Educação Física e a Interioridade Humana

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Macrocefalia Educativa:


 

Sir-K.RobinsomUma coisa me impressiona quando viajamos pelo mundo: todos os sistemas de ensino na Terra tem a mesma hierarquia de assuntos, independentemente do local. (…). No topo estão a matemática e línguas, em seguida, as humanidades, e no fundo são as artes (expressões). (…). E em praticamente todos os sistemas também, há uma hierarquia dentro das artes. Normalmente atribui-se à arte e música um status mais elevado nas escolas do que ao drama, dança (expressão corporal) e educação física. Não existe um sistema de educação no planeta que ensine dança todos os dias às crianças da mesma forma como ensina a matemática. Por quê? Por que não? Eu acho que isso é muito importante. Eu acho que a matemática é muito importante, mas a dança também é! As crianças dançam o tempo todo (…). Todos nós temos corpos, não é? (…) Na verdade, o que acontece é, quando as crianças crescem, começamos a educá-las progressivamente da cintura para cima. E depois concentramos-nos apenas nas suas cabeças, dando ênfase apenas a um dos hemisférios, o esquerdo – racional |; (TED Talk “Será que a Escola Mata a Criatividade!”).

As escolas são incentivadas (Condicionadas) a explorar as capacidades das crianças num espectro muito restrito de realização, (…) estreitando o foco para as chamadas disciplinas  CTEM (o currículo CTEM orienta a educação dos estudantes segundo 4 áreas específicas, Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemáticas).São áreas muito importantes. hierarquia de matériasO meu objetivo aqui não é argumentar contra a ciência e matemática. Pelo contrário, elas são necessárias mas não são suficientes. A verdadeira educação deve dar igual peso às artes, às humanidades e à educação física (TED Talk “Como Escapar ao Vale da Morte da Educação”).

Ou seja, um dos maiores pedagogos da atualidade enfatiza a importância das expressões artísticas receberem tanta atenção quanto as restantes disciplinas a par da matemática e da linguística. Se lermos o livro de Laura Erlauder, “Práticas pedagógicas compatíveis com o cérebro” podemos perceber porquê!…

áreas de formação equilíbrio


Corpo Instrumento:


Jorge CrespoEm 2013, nos dias 5, 6 e 7 de setembro participei numa ação de formação intitulada “Educação Física e Desporto Escolar: Formar, Informar, partilhar e divulgar boas práticas” organizada pelo CFAE Centro-Oeste, com o intuito de me atualizar profissionalmente.  No primeiro dia tive a oportunidade de escutar o Dr. José Sequeira da Silva e o Prof. Doutor Jorge Crespo. O testemunho do primeiro orador sublinhou a importância da experiência desportiva na formação dos jovens. O segundo partilhou uma pequena história que me chamou particularmente à atenção. Referiu que, nos primórdios da organização do INEF (Antes de ser ISEF e atualmente FMH), convidaram Jean Le Boulch ao INEF para apresentar as suas teorias. Segundo contou, as questões colocadas pelos participantes presentes, apenas serviram para “colocar em causa” o investigador e o seu quadro conceptual, o qual se retirou indignado. Voltaram a chamá-lo pedindo-lhe que tivesse calma e então a palestra decorreu construtivamente. Na verdade, pelo que pude depreender desta partilha, foi nesta altura que o INEF fez uma opção clara ao aceitar o dualismo metodológico de Descartes que resulta da conceção de  umcorpo instrumento” separado da mente, subordinando o perfil dos Professores de Educação Física ao referencial axiológico do desporto. Ou seja, numa época em que a Educação Física procurava afirmar-se perante a sociedade e no contexto académico, como área científica, as ciências do desporto conferiram-lhe, na perspectiva desses professores, maior cientificidade e validade académica. Ou seja, reduziram o estudo do movimento humano à sua dimensão fisiológica e mecânica. Os atuais programas de Educação Física são disso um total reflexo e espelham  a colonização do modelo desportivo-competitivo na formação corporal dos jovens. Obviamente que, Jean Le Boulch, apresentara um discurso diferente no qual sobressaia a unidade mente-corpo e o movimento apresentava-se como forma de expressão da interioridade e não de performance. A área que rejeitaram nessa altura foi continuada pelo Prof. Doutor Vitor da Fonseca e designada por psicomotricidade. Vitor da Fonseca enfatiza a função e diálogo tónico que permite a verdadeira função gnóstica do movimento. Como ele afirma em “Temas de Psicomotricidade“, torna-se necessário desmistificar o problema do comando, das atitudes rígidas, da execução perfeita, da disciplina técnica e espetacular, para nos projetarmos no DESENVOLVIMENTO DA INTERIORIDADE HUMANA, facilitando-lhe todos os meios de expressão e de simbolização, bem como todas as formas pessoais de pensamento e conhecimento. As aulas de Educação Física sobrevalorizam o corpo instrumento e as técnicas desportivas, decompostas nos seus elementos constituintes (progressões de aprendizagem), têm que obedecer às chamadas componentes críticas para que no final o movimento “automatizado” estereotipado (pouco ou nada natural), mostre eficácia e eficiência. Porém, a normalização do movimento não dá espaço à manifestação livre da interioridade de cada aluno. Vitor da Fonseca refere William Reich quando afirma que há uma noção de identidade funcional entre atitudes musculares e atitudes caracteriais, susceptíveis de se influenciarem e de se relacionarem reciprocamente. O mesmo autor, situa na musculatura estriada toda a dimensão do psiquismo e caracteriza-a como sede de espasmos e de rigidez, a que chamou a ARMADURA MUSCULAR, a que se encontram necessariamente ligados, os mecanismos de defesa do ego e todas as esferas psíquicas.


Ciências do Desporto


A computação gráfica, aplicada à análise tática de uma equipa, ou biomecânica de um atleta, atribuem às ciências do desporto um carácter aparentemente mais científico por ser mensurável e quantificável. As transformações subtis que se operam na nossa consciência e/ou perceção do mundo, depois de um trabalho de meditação não são tão espetaculares ou visualmente apelativas. Estamos encantados com as possibilidades que a tecnologia nos oferece porque achamos que ela nos ajuda a conhecer e a controlar o mundo. Porém, o maior desafio é-nos apresentado pela tecnologia interior, onde a consciência é a ultima fronteira. O desporto como espetáculo, entretenimento, afasta-nos do nosso corpo enquanto interface, um “modem” para outro nível de realidade, uma na qual encontramos o nosso centro tranquilo, a nossa paz na quietude.


Mente Corporizada


iceberg educação físicaAqueles que criticaram Jean Le Boulch assumiram a responsabilidade de afundar (Abaixo da superfície), uma parte fundamental da vocação da Educação Física. Percebo claramente que se tenham sentido ameaçados e inseguros relativamente à noção de TÓNUS, o elemento de ligação entre o psíquico e o somático, uma verdadeira função de ponte entre os dois aspectos integrados da existência do ser humano. Durante bastante tempo, esta função tónica não foi totalmente explicada em termos científicos e só com o surgimento da área de investigação desenvolvida por Donald Ingberg (1998), a mecanotransdução, o tónus ficou claro:

  • Candace Pert, neurocientista e farmacologista, no seu livro “Molecules of Emotion” argumenta que o “pensamento” ocorre no cérebro e no corpo;
  • Gay Watson e col. (2000), “Psychology of Awakening”, mencionam que a “mente não está na cabeça”; referem o conceito de “mente corporizada”; “a cognição está corporizada”. “(…) está intimamente ligado aos músculos, sistema esquelético, o sistema imunitário, sistema endócrino, sistema hormonal e assim sucessivamente”;
  • Um corpo é sempre a extensão de um eu e de uma personalidade, situados no mundo. Qualquer desequilíbrio nesta sensibilidade afecta a imagem corporal, revelando-se em problemas de adaptação escolar como nas dislexias, disgrafias, disortografias, discalculias, alocriésias e imperfeições multiformes.
  • As bases neuronais da linguagem estão interligadas com outros aspectos da cognição, controlo motor e emoções, Philip Lieberman (2000), “Human Language and our Reptilian Brain – the subcortical bases od speech, syntax, and thought”.
  • As formas externas do corpo e as formas internas dos órgãos falam-nos da motilidade celular, da organização e movimento da psique e da alma, Vitor da Fonseca.
O “Corpo” Académico – Dualismo Cartesiano O “Corpo” vivo – Unidade Mente-Corpo
Corpo instrumento de performance e rendimento Corpo como expressão da interioridade; Corpo é a mente subconsciente.
Anatomia, Fisiologia e biomecânica.  Anatomia Emocional
Promover a saúde através do impacto fisiológico Promover a saúde através da auto-observação e auto-consciência corporal
Universidades e Faculdades de Educação Física e Desporto Associações como Asas e Raizes, Biossintese e outras que abordam a quiroprática, osteopatia, etc…
Parece que existem duas realidades distintas na abordagem da motricidade humana as quais devem ser integradas.

Mecanobiologia


Don_Ingber-250x368Donald IngberThe Architecture of Life“: um conjunto universal de regras fundamentais parecem guiar a arquitetura das estruturas orgânicas, desde os simples compostos carbónicos até às complexas células e tecidos. Artigo publicado na revista Scientific American em janeiro de 1998.

A moderna biologia reconheceu que o interior da célula está preenchido por fibras, tubos e filamentos, designados colectivamente por citoesqueleto ou matriz citoplasmática. Todo o sistema designa-se por matriz viva ou rede complexa de fibras de tecido conectivo interligadas que se estendem por todo o corpo de forma contínua. 

  1. A comunicação nos sistemas vivos envolve duas linguagens principais: química e energética.
  2. Toda a matriz corporal é simultaneamente uma rede mecânica, vibracional ou oscilatória, energética, electrónica e informacional. 
  3. O comportamento celular é activado através de sinais ambientais  que incluem:
    1. Forças energéticas invisíveis (sinais elétricos, campos eletromagnéticos, outras energias…), incluindo os nossos pensamentos que promovem alterações na conformação das proteínas integrais efectoras da membrana (PIMs), citoplasmática (este comportamento designa-se por mecanotransdução, (Donald Ingber, 1998), e equivale ao TÓNUS descrito por Vitor da Fonseca e Jean Le Boulch, bastante explorado no campo da “Anatomia Emocional” de Stanley Keleman;
  4. A membrana celular é um cristal líquido (Organização fosfolipídica), semicondutor; A membrana celular é de facto um homólogo orgânico de um chip de silicone (Bruce Lipton, “Biologia da Crença”). Dentro deste contexto, a célula é um microprocessador auto-movido – um computador orgânico. 
  • Donald Ingber, (1997) “The Architecture of Life”; Scientific American: PDF;
  • Donald Ingber, (1997) ” Mechanobiology and diseases of Mechanotransduction”: PDF.

matriz-celular


Moléculas das emoções


Candace-PertOs Peptídeos ou péptidos (biomoléculas formadas pela ligação de dois ou mais aminoácidos através de ligações do tipo amina): sempre que manifestamos um sentimento, pensamento, uma intenção, emoção ou crença dá-se a “materialização a partir da invisibilidade destas substâncias informacionais segundo Candace Pert (neurotransmissores, hormonas e neuropéptidos segregados pelo cérebro, e em simultâneo pelas células imunitárias – péptidos). Cada péptido pode evocar um “tom” emocional único. O grupo de 70 péptidos pode constituir uma linguagem bioquímica universal das emoções.
Ou seja, existe uma ligação entre os pensamentos (dimensão intangível) e a nossa biologia através da bioquímica celular. Estes peptídeos programam o comportamento celular. Estes estímulos acionam diferentes conformações do citoesqueleto (integridade tensional), que por sua vez desencadeiam respostas comportamentais celulares específicos em função dos sinais moleculares (peptídeos). Esta é, de forma muito sucinta, a explicação científica para o TÓNUS, uma ligação entre o psiquismo e a biologia.

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Roda das emoções de Plutchik. Teoria psicoevolucionária das emoções.

Nós, através da qualidade dos nossos pensamentos e emoções podemos influenciar a qualidade dos processo biológicos, promovendo a saúde ou a doença. A disciplina de Educação Física pode evoluir para um “treino integrado” através do estudo da “Anatomia Emocional” e da sua Programação Celular através do Treino Mental (Imagética | Meditação | Biofeedback | Yoga) e do desenvolvimento de bons “Hábitos de Felicidade“.

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Cada péptido pode evocar um “tom” emocional único. O grupo de 70 péptidos pode constituir uma linguagem bioquímica universal das emoções. Ou seja, existe uma ligação entre os pensamentos (dimensão intangível) e a nossa biologia através da bioquímica celular (TÓNUS).

Ler Também “Liberte a Sua mente” – ler mais


Expressão Motora numa Escola Feliz


escola feliz & Economia Felicidade longo

link para projeto Escola Feliz & Economia da Felicidade: AQUI

Uma escola Feliz pressupõe uma mudança de paradigma onde se cumprem os seguintes pressupostos:

  1. Desvinculação parcial ou total da expressão corporal do modelo desportivo competitivo;
  2. Utilização da expressão corporal como forma de desenvolvimento da interioridade humana;
  3. Desvinculação do modelo competitivo e aproximação do modelo da pedagogia cooperativa – jogos cooperativos;
  4. Valorização dos estilos de ensino – além da barreira da descoberta – nos quais os alunos assumem a responsabilidade das decisões de pré-impacto, impacto e pós impacto, centrados em si próprios;
  5. Professor entendido como facilitador do estudo da “Anatomia Emocional” e da “Auto-Consciência” corporal (O corpo é a mente subconsciente);
  6. Desvinculação dos atuais programas de educação física que condicionam e limitam a expressão da dimensão eclética:
    1. Ecletismo ou Ecleticismo é um método científico ou filosófico que busca a conciliação de teorias distintas. Na política e nas artes, ecletismo pode ser simplesmente a liberdade de escolha sobre aquilo que se julga melhor, sem o apego a uma determinada marca, estilo ou preconceito. Pode ser considerado também uma reunião de elementos doutrinários de origens diversas que não se chegam a articular numa unidade sistemática consistente. Abordagem filosófica que consiste na apropriação das melhores teses ou elementos dos diversos sistemas quando são conciliáveis, em vez de edificar um sistema novo.
  7. Incluir o Treino Mental e Emocional como componentes da expressão Fisico-Motora (Unidade Mente-Corpo).
  8. Avaliação qualitativa.

 

Evolução dos objetivos e conteúdos da educação Física em relação ao desporto


A escola pode proporcionar espaço para estas duas dimensões da realização físico-motora:

1.ª ETAPA:

  1. Independência com o desporto
    1. Higiene Postural e Respiratória; Disciplina Física e Moral;
    2. Áreas: Ginástica Sueca e Neo-sueca;
  2. Vinculação Total ao Desporto
    1. Mens Sana in Corpore Sano; Valores do Desporto: “Fair Play”;
    2. Desporto na Escola como meio de Formação Integral;
  3. Vinculação instrumental com o desporto
    1. Rendimento Físico; Saúde Física: Exercício Físico como medida profilática e/ou “medicamento” que age sobre os sintomas: (A obesidade, na perspetiva psicossomática, é um sintoma não a causa ou problema. A causa é de raiz mais profunda – abaixo da superfície.)
      1. Livro Verde da Atividade Física: PDF;
      2. Livro Verde a Aptidão Física: PDF;
      3. Livro Branco Sobre o Desporto: PDF;
      4. Orientação da União Europeia para a Atividade Física: PDF;
      5. A saúde dos Adolescentes Portugueses – relatório do estudo HBSC 2010: PDF.
    2. Trabalho Sistemático da Condição Física;
  4. Escassa vinculação ou recusa do desporto:
    1. Reeducação Motora; Adaptação Percetiva-Motora; Relações Inter-Pessoais;
    2. Psicomotricidade; Socio-Motricidade;

escola-feliz

2.ª ETAPA: “Escola Feliz”

  1. Vinculação marginal com o desporto: 
    1. Recreação e Lazer:
      1. Passeios na Natureza; Arvorismo; Passeios Pedestres; brincar; Treking-lazer; BTT-lazer; Kitesurf; Passeio de Kayak; etc…
  2. Desvinculação total com o desporto.
    1. Unidade mente-corpo; Auto-Consciência; Holopráxis.
      1. Coaching; Team Building; Jogos Cooperativos; Aiki-Do; Meditação, Biofeedback; Reiki; Tai-Chi-Chuan; Yoga; Jogo e Psicodrama; Eutonia; Constelações Familiares; Psicodrama; Bioenergética; Biodança; 5 Ritmos; Euritmia; Reprogramação Neuro-Muscular (RNM) / Psicologia-Cinesiologia-Corporal.

 


 

Treino Mental


meditação_sExemplo | Treino Mental: um estudo feito com estudantes da Califórnia, em 2008, comprovou que a meditação melhora o desempenho escolar. De acordo com a pesquisa publicada na Revista Education, em 2011, entre os 189 participantes, aqueles que meditavam tiveram um aumento significativo no rendimento em matemática e inglês. Cerca de 41% melhoraram as notas, em comparação com 15% do grupo que não meditou. O trabalho coordenado pelo professor Ronald Zigler (Professor Associado de Psicologia Educativa, da Universidade Estadual da Pensilvânia), mostrou também que a prática deixa os estudantes mais calmos, felizes e menos hiperativos.


Sala de Aula Invertida


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