais – que dizem os economistas, são muito mais caros que os materiais. É perturbador saber que cultivar relacionamentos significativos com os outros é hoje muito dispendioso nas economias de mercado, porque a vida em redor está cheia de substitutos dos bens relacionais a custos muito mais baixos. De facto, não arriscamos nada em passar três horas frente à televisão, mas arriscamos muito quando decidimos escrever uma carta de gratidão a um colega de trabalho, a um amigo ou à esposa (Quer experimentar e ver a diferença?). Nas sociedades que construímos custa muito mais dinheiro dar atenção à nossa sogra do que comprar-lhe um perfume; é muito mais dispendioso ter tempo para passear em família à beira-mar do que encher um filho de brinquedos (Já tinha reparado?) Os bens relacionais nascem por motivações não instrumentais – como a gratuitidade, o rir conjunto ou a vida com propósito – e são fins em si mesmos, não meios para sucessos. São a essência própria da elevação humana, já que não se consomem individualmente, mas permitem sim chegar à verdadeira reciprocidade”. (…) Conhecer a ciência da felicidade impele-nos a uma maior excelência moral e a valores mais consonantes com uma vida pessoal autónoma e com propósito, de permanentes aprendizes, com espaço para que cada potencial, cada virtude, floresça, e a uma vida social, cultural, ambiental, política consequente.


Os portugueses andam felizes?



RANKING D EFELICIDADE   EXPERIÊNCIAS POSITIVAS

Conheça este estudo:

Helena Marujo e Luís Miguel Neto; “Ser Feliz – Índice de Felicidade”; Instituto da Felicidade: PDF.

EXPERIÊNCIAS NEGATIVAS NO DIA ANTERIOR


Cultivar uma Atitude Altruísta:


O ponto de vista básico dos budistas é que, uma vez que os sofrimentos são uma realidade, evitá-los mentalmente não resolve o problema. O que devemos fazer é confrontar o sofrimento, enfrentá-lo e descobrir a melhor maneira de lidar com ele afirma o Dalai-Lama “O Caminho para a Libertação“. (…) Esses sofrimentos não surgem sem uma causa nem são criados por uma qualquer espécie de deus todo-poderoso. São produtos das nossas próprias ilusões e ações “passadas”, geradas pelos estados mentais não controlados. A causa que é a raiz de todo o sofrimento é a ignorância que concebe erradamente a natureza dos fenómenos. Esta ignorância leva-nos a exagerar o estatuto dos fenómenos e a criar categorias de “eu” e outros. Assim se criam experiências de desejo e de ódio que, por sua vez, produzem toda a espécie de ações negativas. (…) Quando familiarizamos a nossa mente com o amor e a compaixão, a força da ira vai diminuindo gradualmente. Depois de termos visto que toda a experiência, no ciclo da existência, tem a natureza do sofrimento, devemos desenvolver o desejo genuíno de nos libertarmos dele. Motivados por esse desejo, devemos entrar no caminho das 3 aprendizagens: 

  • Moralidade;
  • Concentração;
  • Sabedoria.

Devemos desenvolver a atenção consciente e a introspeção (…), e investigar a nossa própria personalidade e tentar dominar as emoções que sejam mais óbvias e fortes no interior da mente. (…) Dalai-Lama afirma que não devemos concentrar-nos em trabalhar apenas para benefício próprio. Devemos pensar em termos mais amplos e tentar trabalhar para benefício de muita gente. Devemos por um lado equacionar e saber criticar os pressupostos que fundamentam a forma como nos relacionamos em termos pessoais e sócio-económicos. Esta análise crítica deve ser sincera e intencional ao ponto de sermos capazes de compreender que existem outros modelos que nos permitem construir uma sociedade muito mais justa e feliz. (…) caricatura de dalai lamaDevemos compreender que a finalidade do nosso nascimento neste mundo é ajudar os outros. Se não o pudermos fazer, devemos, pelo menos, não prejudicar outros seres vivos. (…) A atitude altruísta é a raiz da felicidade interior da comunidade humana. Todas as grandes religiões do mundo encorajam as atitudes altruístas, independentemente dos seus diferentes sistemas filosóficos. Se cultivarmos a atitude altruísta, além de nos trazer paz de espírito, cria igualmente uma atmosfera de paz à nossa volta. (…) A finalidade última do cultivo da actividade altruísta é alcançar o estado de paz interior, de modo a podermos trabalhar para a realização total dos desejos dos outros seres. Foi em 2001, 28, 29 e 30 de novembro, que participei na conferência “A mente, a religião e a ciência” organizado pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa e tive o privilégio de escutar o Dalai Lama e as suas palavras de sabedoria. É deste evento que Matthieu Ricard refere na sua apresentação no TED Talk.

TODAS AS BOAS QUALIDADES DESTE UNIVERSO SÃO O PRODUTO DA ESTIMA DO BEM-ESTAR DOS OUTROS, E TODAS AS CONFUSÕES, FRUSTRAÇÕES E SOFRIMENTOS SÃO PRODUTO E CONSEQUÊNCIA DAS ATITUDES EGOÍSTAS.

Perguntaram ao Dalai Lamao que mais o surpreendia na humanidade?

Reposta: “Os Homens! …”

Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde”. E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer, e morrem como se nunca tivessem vivido!”.

A base da nova economia colaborativa depende totalmente de uma atitude altruísta que se baseia na confiança e respeito mútuo.

felicidade no grupo

“Um bom Homem desenha um círculo em torno de si e preocupa-se com aqueles que estão dentro, a sua mulher e filhos. Outros Homens desenham um círculo maior e trazem para dentro os seus irmãos e irmãs. mas alguns Homens têm um grande destino. Eles devem desenhar um círculo em torno de si que inclui muitos, muitos mais. Cada um de nós deve decidir por si mesmo qual é o seu destino!”

receitafelicidade

Anúncios

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s