Facilitar, Inspirar e Transformar Pessoas

divisória vermelhamultinteligencias-educacao-fisicadivisória vermelhamultinteligencias-e-educacao-fisica


Viver uma vida com Significado:


apz com coraçãoNa minha opinião, quando fazemos algo pelo melhor dos outros, com o coração aberto e na procura da verdade e da justiça, tornamo-nos ativista. por mais pequena que seja a ação, podemos sempre influenciar positivamente alguém, através do nosso exemplo.

caminho interiorTodos os desafios de engenharia colocados ao homem, por mais complexos e difíceis que sejam, sempre foram resolvidos com engenho. O enorme empreendimento dos “Descobrimentos Portugueses”, que em termos desafio  tecnológico para a época se pode equiparar, ma minha opinião, à colocação de um homem na lua mostra a nossa capacidade empreendedora e exigiu planeamento, método, sistematização e engenho para desenvolver um projeto daquela envergadura baseado numa visão de longo prazo.

hqdefaultPorém, o maior desafio da humanidade, tem-se revelado muito mais difícil e perdura à séculos: o “jogo da vítima e vitimização – Triângulo Opressivo“. Embora a solução seja simples, somos incapazes de resolver este drama, que está na origem dos grandes conflitos internacionais, domésticos, sociais e interpessoais. O antídoto é o amor, a ciência do coração chama-lhe Inteligência Emocional. Embora o amor seja algo que faz parte da nossa essência mais íntima, sentimos dificuldade em amar com todo o nosso coração e viver em conformidade com os princípios do amor.


O Pântano da Alma


 A Culpa e a Vergonha:

O maior obstáculo que impede de nos entregarmos abertamente à vida está diretamente relacionado com duas emoções que nos isolam, a culpa e a vergonha, O Pântano da Alma“.

vulnerabilidadeA vulnerabilidade é a origem da inovação, da criatividade e da mudança. A adaptabilidade à mudança tem tudo a ver com vulnerabilidade. O nosso medo da vulnerabilidade impede-nos de correr riscos porque tememos não ser reconhecidos e sobretudo criticados. Reconhecer a nossa natureza falível e limitada é um feito de coragem. Ninguém melhor que Brenné Brown para falar sobre vulnerabilidade. Não precisamos ser perfeitos para nos tornarmos ativistas.

VERGONHA:

  • A vergonha é um foco no Eu: (Crença: Eu sou um erro) “Eu vou “tentar” criar este projeto!”: A vergonha é o monstro que diz, “Ei, ei!… Não és suficientemente bom! Nunca terminaste a licenciatura. A tua mulher deixou-te! Eu sei das coisas que aconteceram/fizeste em criança. A vergonha leva a duas grandes gravações: “Nunca somos suficientemente bons!” e, caso nos consigamos convencer do contrário: “Quem pensas tu que és? A vergonha é a crença: “Eu sou mau“. 
  • A vergonha está altamente correlacionada com a dependência, depressão, violência, agressão, bullying, suicídio, distúrbios alimentares. 
  • A vergonha é uma epidemia na nossa cultura. E para nos libertarmos do seu domínio, para descobrirmos o nosso caminho de regresso, temos de compreender como nos afeta e como afeta a forma como educamos [os nossos filhos], a forma como trabalhamos, a forma como olhamos uns para os outros.
  • Se vamos encontrar o nosso caminho de regresso uns para os outros, temos de compreender e conhecer a empatia, porque a empatia é o antídoto da vergonha.
  • Quando tenho pena de mim próprio eu não me respeito.  Como é que nos podemos sentir bem quando sofremos de um grande medo? Sentimo-nos vitimizados por tudo; sentimo-nos revoltados, tristes, ciumentos ou traídos… a raiva não é mais do que medo com uma máscara… Vivemos numa sociedade do medo e desrespeito.

CULPA:

  • A culpa é um foco no comportamento: (Eu cometi um erro) A culpa é “Eu fiz algo mau!”. As pessoas magoadas tocam nas nossas feridas (desmascarar – tirar a máscara), relembrando-nos dos nossos “maus atos” para que nos sintamos culpados, percamos o nosso amor próprio e nos sintamos envergonhados. Ao fazê-lo, ativam os nossos mecanismos de defesa e inicia-se uma escalada de violência verbal e perpetua-se o Triângulo de Desautorização Pessoal. Só o perdão cura…

É necessário Coragem para aceitarmos as nossas limitações: a definição original de coragem quando entrou pela primeira vez no léxico Inglês – provém da palavra em latim cor, que significa coração e a definição original era:

Contar a história de quem somos com todo o nosso coração. Precisamos de CORAGEM para sermos quem somos”…


Triângulo Opressivo


Sempre que contamos uma história sobre a nossa experiência ou doutrem, identificamos no elenco três papeis definidos, que formam um triângulo opressivo de perda de soberania individual e/ou desautorização pessoal.

Estes personagens são:

VÍTIMA – Crenças: Estás-me sempre a fazer isto! Eu mereço isto! Eu estou indefeso!

  • Eu desisto;vitima icon 1
  • Sente-se oprimido, desanimado, envergonhado, desempoderado, incapaz e mal compreendido.
  • Sente-se “preso/atraído” a um salvador para validar os sentimentos anteriores;
  • Recusa-se a tomar decisões, resolver problemas, procurar ajuda, cuidar de si próprio ou mudar;

PERPETRADOR (Vilão, perseguidor, o mau) – Crenças: “tu és o problema! O que é que se passa de errado contigo!

  • Tu não estás bem, eu estou, por isso faz o que te digo (obedece);
  • Crítico depreciativo;perpetrador icon
  • Rebaixa os outros;
  • Culpabiliza e aponta o dedo;
  • Mantém as vítimas em baixo;
  • Movido pela raiva ou ressentimento;
  • Rigidez no pensamento;
  • Mandão.

SALVADOR – Crenças: Eu tenho de resolver isto! Eu sou a solução!

  • Facilita ajuda mesmo quando não quer;salvador icon 4
  • Sente-se culpado e ansioso se não ajudar;
  • Sente-se ligado à vítima quando esta é dependente;
  • A ato de salvar traz o sentimento de ser capaz;

O triângulo dramático é um modelo psicológico e social da interação humana em análise transacional (AT), descrito por Stephen Karpman. O Triângulo Dramático de Karpman é um modelo poderoso usado em coaching e terapia para explicar relacionamentos disfuncionais

triângulo de karpman 1

Todos nós, conscientes ou não disso, passamos pelos três papeis, em vários momentos da nossa vida. Quando vivemos em função deste guião da nossa história, criamos aquilo que se designa por “elo, vínculo ou compromisso traumático” com os actores principais da nossa narrativa porque nos ligamos a eles a partir do nosso “eu feridofalso eu”.


Eu sou alguém?


Numa das minhas oficinas de Inteligência Emocional para crianças, deu-se um desenvolvimento muito interessante. Normalmente cada momento de contacto é sempre diferente e evolui em função do publico presente e das suas dinâmicas emocionais. Tinha um grupo de alunos que decidiram participar, não pelo tema, mas com outro objetivo:

  • Perguntei: Porque estão aqui?
  • Alunos: para não ir às aulas?
  • Eu: Porque é que não querem ir às aulas?
  • Aluno: é uma chatice, o professor está sempre a falar, a mandar calar-nos e passamos o tempo a escrever. É uma seca!…
  • Eu: Mas assim nem tiram partido das aulas nem deste momento?!…
  • Eu: Então, se vocês não gostam da escola porque estão aqui?
  • Alunos: Porque somos obrigados!…
  • Eu: só por isso? Porque é que vocês estão a estudar?
  • Alunos: para aprender!; Para termos um futuro!; Para sermos alguém
  • Eu: Então, se estão aqui para aprender a ser alguém, o que é que isso faz de vocês agora?!… Quem são vocês agora?
  • Alunos: alguns olhando para o teto, outros para o chão como que à procura da resposta e fez-se silêncio…
  • Eu: Insisti na pergunta…
  • Aluno: Ninguém!…
  • Eu: (estava à espera desta resposta) Então, se vocês não são ninguém, e estão aqui para aprender, eu como já aprendi e sou alguém, exijo que vocês, que são ninguém, se calem e façam o que eu vos peço!…
  • Alunos: Fez-se silêncio, as cabeças baixaram num gesto de tristeza, desalento e resignação e nada disseram…
  • Eu: (Agora começou a sessão de Inteligência Emocional) Perguntei: Vocês gostaram do que eu vos disse e da forma como o disse?!…
  • Alunos: Quase em coro: NÃOO!
  • Eu: Mas é assim que vos tratam não é?
  • Alunos: É…
  • Eu: E como é que isso vos faz sentir.
  • Alunos: Mal, tristes…
  • Eu: E se eu vos disser que vocês não precisam de estudar para serem alguém! E se eu vos disser que o vosso valor como meninos ou pessoas não depende dos estudos (certificações), porque o vosso valor é imenso e não pode medir-se pela quantidade de conhecimentos ou feitos, mas pelo quanto amam?!…
  • Eu: Virei-me para um aluno e disse-lhe: Sabes, Tu tens muito valor!…
  • Aluno: Nunca ninguém me tinha dito isso assim?
  • Sessão: A partir de agora tinha a sua atenção e envolvimento e participaram com alegria o que contrastou com o momento inicial, agitados, distantes e ausentes…

As nossas palavras amorosas podem inspirar e despertar o potencial transformador nos outros, mas se forem amargas podem inibir e magoar. Está enraizado nos nossos genes o preconceito que as crianças “Não são ninguém até terem provado o contrário!“.


Desmotivação das crianças


As crianças sentem-se vítimas de um mundo adulto que as não compreende e exige delas o abandono da sua infância.free to play and learn

Peter Gray afirma que as crianças perdem a sua motivação quando perdem a possibilidade de escolha, quando o adultos estão no comando, e como tal elas não aprendem as lições primárias, como estruturar as suas próprias atividades, resolver os seus problemas e assumir a responsabilidade pelas suas vidas. As crianças aprendem muitas lições com valor nos jogos informais que não aprendem no desporto organizado.

A escola é um lugar onde as crianças são obrigadas a estar e onde a liberdade delas é muito restrita – muito mais restrita do que a maioria dos adultos toleraria nos seus locais de trabalho!…

As crianças (Todos nós) estamos biologicamente desenhados para nos aducarmos a nós próprios através do brincar e da exploração. Nós não precisamos de educar as crianças, precisamos sim de lhes facilitar as condições que as permitam serem elas próprias!…

brincar stwart BrownBrincar é uma atividade que nos permite entrar em contacto com a nossa criança interior, tornando possível recuperar o domínio dos movimentos do corpo, do equilíbrio, da sensibilidade tátil, lentamente bloqueados pela rigidez do medo do adulto. A nossa sociedade tende a descartar a brincadeira para os adultos. Brincar é visto como improdutivo, insignificante ou espaço de ociosidade. Prevalece a ideia que, assim que atingimos a idade adulta, é altura de ficarmos sérios e, entre as responsabilidades pessoais e profissionais, não existe tempo para brincar. O único tipo de jogo que “honramos” é o jogo competitivo. Porém, o brincar|jogar é tão importante para as crianças como para os adultos. Nós não perdemos a necessidade pela novidade e prazer à medida que crescemos. Brincar|jogar traz alegria e é vital para a resolução de problemas, criatividade e relacionamentos. Brincar | jogar facilita laços e ligações profundas entre as pessoas próximas e estranhas e cultiva a “cura”.

declínio do brincar e a patologia


Competição pelo Reconhecimento?


Quando as crianças não são valorizadas e escutadas, aprendem a não escutar e valorizar. Depois, ficamos ressentidos como pais e/ou professores quando não nos escutam e banalizam. Onde é que elas aprenderam isso?

Como existe uma crise de valor  pessoal e de amor próprio, competimos entre nós pelas coisas “escassas” (substitutos do amor), que nos promovem e distinguem (cargos, bens materiais, posição social, etc…), para alcançar esse reconhecimento|amor dos outros. E lutamos afincadamente por esse status, muitas vezes de forma desleal.

hand-join-request-1Normalmente costumo utilizar este exercício:

  • Eu: Estendam os braços e coloquem as palmas das mãos voltadas para cima!… O que é que esse gesto representa?
  • Alunos:  Estamos a pedir!…
  • Eu: Reparem… estão todos com as mãos a pedir não é?
  • Alunos: Sim!…
  • Eu: Então quem é que dá, alguém está a dar?
  • Alunos: Não…
  • Eu: Então, se estão todos a pedir e ninguém a dar, quem recebe e o quê?
  • Alunos: Ninguém … não recebemos nada…
  • Eu: Então e se eu der, quem é que recebe?
  • Alunos: Só um, pelo menos um de cada vez.
  • Eu: E o que é que acontece?
  • Alunos: Precisamos do professor e temos que esperar a nossa vez! E o professor não recebe, só dá…
  • hand-shake-loveEu: Se eu só der, esgoto a minha reserva e vocês não ficam satisfeitos não é? E os outros ficam ciumentos ou ressentidos se não receberem, humm?
  • Eu: Será que existe outra forma de não teres que esperar, poderes ser auto-suficiente a receber e abundante no dar?
  • Alunos: silêncio… pensativos.
  • Eu: e se colocarmos em círculo com as mãos assim, uma dá e outra recebe?! Todos damos e todos recebemos não é? Chama-se a isto reciprocidade, partilha, “Dar e receber“.

 


Ubuntu


 “Não podemos ser humanos sozinhos, e quando possuímos esta qualidade – ubuntu – somos conhecidos pela nossa generosidade. Nós pensamos frequentemente em nós próprios apenas como indivíduos, separados uns dos outros, mas nós estamos ligados e AQUILO QUE FAZEMOS AFETA TODO O MUNDO” | Desmond Tutu.

cooperar

Cooperar e trabalhar em equipa pede-nos confiança em nós e nos outros bem como libertação do Triângulo Opressivo. Porém, para darmos primeiro temos que descobrir a nossa fonte interior de amor próprio. Se todos dermos e recebermos, o ciclo completa-se e o equilíbrio estabelece-se. Deixa de haver rivalidades, medo da escassez e passa a haver abundância… Mas para que isso aconteça, todos temos que contribuir… Podemos designar um tal movimento ou envolvimento de Contribucionismo. Este modelo não funciona na base da hierarquia porque todos possuímos o mesmo elevado valor e todos contribuímos para a riqueza comum por amor aos outros.


Amor Próprio


 Muitos de nós, adultos, vivemos uma vida sem descobrir onde é que a nossa peça encaixa e isso cria angústia, tristeza e desalento e por vezes chegamos ao “Fim da Linha”.  O ativismo começa com pequenas ações, pequenas conquistas dentro de nós no sentido da transformação e auto-desenvolvimento.

“Pedinte de afecto” é o nome dado a este cartoon, da autoria de Saeed, publicado no jornal iraniano Asre Mardom, a 17/02/2009. É um dos cartoons que fazem parte da edição do Expresso: Os autores World Press Cartoon. Sintra, 2010. Afeto, de fato, é o que falta a muita gente. Não só recebê-lo, mas também dá-lo… Hoje em dia, andamos de tal forma ocupados que nem nos apercebemos que esse é, sem dúvida, um bem essencial…

O elemento que mantém uma sociedade unida, coesa e viva é o amor, nas suas várias manifestações como a alegria, o afeto, o carinho, a fraternidade, a amizade, partilha, reciprocidade, empatia, simpatia, humildade, compreensão, perdão, aceitação, etc… O ingrediente chave de qualquer política social que esteja vocacionada para as pessoas é o amor. Severn Suzuki, Ryan Hreljac e William Kamkwamba  são exemplos vivos do potencial que os jovens possuem quando se encontram … Seremos nós uma fonte de inspiração para os nossos jovens (filhos | alunos)?

João e alexandre 1O amor baseia-se no respeito, o medo não respeita nada, incluindo-se a si mesmo. Se eu tenho pena de ti, significa que não te respeito. Acredito que o outro não pode fazer escolhas por si mesmo. Quando eu acredito que tenho de fazer escolhas pelos outros, nesse momento eu não os respeito e tento controlar. Quando dizemos às crianças como devem viver as suas vidas, em casa ou na escola, significa que não as respeitamos. Sentimos pena delas e tentamos fazer por elas aquilo que devem ser elas a fazer por si próprias. Nós temos pena dos outros quando não os respeitamos, quando não acreditamos que sejam suficientemente fortes para conseguir. Por outro lado, o amor respeita. Eu amo-te; eu sei que consegues. Eu sei que és suficientemente forte, inteligente bom para fazeres as tuas próprias escolhas. As crianças que foram amadas e respeitadas tornam-se pro-ativas, responsáveis pela sua vida e contribuem para o coletivo.

saramago-transparente-reduzidoAprendi a não tentar convencer ninguém. O trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro…| José Saramago

Medo Amor
Cheio de Condições É incondicional
É egoísta
É generoso
Desconfia Confia
Cheio de expectativas Não tem expectativas
 Evita responsabilidades Assume responsabilidades
Baseia-se no desrespeito Baseia-se no respeito
Compete Coopera e colabora
Impõe Ideologia, Doutrina, Domestica
Flexibiliza, Integra, Acolhe, Diversifica
Hierarquia, Poder, Controlo, Centraliza
Liderança Circular | partilha, Descentraliza
*Vivemos na sociedade do medo e desrespeito…

Sem amor próprio é difícil amar os outros e sobretudo a natureza. Para nos tornarmos ativistas temos que desenvolver o amor próprio, temos que ter um coração abundante em amor.


 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s